Crítica: «Dark City», de Alex Proyas
No segundo dia do Fantasporto, foi bastante considerável o número de pessoas no Grande Auditório do Rivoli para assistir ao Dark City (1998), de Alex Proyas. Lançado em Portugal e no Brasil com o título de Cidade das Sombras, o filme é uma miscelânea entre lugares comuns dos filmes de ficção científica e diálogos profundamente metafísicos.
John Murdock (Rufus Sewell) acorda atónito num quarto de hotel com vagas lembranças de uma série de assassinatos que ele jamais imaginaria ter cometido. Vê-se perseguido pela polícia, mas logo descobre que está a ser, verdadeiramente, procurado pelos «The Strangers». Estes são seres tétricos que fazem experiências trocando as lembranças dos seres humanos, a fim de saber o que é que constitui a alma humana.
Dark City tem um claro embasamento filosófico, onde os seres e poderes fantásticos compõem uma trama que questiona a formação da identidade humana, tanto nos aspectos mais individuais (como as reminiscências, que são únicas a cada pessoa) como na construção de uma memória colectiva. «É como se eu tivesse sonhado e quando acordei, já estava numa outra vida», afirma Murdock.
A concepção plástica sobrevém muito do senso comum, com figurinos previsíveis, cores que oscilam entre o claro e o escuro e efeitos virtuais repetitivos, além de um melodrama bem convencional para aliviar as tensões no decorrer da história. No entanto, o roteiro segue tão metodicamente os três actos de uma narrativa cinematográfica (o chamado «à aventura», a provação suprema e o retorno com o elixir) que o filme garante-nos uma boa dose de cada aspecto que compõe uma trama.



