Especial Rascunho e JUP

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Hoje à noite no Fantasporto


9:06, de Igor Sterk


The Tempest, de Julie Taymor


Serbian Music

Wikluh Sky, autor da banda sonora de A Serbian Fim (Foto: DR)

Wikluh Sky é um “rapper” e produtor sérvio, mais conhecido por ser uma parte do trio de hip-hop, Bad Copy, participa no projecto Shappa e mantém uma carreira a solo. Wikluh Sky também é o compositor do filme sérvio, que tantas reacções indignadas tem provocado.

A banda sonora oscila entre a batida “hardcore” instrumental (com um kick-clap) e “dubstep”. A intensidade é constante e cria nos espectadores uma sensação de ânsia que dura durante o filme todo. O fim não é sequer previsível pela música porque essa mesma intensidade mantém-se e prolonga-se pelos créditos finais. Naturalmente que o visual deste filme é forte e é a principal causa de todos os comentários e polémicas mas depois de o ver por uma segunda vez posso dizer com toda a certeza que a banda sonora tem uma boa parte de culpa em todo o processo.

Se duvidam podem ouvir no link mais abaixo. Experimentam várias vezes seguidas e mesmo sem imagens fica qualquer coisa de incómodo.


Tanto Barulho Para Nada

Cena do filme em que o protagonista começa a perceber onde está envolvido. (Foto: Fantasporto)

Assumo: apetece-me falar mal de “A Serbian Film” (Srpski Film). Por dois motivos: primeiro, porque uma pequeníssima parte de mim enquanto espectador ainda acredita na publicidade que antecede a estreia de um filme; segundo, porque este filme em particular é realmente mau.

E a fama de “A Serbian Film” prometia. Filme-choque do ano, polémico, pornográfico, violento, ofensivo, repulsivo e tudo o que normalmente não se espera encontrar ao mesmo tempo em pouco mais de hora e meia de cinema. O problema é que nestas coisas das catalogações há uma parte importante da verdade que fica sempre de fora: a parte em que se destaca a baixa qualidade do filme. E o primeiro trabalho do sérvio Srdjan Spasojevic é irremediavelmente fraquinho. Por muito que o cineasta tenha subido ao palco do Rivoli para explicar que, para lá de toda a violência explícita, existe aqui uma poderosa metáfora sobre a Sérvia do pós-guerra, a verdade é que essa mensagem – ou qualquer outra, para os devidos efeitos – não chega sequer a ser residual. O mesmo é dizer que todos os ingredientes que deram fama a “A Serbian Film” parecem gratuitos e desprovidos de sentido. De tal forma que a única característica que o torna mesmo insuportável é o absoluto tédio a que sujeita os espectadores durante uns longos, longuíssimos 60 minutos.

Há, no entanto, que louvar o principal objectivo de Spasojevic e que é provocar o público. Um público que começava a estar demasiado acomodado a um cinema politicamente correcto. Ideal seria tê-lo feito com uma obra de alguma qualidade, que honrasse a coragem de se mostrar o que normalmente se esconde e que, no mínimo, conseguisse prender o espectador à cadeira por outras razões que não a curiosidade mórbida.

E volto a assumir a vontade que tenho de maltratar “A Serbian Film”. Porque é mau, muito mau, terrivelmente mau.


A Loucura

(Foto: Fantasporto)

Já começava a fazer falta um filme como “The Last Employee”, nesta edição do Fantas. E porquê? Porque apesar dos organizadores insistirem em como este já não é um certame dedicado ao terror e ao fantástico, a verdade é que a maioria do público presente no Rivoli passa os dias à espera de, no mínimo, um calafrio desconfortável.

