Crítica: «Walled In», de Gilles Paquet-Brenner
Walled In, baseado no romance Os Emparedados do francês Serge Brussolo, é levado a cena com o realizador Gilles Paquet-Brenner. Um thriller psicológico que conta com a participação de Misha Barton, conhecida em Portugal pela sua participação na série de televisão O.C., que desempenha o papel de uma recém formada engenheira enviada para a sua primeira demolição, sob alçada de uma empresa da sua família. Mas o edifício que lhe calha como primeiro trabalho não é um qualquer. Um prédio enigmático com uma arquitectura fascinante envolto numa história de assassinatos em série, em que as vitimas foram emparedadas dentro do próprio edifício. O arquitecto, supostamente também encontrado entre as vitimas, tratar-se-ia de um génio, visto que nenhum dos seus edifícios teria alguma vez caído resistindo inclusive a terramotos.
O enredo em torno dos segredos de um prédio joga com a sugestão de um mundo aparte. Construído sobre um pântano numa zona remota onde o hotel mais próximo fica a 75 km, somos levados à comparação com o mundo egípcio, quer pela ideia do arquitecto, sempre presente na história que é quase figurado como uma espécie de deus que controla a vida das pessoas que lá vivem mesmo sem uma existência física, quer pelos corredores, quartos e pela entrada do próprio prédio que nos leva através da fotografia e da iluminação para um espaço semelhante ao de uma pirâmide.
Num Fantasporto que inaugurou com um ciclo dedicado à arquitectura de futuro, este filme teria tido lá também o seu espaço, não só pelos conceitos de energia e do seu aproveitamento nas construções, mas também pelo papel do rito e do ritual a que o papel do arquitecto está tantas vezes associado.
22 de Fevereiro de 2009 | Categories: Crítica | Tags: Gilles Paquet-Brenner, Misha Barton, Serge Brussolo | 1 Comment »



