Especial Rascunho e JUP

À volta do Fantas

“Se o Fantasporto fosse todos os dias…”

Aspecto do exterior do Rivoli durante o Festival (Foto: Pedro Ferreira)

Domingos Alves trabalha há 22 anos no Café Garça Real, a 50 metros do Teatro Rivoli, e admite que o Fantasporto tem um impacto positivo no negócio. Todos os anos, o festival atrai portugueses de Norte a Sul do país e estrangeiros amantes da arte do cinema, “maioritariamente gente nova”. Cafés, lojas e restaurantes vêem aumentar o número de clientes durante a quinzena do evento cinematográfico. “É indiscutível, estamos sempre à espera que estes dias cheguem”, explica Domingos Alves.

A Baixa da Cidade tem vindo, progressivamente, a perder centralidade no que diz respeito à localização de habitações e escritórios, que se transferem para zonas periféricas. Assim, “são os espectáculos que chamam as pessoas”, não só o Fantasporto como todos os outros eventos realizados no Teatro Rivoli. As encenações de Filipe La Féria, que duram “meses e meses”, têm um efeito particularmente positivo, ao atraírem espectadores por um período mais prolongado.

Ao contrário de Domingos Alves, que não é “adepto dessas coisas”, Manuel Augusto Marinho é um admirador fervoroso do cinema do Fantasporto. O Sr. Manuel trabalha há 60 anos no Restaurante Regaleira, na rua do Bonjardim, e não esconde gostar “daqueles filmes de Terror”. O restaurante que viu nascer a Francesinha recebe, sobretudo “quando o filme puxa”, um maior número de fãs do festival, principalmente à hora do jantar. Para além destes clientes esporádicos, a Regaleira reencontra, todos os anos, um grupo de jornalistas ingleses, representantes de uma revista de cinema. Manuel Marinho serve ainda realizadores, cinematógrafos e convidados do evento espanhóis, franceses e italianos, todos eles “uma mais-valia para o negócio.”

Culturalmente enriquecida pela sétima arte e todas as suas representações nacionais e internacionais, a Cidade das Pontes vê favorecido o seu sector económico. O espectáculo chama as pessoas, e as pessoas usufruem dos serviços em seu redor. Assim, Domingos Alves lamenta que o Fantasporto dure apenas 15 dias, porque “vão-se os artistas, vai-se a gente, não é?”

Mariana Sousa
Raquel Teixeira


Fantástico para os Hostels?

Nas duas últimas semanas, a Invicta albergou admiradores, estudantes de cinema e cinematógrafos nacionais e internacionais. Fomos à procura de lugares procurados pelos que vêm de fora. Dos quase 15 hostels do Porto, que têm cada vez mais reconhecimento internacional, destacamos dois pela proximidade do Teatro Rivoli, onde acontece o Fantas: o Rivoli Cinema Hostel e a Pensão do Norte.

Para Joana Gaio, responsável pelo Rivoli Cinema Hostel, o impacto do evento não se reflecte de uma forma notória na facturação do negócio. Joana Silva, a recepcionista, acrescenta que “se não são as pessoas do Fantasporto, são outras!”. Durante a quinzena do evento, Joana recebe artistas e convidados internacionais, bem como um maior número de portugueses do sul. Também para Carla Barradas, trabalhadora na Pensão do Norte, o número de clientes neste período não aumenta de forma significativa. “O Fantasporto é uma mais-valia, mas nunca tanto como, por exemplo, a época alta”, reforça Carla.

Pensão do Norte

Pensão do Norte

Para além de não se verificarem grandes variações no número de hóspedes, aqueles que vêm propositadamente para participar no evento são de “permanência pontual”. São poucos os visitantes que assistem a todas as actividades do festival, sendo que a maior parte restringe a estadia a dias específicos, maioritariamente aos fins-de-semana. Relativamente ao mesmo período no ano passado, Joana Silva nota uma diminuição na ocupação do hostel por parte de estrangeiros.

 

Rivoli Cinema Hostel

Rivoli Cinema Hostel

 

Joana Gaio é admiradora e antiga estudante de cinema, privilegiando esta temática na decoração do Rivoli Cinema Hostel. Os funcionários são frequentadores assíduos do Fantasporto e a responsável pelo hostel sublinha a importância de uma maior publicidade ao festival. Este gosto pela Sétima Arte reflecte-se no ambiente criado, que vai ao encontro das preferências dos amantes de cinema, nomeadamente aqueles que se interessam e se associam, de algum modo, ao evento cinematográfico.

Mariana Sousa
Raquel Teixeira