E o filme do alemão Alexander Adolph tem isso e muito mais. Não sendo uma obra de terror puro e duro, “The Last Employee” vive de um ambiente frio, rígido e filmado de uma forma quase geométrica, quase monocromática. Um ambiente pontuado por pequenos momentos desconfortáveis e inquietantes e que, num crescendo inteligentemente gerido pelo realizador, colocam o público na pele do protagonista.
Que, diga-se, não é um bom sítio para se estar. O desconforto é constante, a incerteza, permanente, e a dúvida sobre se o que estamos a viver é uma história de fantasmas ou o produto de uma mente descontrolada, incómoda. Por isso mesmo, damos por nós a torcer para que seja somente o comportamento errático de um espírito do além.
Revelar esse segredo é, como sempre, arruinar o seu efeito num filme inteligente, despretensioso e brilhantemente realizado por um cineasta com uma carreira de apenas quatro anos.

Por fim, uma referência muito especial ao trabalho de um actor que, à partida, ninguém dirá conhecer, mas que já participou em “Inglourious Basterds”, por exemplo. Christian Berkel é simplesmente magnífico no seu retrato de um homem instável e que esconde muito mais do que se pode imaginar e é desde já um dos favoritos para o prémio de melhor actor deste Fantasporto 2011.


Domingo à noite, no Fantasporto, no Grande Auditório do Rivoli


The Housemaid, de Im Sang_Soo às 21h15


A Serbian Film, de Srdjan Spasojevic, às 23h15


The Extraordinary Adventures of Adèle Blanc-Sec

Adèle Blanc-Sec, a exploradora aventureira. (Foto: Fantasporto)

Um filme de Luc Besson é sempre coisa para criar alguma expectativa e ansiedade cinéfila. O homem é, na verdade, o único cineasta europeu que, fazendo filmes na Europa, consegue concorrer com os americanos em matéria de “blockbusters”.

O “5º Elemento”, por exemplo, foi a obra que, nos anos 90 fez renascer a ficção científica de uma estagnação que se julgava irremediável. Filme maior do realizador francês, mostrou ao público e especialmente à indústria cinematográfica, que os europeus também sabiam dar caminho a muitos milhões de dólares e, ao mesmo tempo, fazer cinema de acção com muita qualidade.

Não se percebe, por isso, porque se dedicou Besson quase exclusivamente à produção de filmes de outros realizadores. Percebe-se ainda menos porque regressou à realização com objectos como Artur e os Minimeus. Percebe-se, isso sim, porque decidiu adaptar a banda desenhada de Jacques Tardi e levar ao grande ecrã as aventuras de Adèle Blanc-Sec.
A heroína é uma espécie de Indiana Jones de saias na Paris do início do século XX. Mulher de pêlo na venta, combate monstros, descobre tesouros incas, desenterra múmias e ainda tem tempo para tratar mal os homens que lhe aparecem à frente. Por isso mesmo, “Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec”, prometia acção a rodos, emoção, suspense e todos os contributos que os livros de bolso da infância dos nossos pais deram à nossa imaginação infantil.

E a coisa começa bastante bem, pleno de ritmo e energia; com um sentido de humor irresistível e maravilhando precisamente esse imaginário infantil que tão mal tratado tem sido pelo cinema mais recente.
O problema é que Luc Besson parece ter-se esquecido de como gerir um filme de acção, e subitamente tudo o que parecia estar bem desaparece numa amálgama trapalhona e precipitada. A última meia hora de “Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec” é um corropio desenfreado, uma recta final feita aos tropeções e que deixa no espectador a nítida sensação de se estar a ver um mero episódio-piloto de uma série de televisão. E é pena.


Hahaha, as pessoas são complicadas

(Foto: Fantasporto)

E ao segundo dia, eis que surge o primeiro filme simpático desta edição do Fantasporto, “Hahaha”, do sul-coreano Sang-soo Hong. Comédia de situação, Hahaha é um filme de conversa; de longas sequências em que o diálogo é o principal (e muitas vezes o único) artefacto.

