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PRÉMIOS FANTASPORTO 2010 – OS VENCEDORES DA EDIÇÃO 30 DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO PORTO

Cartaz comercial do filme Heartless

Heartless de Philip Ridley é o grande vencedor do Fantasporto 2010. Cineasta já premiado no Fantas com Passion of Darkly Noon, regressa quinze anos depois para ganhar três dos principais prémios deste festival.

JURI INTERNACIONAL CINEMA FANTÁSTICO
GRANDE PRÉMIO MELHOR FILME -FANTASPORTO 2010

Heartless- Phillip Ridley (GB)

PRÉMIO ESPECIAL DO JURI/ PRÉMIO SUPER BOCK

Deliver us from evil- Ole Bornedal (Din/Sué/Noruega)

MELHOR REALIZAÇÃO

Philip Ridley- Heartless (GB)

MELHOR ACTOR

Jim Sturgess- Heartless (GB)

MELHOR ACTRIZ

Neve McIntosh – Salvage (GB)

MELHOR ARGUMENTO

Arnaud Bordas, Yannick  Dahan, Stéphanie Moissakis, Benjamin Rocher – La Horde (Fra)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS  OU FOTOGRAFIA

Yannick  Dahan,, Benjamin Rocher-  La Horde (Fra)

MELHOR CURTA-METRAGEM FANTASPORTO 2010

La Carte- Stefan le Lay (Fra)

MENÇÃO DO JURI INTERNACIONAL

Valhalla Rising- Nicholas  Winding Refn (Din/GB)

Embargo- António Ferreira- (Port)

20ª SEMANA DOS REALIZADORES /DIRECTORS WEEK
Prémio Manoel de Oliveira /Manoel de Oliveira Award

MELHOR FILME DA SEMANA DOS  REALIZADORES/ PRÉMIO MANOEL DE OLIVEIRA

FISH TANK- Andrea Arnold- (GB)

PRÉMIO ESPECIAL DO JURI

Ward nº 6- Karen Shakhnazarov (Rus)

MELHOR REALIZADOR

Pater Sparrow – “1” (Hun)

MELHOR ARGUMENTO

Andrea Arnold por FISH TANK (GB)

MELHOR ACTOR

Zóltan Mucsi por “1”

MELHOR ACTRIZ

Elena Anaya. HIERRO (Esp)

PRÉMIO ORIENT EXPRESS 2010

THIRST- Chan-wook Park- Coreia do Sul

O Prémio Especial da secção Orient Express foi para:

A FROZEN FLOWER- Yoo Ha- Coreia do Sul

PRÉMIOS NÃO OFICIAIS

PRÉMIO DA CRÍTICA
O Juri da Crítica do Fantasporto´2010 decidiu atribuir o prémio a:

T.M.A. – Juraj Herz (Rep Chec)

PRÉMIO DO PÚBLICO
Solomon Kane- Michael J. Basset (EUA)

PRÉMIO CINEMATOGRAFIA

Cinema Francês

PRÉMIOS DE CARREIRA:

Samuel Hadida (Producer- France)

Colin Arthur (Make-up, Special Effects specialist- EUA)

Luís Galvão Teles (Director- Portugal)

INSPIRATION AWARD- INTERNATIONAL FILM GUIDE

First Squad- Yoshiaru Ashino (Rus/japão/Canadá)

Posted in Cinema Fantástico, Orient Express, Prémios, Semana dos Realizadores.


The time that remains, viver na Palestina ocupada

De Elia Suleiman, este filme de 2009 narra o quotidiano dos palestinianos que vivem como uma minoria na sua terra. Expulsos e mal tratados pelos israelitas desde que estes ocuparam aquela terra, aquela parte do mundo enfrenta um conflito que se prolonga à dezenas de anos seguidos. Este filme é uma divertida sátira que ridiculariza toda esta questão da ocupação israelita. A história é a do próprio realizador e da sua família desde que o seu pai é jovem até que Elia é já um homem. No fundo as coisas mantêm-se sempre o mesmo com a única diferença de que as pessoas se vão preocupando cada vez menos com a presença dos soldados na sua terra. Uma situação que se torna inexplicável e incompreensível e que só pode ser transmitida através do ridículo. O filme acaba por ser uma comédia autêntica acerca de um assunto que é dos mais tristes do mundo, mas as pessoas não se estão a rir neste filme, todas estas situações acontecem realmente naquela terra atingindo um ponto de saturação que acaba por deixar as pessoas indiferentes a elas. As cenas quotidianas repetem-se várias vezes e são quase sempre idênticas, a única coisa que muda são as personagens que nelas intervêm ao longo dos anos. Um filme bem conseguido que nos mostra de forma diferente, e pelo lado da comédia, uma situação de terror que se torna cada vez mais insustentável.

