Especial Rascunho e JUP

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Heartless, beleza e terror

Jamie, personagem principal do filme que vive atormentado pela sua imagem marcada por uma mancha na pele. (Foto: Fantasporto)

Após quinze anos de ausência, Philip Ridley cineasta britânico, já premiado em 1996 no Fantasporto, que conta já com os  altamente recomendados The Reflecting Skin e Darkly Noon, está de regresso.

O mito de Fausto revisitado traz-nos um personagem principal que faz um pacto com o demónio para se ver livre de uma marca de nascença na cara, em forma de coração, e numa parte do seu corpo que fez sempre dele uma pessoa rejeitada e com problemas de sociabilização.  A fotografia e a tentativa de captação do belo presente em todo o argumento leva-nos para importância da imagem e do conceito de beleza. A partir de uma frase do poeta Rilke: “a beleza é o princípio do terror.” que serve para despoletar o pacto com o demónio e como inicio de um amor quase obsessivo que parece ser a salvação e expiação da personagem pela pessoa que é, e não pela sua aparência. O ambiente é de subúrbio inglês, um caldeirão de violência gratuita e criminalidade crescente. Uma nova geração de terror, crimes sem justificação aparente filmados e publicitados, mediatizados pela imagem e pelas características únicas destes actos.

Heartless é um filme de tensões, de segundos em que os susto tomou conta da sala do Rivoli, de pessoas que saltam nas cadeiras quando um vulto se aproxima repentinamente ou um grito ecoa. Sem dúvida um filme Fantasporto, aparentemente bem colocado na corrida para o Grande Prémio do Festival.