O ponto de partida é também ele muito simples. Dois amigos sentam-se a uma mesa para comer e beber, e desfilam, quase ao desafio, histórias de uma época recente e nas quais tiveram papel de protagonistas. Histórias de encontros e desencontros, de paixões concretizadas e perdidas e de conversas à mesa enquanto se come, se bebe e se fuma.
“Hahaha” acaba por ser uma versão asiática de muitos dos filmes de Woody Allen. Não uma tentativa de copiar uma fórmula conhecida, mas sim um trabalho honesto e despretensioso, e por isso também, um filme simpático. Ao mesmo tempo é igualmente uma comédia de costumes, precisamente porque aborda os mesmos assuntos que o mestre do cinema americano, mas enquadrando-os na perspectiva da sociedade coreana.

O argumento não é particularmente engenhoso. Aliás, a grade qualidade do realizador, é a forma inteligente como gere as características das personagens e que são a origem de todos os desencontros já referidos. Como na vida real, diga-se. O humor é inteligente e ingénuo, quase infantil; os diálogos têm momentos verdadeiramente brilhantes e os actores portam-se excepcionalmente bem, sem exageros ou “overacting” irritante.
O único defeito (perdoável) de “Hahaha” parece ser a sua excessiva duração. As quase duas horas pesam na paciência do espectador, que a meio do filme, já percebeu que a história não foi concebida para ir a lado algum.

Ainda assim, é um filme que merece ser visto, quanto mais não seja para se perceber como ainda é possível entreter o público sem grandes artimanhas, efeitos especiais ou outros truques baratos.


Exorcismus – PSEUDO-REMAKE

(Foto: Fantasporto)

Facto: o cinema de terror é como um gigantesco guarda-chuva que abriga inúmeros sub-géneros. Dois desses sub-géneros sofreram uma espécie de renascimento, nos últimos anos, mas sem que isso tenha significado um grande contributo para os fãs de sangue, tripas e outras viscosidades mais ou menos nojentas. Falamos, obviamente, dos filmes de zombies e dos filmes de exorcismos.

O grande obstáculo para qualquer realizador que se proponha a filmar mortos que voltam à vida e vivos com o diabo no corpo, é tão somente contrariar duas obras-primas do cinema de terror e, respectivamente filmes seminais nesses mesmos sub-géneros, “A Noite dos Mortos-Vivos”, de George Romero e “O Exorcista”, de William Friedkin.
No segundo caso, os filmes que abordam as possessões demoníacas e consequentes exorcismos, dividem-se em duas categorias: por um lado, os que parecem ser remakes não assumidos do trabalho de Friedkin; por outro, os que tentam fugir à comparação e se espalham ao comprido.

“Exorcismus”, do espanhol Manuel Carballo, é um bom exemplo da primeira categoria. Portanto, o que é que temos? Temos uma família de classe média, dois filhos, a mais velha, uma teenager incompreendida e a quem os pais não dedicam a devida atenção e, que mais cedo ou mais tarde, vai começar a revirar os olhinhos e a falar com voz grossa. O filme é fraco em todos os parâmetros, a começar desde logo pelo argumento, muito mal amanhado e, aparentemente, pobre na linguagem – alguns diálogos chegam mesmo a ser ridículos. Para não ficarem atrás, os actores são também eles fraquinhos e não chegam sequer a emprestar, a um trabalho destinado ao fracasso total, uma grama que seja de esforço e dignidade.

Facto: “Exorcismus” é um daqueles filmes que decididamente não ficam para a história; nem por ser muito bom, nem por ser irremediavelmente mau. Aliás, nem consegue ser sofrível. É um filme que não deixa mossa, que passa despercebido, ideal para quem o vê e rapidamente o quer esquecer.


Hoje à noite no Fantas…


The Extraordinary Adventures of Adèle Blanc-Sec, do aclamado e conhecido realizador Luc Besson.


And Soon the Darkness, de Marcos Efron.


The Reykjavik Whale Watching Massacre, de Julius Kemp.