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Hoje à noite no Fantas

Grande Auditório

Às 21.00h THE TIME THAT REMAINS de Elia Suleiman (Fra 109 min SR). Selecção Oficial do Festival de Cannes. Narra o quotidiano dos palestinianos que vivem como uma minoria na sua terra. De Elia Suleiman, o israelita que ganhou o Prémio do Júri de Cannes em 2002 com “Divine Intervention”.

Às 23.00h THE BOOK OF ELI de Albert Hughes e Allen Hughes (EUA – 118 min AE). Denzell Wahsington (“Training Day”), Gary Oldman (“Harry Potter and Prisioner of Azkabahn”) e Mila Kunis são os protagonistas deste thriller futurista imperdível para os fãs da ficção científica. Um conto pós-apocalíptico, onde um homem solitário luta para proteger um livro sagrado que guarda os segredos que vão salvar a humanidade.

Às 01.15h EVIL ANGEL de Richard Dutcher (EUA -- 123 min AE CENAS EVENTUALMENTE CHOCANTES). Ving Rhames (“Mission Impossible”, “Pulp Fiction”) é o detective privado John Carruthers, chamado a investigar mortes estranhas e grotescas. A direcção de fotografia é de Bill Butler (“Voando sobre um Ninho de Cucos”) e a banda sonora é de John Frizzell (“Alien: Resurrection”, “Ghost Ship”).

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Heartless, beleza e terror

Jamie, personagem principal do filme que vive atormentado pela sua imagem marcada por uma mancha na pele. (Foto: Fantasporto)

Após quinze anos de ausência, Philip Ridley cineasta britânico, já premiado em 1996 no Fantasporto, que conta já com os  altamente recomendados The Reflecting Skin e Darkly Noon, está de regresso.

O mito de Fausto revisitado traz-nos um personagem principal que faz um pacto com o demónio para se ver livre de uma marca de nascença na cara, em forma de coração, e numa parte do seu corpo que fez sempre dele uma pessoa rejeitada e com problemas de sociabilização.  A fotografia e a tentativa de captação do belo presente em todo o argumento leva-nos para importância da imagem e do conceito de beleza. A partir de uma frase do poeta Rilke: “a beleza é o princípio do terror.” que serve para despoletar o pacto com o demónio e como inicio de um amor quase obsessivo que parece ser a salvação e expiação da personagem pela pessoa que é, e não pela sua aparência. O ambiente é de subúrbio inglês, um caldeirão de violência gratuita e criminalidade crescente. Uma nova geração de terror, crimes sem justificação aparente filmados e publicitados, mediatizados pela imagem e pelas características únicas destes actos.

Heartless é um filme de tensões, de segundos em que os susto tomou conta da sala do Rivoli, de pessoas que saltam nas cadeiras quando um vulto se aproxima repentinamente ou um grito ecoa. Sem dúvida um filme Fantasporto, aparentemente bem colocado na corrida para o Grande Prémio do Festival.

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Ward No.6

Este é um filme do realizador russo Karen Shakhnazarov. Baseado num conto de Tchekov, o filme retrata o percurso de uma parte da vida de um director de um hospício que ruma progressivamente à loucura. O desespero proveniente do vazio que é deixado pela irrelevância de se fazer seja o que for e a limitada e passageira condição humana leva a personagem principal do filme a um beco sem saída que só pode acabar com o seu internamento.

Filmado quase na sua totalidade no hospício que retrata, o filme consegue extrair e oferecer-nos imagens fortíssimas provenientes da própria condição das pessoas que lá vivem, e dos seus rostos e olhares ora ausentes ora mergulhados numa melancólica tristeza.

A fusão entre géneros, documental e ficcional, está muito bem conseguida e a câmara aparente ter-se deixado ficar por aquele espaço durante algum tempo, os diálogos são deliciosos e inteligentes, a relação estabelecida entre os dois actores principais é de um respeito mútuo incrível, a intenção do filme parece-me despretensiosa deixando-se este arrastar simplesmente a uma velocidade natural. O filme deixa-nos ainda um final livre à interpretação pessoal, mas no meu parecer o seu carácter é fundamentalmente triste. Na minha opinião, um filme muito bom dos melhores que tive a oportunidade de ver neste Fantasporto.

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