Hora dos prémios
Idiots and Angels, do velho conhecido do Fantas Bill Plympton, acabou por ser o vencedor da 29ª edição do festival, arrecadando o prémio da secção Cinema Fantástico. Esta secção destacou ainda Hansel & Gretel com o prémio especial do júri (que acabou por vencer na categoria Orient Express) e James Watkins com o prémio de melhor realização Éden Lake. Na secção Semana dos Realizadores, Moccow, Belgium foi o galardoado, ficando o prémio especial do júri para Wim Wenders com o seu Palermo Shooting, e melhor realizador para Bent Hamer por O’Horten. O Prémio da Crítica foi para Delta, de Kornel Mundruczó e o da Audiência foi para The Wrestler, de Darren Aronofsky.
É ligeiramente bizarro que o prémio do 29.º Fantasporto tenha sido atribuído a um filme de animação sem diálogos enquanto Palermo Shooting, que virá a ser um dos pontos de destaque da filmografia de um dos maiores cineastas europeus, tenha apenas levado apenas uma medalha de participação. Por esta altura também já se perdeu a necessidade de manter o apartheid a filmes vindos da Ásia, já não é uma novidade que há filmes muito bons a originar ali. Mas o facto de haver uma categoria como Orient Express poderá explicar como Hansel & Gretel ou The Chaser (este último com uma menção especial na categoria) não tenham obtido um maior destaque nos prémios principais.
Crítica: «O’Horten», de Bent Hamer
O’Horten, filme do canadiano Bent Hamer, conta a história de um maquinista, Odd Horten — reservado e sem grande vontade de ser o centro das atenções, que está numa nova fase da sua vida, a reforma. Uma reforma muito atribulada, com mais energia, ou mesmo com mais peripécias que a própria vida laboral. A reforma vista como uma libertação que nos deixa, depois de uma fase rotineira da nossa vida, sem chão e por isso procuramos uma ignição para uma nova vida.
A procura de adrenalina na aventura do carro, conduzido por o desconhecido de Odd, com um capuz, ao longo de uns metros, que termina na morte do condutor, como se fosse a última coisa a fazer na vida. Uma vida com responsabilidades, neste filme mostrado com a personagem cão, que depois de tudo foi como de um novo elemento a cuidar a tratar, como se de um filho se tratasse.
Tecnicamente o filme está muito bem feito, antes de mais com muito espaço para a reflexão, espaços que neste filme fazem sentido, devido à componente sócio — reflexiva. A fotografia está muito bem tratada, os brancos e pretos, provocados pela neve e pelos túneis, respectivamente, mostram-nos uma vida monótona, sem grandes surpresas, monotónica emocionalmente. A realização é digna de uma chamada de atenção, pela limpeza, a narrativa é-nos apresentada sem falhas, o que nos convida a entrar na história. Uma cena inicial onde Odd coloca um pano em cima da gaiola do pássaro remete-nos para o O Meu Tio, de Jacques Tati, que quando abria a porta, com o reflexo, fazia a luz chagar a um pássaro que cantava.