Abertura Oficial do Fantasporto 2011

Fotos: Pedro Ferreira


O Filme Que Não Foi

(Foto: Fantasporto)

Mantendo a tradição de abrir a secção de competição com uma obra prestes a estrear nas salas portuguesas, o Fantasporto apresentou ontem The Resident, com Hilary Swank e Christopher Lee, e realizado pelo finlandês Atti Jokinen.

Foi o próprio realizador quem explicou à audiência que “The Resident” era o concretizar de um sonho antigo: fazer um filme nos Estados Unidos, mais concretamente em Nova Iorque, e com uma grande estrela de Hollywood. Conseguiu-o, é um facto, mas essa deve ser uma proeza que tão cedo não deve repetir.

“The Resident” quer ser um thriller psicológico, seguindo a linhagem de um cinema que utiliza o voyeurismo como ferramenta ao serviço do suspense e que tão bem foi trabalhado, por exemplo, por Alfred Hitchcock. O problema é que Jokinen é um mero tarefeiro e falha em todos os elementos habitualmente associados ao suspense. Desde logo porque suspense é coisa que não existe. Tudo é demasiado óbvio, morno e tão previsível, que qualquer réstia de interesse que pudesse existir se esfuma aos primeiros quinze minutos de filme.

Para além disso, o realizador parece desconhecer uma regra de ouro do thriller. Se o vilão é desvendado ainda o filme não vai a meio, há que alimentar os espectadores com algo que lhes prenda a atenção: ou doses maciças de suspense, ou um twist final daqueles que deixam qualquer um perdido. The Resident não tem nada disso, e acaba por se resumir a uma longa e tortuosa hora e meia de coisa nenhuma. Hora e meia, basicamente, para matar o indivíduo que, já se sabia, teria obrigatoriamente de morrer.

Como é que um realizador da Finlândia, sem créditos firmados, e que se limitava a realizar documentários – e uma edição do Festival Eurovisão de Canção – chega a Hollywood? A resposta é fácil e está escondida no genérico de abertura de “The Resident”: um dos produtores do filme chama-se Renny Harlin, realizador responsável, entre outros, por “Die Hard 2″, e que, só por acaso, é… finlandês.


Bedevilled, uma mulher à beira de um ataque de nervos

Boki-nam é a personagem forte do filme que mostra como a catarse se pode tornar perigosa (Foto: Fantasporto)

Bedevilled não é um filme de vingança. Mais um exemplo do cinema sul-coreano que acaba por não deixar de nos surpreender com um thriller cheio de suspense e violência psicológica que esteve presente na selecção oficial da Semana da Crítica do Festival Internacional de Cinema de Cannes 2010.

Hae-won, funcionária de nível intermediário numa instituição financeira, em Seul, onde o ambiente corporativo claramente a deixou a oscilar no limbo de um colapso. “Tire férias”, são as ordens do seu chefe, que a levam de volta à ilhota ao largo da costa sul, onde ela cresceu. Do outro lado e em completo oposto de personagem está Bok-nam, companheira de Hae-won na infância, ainda mora no mesmo local numa realidade paralela em nada afectada pelo mundo globalizado e tecnológico. A comunidade insular habitada por por revelar a verdade escondida num paraíso perdido. Um marido violento, o seu irmão retardado e um bando terrível de mulheres mais velhas que perseguem Bok-nam.

A narrativa desenrola-se num ritmo lento e que dificilmente nos deixa prever a trama dramática antes do clímax. As duas mulheres tem um passado em comum que se vai revelando ao longo da história e que só no fim se percebe o porquê da tensão acumulada e dos motivos que minam a aparente calma na relação de amizade. Muito do filme vive da forma como Hae-won se esforça para dar corpo a uma personagem que é mais um catalisador que um ser humano, ela torna as cenas de emoção mais fortes, sem palavras, silenciosa e inesperada. Basicamente toda a gente se cansa e toda a gente tem um ponto em que tudo se torna insuportável.

O crescendo da tensão entre personagens e o coro das anciãs sempre dispostas à critica faz com que no público essa tensão se sinta também e acaba por não ser por acaso, a quantidade de palmas e gritos de apoio que se ouviram na sala aquando dos primeiros sinais de reviravolta da história que compensam o público num “pay-off” que é visceralmente satisfatório.


Um Camaleão à solta no Fantasporto

O "Camaleão" numa cena de falso reencontro familiar (Foto: Fantasporto)

The Chameleon

Um ente querido que está de volta, mas algo não está certo. Uma agente do FBI, marcada pelo passado, para quem a história do jovem não se encaixa. Mas se ele é quem diz, porque mantém a família a história? E se ele não for, então quem é ele. Como peças de um puzzle o passado revela segredos profundos e escuros. Frederick Bourdin, um jovem, passou a maior parte da sua vida, iludindo as autoridades de vários países personificando e assumindo a identidade de adolescentes que foram sequestrados ou estão como desaparecidos durante vários anos. Ele é conhecido como o “Camaleão”.

Um filme baseado numa história real que foge um pouco aos cânones do filme que esperamos ver no Fantasporto.


Serbian Film – até onde vai a liberdade

Imagens fortes, perversões e voyerismo (Foto: Fantasporto)

Este filme contém mesmo cenas (eventualmente) chocantes.

O Fantasporto comete a ousadia de o pôr em cena. O filme tem vindo a gerar controvérsia, o British Board of Film Classification forçou a organização do British Horror Film Festival, a retira-lo da programação. Depois de impedidos de o passar em cena, a organização do San Sebastián Horror and Fantasy distinguiu “A Serbian Film” com um Prémio Especial do Público, “por tornar-se, sem sequer ser projectado, num símbolo de liberdade de expressão”.

Sobre a história pouco a dizer. Aliás o ritmo que o filme imprime no inicio quase nos faz pensar se não entramos na sala errada. Um actor porno reformado, agora vive dedicado à sua familia. As primeiras cenas em torno da memória de uma carreira adormecida levam-nos para o imaginário dos filmes “série z” da indústria porno, quer pela forma como a história está construída, quer pelas personagens. O enredo começa a crescer quando lhe surge a oferta, bem paga, de um misterioso realizador. O que se segue, a nível de argumento, já o vimos em “The Saw” ou “Hostel”. Aqui explora-se o lado mais negro da sexualidade, mas vai mais longe. O realizador Srdjan Spasojevic é também a personagem principal do filme

A violência visual é forte mas o jogo psicológico é o mais forte. Todos os valores são postos em causa. Tudo aquilo que nos faz tremer ou chocar está lá. A forma quase crua como isso nos é apresentado não é inocente e tem que nos fazer pensar. O filme não é de todo para pessoas mais impressionáveis. Para quem aguentar vale a pena vê-lo e talvez revê-lo, conseguir ganhar distanciamento do que os nossos olhos vêem e ver algo mais profundo no filme. A liberdade de expressão serve para o pôr nas salas e para publicidade da distribuição.

Até que ponto gostamos de ver vítimas, até que ponto estamos dispostos a ir nas imagens que “consumimos” todos os dias. Por acaso, o filme passa no mesmo dia em que o jornal Correio da Manhã colocou online um vídeo de um homicídio a sangue frio que em poucas horas ultrapassou as cem mil visitas.

Se servir de consolo, “Serbian Film” é mesmo só um filme, o que vemos todos os dias nos jornais e televisões é real!


Reykjavik: Whale Watching Massacre – o massacre que veio do norte

Cena em que o "caçador" se torna presa de uma das suas vítimas (Foto: Fantasporto)

O filme é apresentado como uma mistura do terror de “Massacre no Texas”, (Gunnar Hansen protagonista  neste filme é o gatilho da acção neste), com o humor negro de “A Noite dos Mortos Vivos”, servido por um suspense glacial nórdico.

Esta apresentação traz à luz um país pouco conhecido pelo cinema, aliás  pouco conhecido de todo. Excepção feita à cantora Bjork que também passa pelo filme.

A história do filme começa com um grupo de turistas de várias nacionalidades à espera de um barco para os levar numa excursão para observar baleias. Entre as várias exentricidades das personagens uma delas acaba por provocar uma tragédia que mata o capitão do navio. Em seguida o ajudante do capitão que é também o resto da tripulação do navio destrói os controlos da casa das máquinas e abandona o barco, deixando os passageiros sem outro transporte. Logo depois, uma pequena embarcação de pesca vem em ajuda dos passageiros do naviotransportando-os até ao baleeiro de onde veio. Mal entram no baleeiro rebenta a acção e basicamente é cada um por si, com excepção de um personagem que funciona como “herói” durante o resto da acção.


Hoje à noite no Fantasporto no Grande Auditório

Reykjavik Whale Watching Massacre -- Trailer

A Serbian Film -- Trailer


Uma escalada e uma vingança para abrir o apetite no primeiro dia

A 31ª Edição do Fantasporto, abriu com salas cheias. Segunda-feira à noite, com chuva lá fora, os entusiastas deste festival não deixaram os créditos por mãos alheias e quiseram marcar presença nas primeiras sessões do que é ainda o festival antes da abertura oficial.

(Foto: Fantasporto)

127 Horas

Depois da história cheia de magia de “Quem Quer Ser Bilionário” – Oscar de Melhor Filme em 2009 – o britânico Danny Boyle apresenta o seu mais chocante filme – “127 Horas”.

Retrato tumultuoso do alpinista Aron Ralston que ficou preso debaixo de uma pedra, num canyon isolado a sudeste do Utah nos Estados Unidos. São estas 127 horas que Danny Boyle “transporta” para o cinema. Durante aquele tempo, Ralston luta contra os seus próprios demónios enquanto se debate desesperadamente para se libertar daquele pesadelo.

O actor James Franco encabeça o elenco numa das suas melhores prestações no cinema, aliás, nomeada para Globo de Ouro de Melhor Actor num filme dramático. “127 Horas” tem mais duas nomeações – Melhor Argumento (Danny Boyle e Simon Beaufoy) e Melhor Banda Sonora (A.R. Rahman).

O actor Choi Min-Sik (Old Boy), de novo numa história sobre vingança. (Foto: Fantasporto)

I Saw the Devil

Grande expectativa para um novo filme de Kim Ji-Woon, vencedor do Fantasporto em 2004 com o filme “A História de Duas Irmãs”. No fim a sensação era de dever cumprido. Num estilo um pouco diferente do que nos tem habituado o realizador pega no tema da vingança, bem ao jeito de Chan-Wook Park. Aliás para quem viu “Old Boy” reconhece o actor que neste filme encarna uma das personagens principais.

O filme que começou a ganhar público no Toronto Film Festival e  no Fantastic Fest pela sua audácia e violência visual arrasadora, traz-nos um psicopata sem remorsos que procura em estradas desertas mulheres para satisfazer o seu sádico prazer em sofrimento e os “apetites” de um outro seu companheiro. Tudo começa a mudar quando este psicopata mata a noiva de um agente dos serviços secretos. O caçador torna-se  a presa e o agente a sua vingança jurada.

O caos sádico aumenta com o par a aceitar jogar um jogo de gato e rato, que rapidamente foge do controle dos dois.
Kim Jee-Woon mostra-nos os dois gumes da vingança e como esta deixa uma marca indelével. A violência e brutalidade implacável do filme é apenas metade da laranja do retrato do lado negro da natureza humana.


Cumprido mais um Fantasporto na cidade do cinema

Foto: Pedro Ferreira

O Fantasporto – Festival de Cinema Internacional do Porto regressou ao Rivoli, não se sabe ainda se pela última vez. Regressamos também nós para fazer a cobertura deste evento numa parceria especial entre o JUP – Jornal Universitário do Porto e o Rascunho. Um blogue que voltou a ser uma interessante experiência de jornalismo e um espaço de informação, para quem nos visitou, tendo ou não participado no Fantasporto.

Mais um ano que passa sobre o Fantasporto, este um ano especial, número redondo no 30ª edição deste festival de provas dadas e com reconhecimento a nível mundial mas que em Portugal continua a ser marginalizado pelo poder político. Mais um ano de Fantasporto e mais um ano de corda no pescoço, mais uma vez a ameaça  de não conseguir garantir o próximo ano paira sobre o festival. Aguardamos pelo desenrolar de 2010 e esperamos que 2011 traga boas noticias, não só pela manutenção do Fantasporto com um programa de qualidade mas também a sua realização no espaço do Rivoli. Para trás ficam as sessões temáticas e o alargamento do Fantasporto a outras salas de cinema, este ano desapareceu também a tenda na Praça D. João I. Assegurada pela Direcção do festival está a certeza de que este não sai da cidade. Nas palavras de Beatriz Pacheco Pereira, o Fantasporto é da cidade, do Porto, cidade do cinema.

Na programação especial destaque para o tema escolhido para este ano. Efeitos especiais e robótica foram a desculpa para saltar um pouco do cinema e mostrar o fantástico da ciência. Com a passagem de vários filmes alusivos à temática no pré-Fantas, os workshops de efeitos especiais para criadores, cinéfilos e curiosos que estiveram sempre cheios e a presença no festival de nomes maiores quer na criação artística na indústria do cinema, quer pela presença dos melhores centros de investigação na área da robótica na Península Ibérica.

Um grande obrigado a todos e todas que colaboraram para o sucesso desta parceria e deste projecto e para os que nos visitaram e continuam a visitar durante o ano e a deixar comentários. Um até já porque para o ano há mais (esperemos)!


Fotograma #6


Hoje no Fantas, os vencedores da 30ª edição

Dia 7 – Domingo

GRANDE AUDITÓRIO
(filmes com legendas em português)

15hs – FISH TANK de Andrea Arnold GB – 123’
Grande Prémio da Secção Oficial Semana dos Realizadores e Melhor Argumento

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17.15h – WARD nº6 de Karen Shakhnazarov – Russ/Jap/Can – 83’
Prémio Especial do Júri da Secção Oficial Semana dos Realizadores
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19.00h – LA HORDE de Yannick Dahan e Benjamin Rocher – Fra – 97’
Prémio de Melhor Argumento e de Efeitos Especiais da Secção Oficial de Cinema Fantástico
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21.00hs – HEARTLESS de Philip Ridley – 114’ – GB
Grande Prémio da Secção Oficial de Cinema Fantástico
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Antecedido por LA CARTE de Stefan Lelay – 8’ Fra
Vencedor do Prémio de Curta Metragem

23.15hs – THIRST de Park Chang-Wook – Coreia Sul – 133’
Grande Prémio da Secção Oficial Orient Express

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PEQUENO AUDITÓRIO
(filmes legendados ou falados em inglês)

15.00h – T.MA. de Juraj Herz – Rep Chec – 96’ v.o. leg. ingl.
Prémio da Critica da 30ª edição do Fantasporto

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17.00h – A FROZEN FLOWER de You Ha Coreia – 133’ – v.o. leg ingl.
Prémio Especial do Júri da Secção Oficial Orient Express

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19.15h – 1 (ONE) de Pater Sparrow – Hung – 120’ – v.o. leg ingl.
Melhor Realizador e Melhor Actor da Secção Oficial Semana dos Realizadores

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21.30h – DELIVER US FROM EVIL de Ole Bornedal – 100’ – Din v.o. leg. ingl.

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23.30h – SALVAGE de Lawrence Gough – 80’- v.o. ingl.
Prémio de Melhor Actriz da Secção Oficial de Cinema Fantástico

Trailer


Fotograma #5


Fotograma #4


Fotograma #2


Fotograma #1