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	<title>FANTASPORTO &#187; Première &amp; Panorama</title>
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	<description>Especial Rascunho e JUP</description>
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		<title>Paciência de santo</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2011 17:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Première & Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[Camino]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasporto 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Javier Fesser]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1291" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2011/03/03.jpg"><img class="size-medium wp-image-1291" title="03" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2011/03/03-300x94.jpg" alt="" width="300" height="94" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Fantasporto)</p></div>
<p>Qual é a diferença entre vintage e kitsch? E qual a diferença entre kitsch e piroso? Isto porque &#8220;Camino&#8221;, o filme de Javier Fesser que ontem encerrou a competição oficial do Fantasporto, fica a meio caminho entre as boas intenções e o mau gosto mais insuportável e irritante.</p>
<p>Porque na verdade, não se percebe se a intenção de Fesser é elevar a força da fé católica ou se, pelo contrário, é gozar indecentemente com os dogmas da igreja e com a hipocrisia de alguns dos seus agentes. Confusão essa, gerada por uma realização desequilibrada, com uma especial apetência pelo piroso e que exagera na transmissão de uma mensagem, Seja ela qual for.</p>
<p>Baseado em factos verídicos, &#8220;Camino&#8221; é a história de uma menina de 11 anos que, por ter um cancro no cérebro, conquista a hipótese de ser beatificada. Passo a explicar: filha de uma senhora extremamente devota, Camino, de seu nome, está condenada a vir a ser freira, tal e qual como a sua irmã mais velha. Rodeada de religião por todos os lados, a jovem vê o seu calvário ser confundido com uma sequência de milagres e que atingem o seu ponto mais alto quando, já no leito da morte, o seu delírio moribundo é confundido com uma presença às portas do céu e um primeiro contacto imediato com Jesus.</p>
<p>Jesus, é na verdade o nome do rapaz por quem Camino se havia apaixonado, e é a ele que as últimas palavras e pensamentos da menina são dedicados. Estes equívocos chegam a ser tão ridículos que pensamos estar na presença de uma comédia de mau gosto. É precisamente por aqui que começamos a duvidar das verdadeiras intenções do realizador: é &#8220;Camino&#8221; uma crítica feroz ao comportamento da igreja ou um retrato apaixonado dos milagres de fé?</p>
<p>Convém referir que o filme de Javier Fesser coleccionou prémios em festivais um pouco por toda a Espanha e que o processo de beatificação da pequena Camino está ainda em curso. Se é que alguma destas informações é realmente importante&#8230;</p>
<p>No entanto, nem tudo são dúvidas, em &#8220;Camino&#8221;. Na verdade, saí do filme convencido de duas coisas que parecem não ter discussão: em Espanha, é muito fácil conquistar prémios de cinema, assim como é tremendamente simples ser-se beatificado.</p>
<p>Nuno Matos</p>
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		<title>Sala cheia para ver uma mão cheia de inadaptados sociais</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2011 04:17:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedrojferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Première & Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasporto 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Pierre Jeunet]]></category>
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		<category><![CDATA[Micmacs]]></category>
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		<description><![CDATA[Micmacs, de Jean-Pierre Jeunet é um filme a jogar em casa. Assim foi, sala completamente cheia, com bilhetes esgotados durante a tarde. Mesmo assim minutos antes do inicio bastantes pessoas ainda tentavam a sua sorte na bilheira e entrada do Rivoli. A história tem como pano de fundo os bairros da periferia de Paris, da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1264" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2011/03/micmacs-a-tire-larigot.jpg"><img class="size-medium wp-image-1264" title="micmacs-a-tire-larigot" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2011/03/micmacs-a-tire-larigot-300x114.jpg" alt="" width="300" height="114" /></a><p class="wp-caption-text">Bazil é a personagem que desencadeia toda a acção (Foto: Fantasporto)</p></div>
<p>Micmacs, de Jean-Pierre Jeunet é um filme a jogar em casa. Assim foi, sala completamente cheia, com bilhetes esgotados durante a tarde. Mesmo assim minutos antes do inicio bastantes pessoas ainda tentavam a sua sorte na bilheira e entrada do Rivoli.</p>
<p>A história tem como pano de fundo os bairros da periferia de Paris, da mesma forma como fez  em &#8220;A Fabulosa História de Amélie Poulain&#8221; e mesmo com essa previsibilidade, &#8220;Micmacs&#8221; consegue prender a atenção dos espectadores, divertir e trazer à tona um assunto para deixar a pensar. A começar pelo nome dos personagens: Remington, um homem que escreve histórias na máquina de escrever; Fracasse, um homem que só fracassou na vida; e Calculette, uma rapariga que consegue calcular tudo, desde as medidas do seu corpo, até à distância relativa entre dois carros em movimento. Vivem todos em familia, unidos pelas desgraças, motivados a viver um dia depois do outro, numa casa construída em cima de um lixeira, feita apenas com materiais reciclados.</p>
<p>A expectativa era obviamente alta e Com actores acostumados a trabalhar com o realizador, como Dominique Pinon &#8211; actor fetish do cineasta que participou em &#8220;Delicatessen&#8221; e &#8220;Amélie&#8221;, Dany Boon e André Dussollier, entre outros, &#8220;Micmacs à tire-larigot&#8221; leva Jeunet a um mundo mais surreal, mais perto de &#8220;Delicatessen&#8221;, mas esticando mais os limites da farsa. O resultado é um filme bastante cómico, que por vezes porém excede-se na surrealidade e repega em pequenos detalhes já esbatidos, na forma, em outros trabalhos anteriores.</p>
<p>No meio de tanto absurdo é de realçar a sátira à indústria bélica e pela forma como no meio do humor se pode passar uma mensagem bastante critica à forma como a linguagem da guerra se torna tantas vezes a linguagem do nosso dia-a-dia.</p>
<p>Como aperitivo e para abrir o apetite para um filme que não deve demorar muito a estar nas salas aqui ficam umas perguntas para responder:</p>
<p>&#8220;É melhor viver com uma bala alojada no cérebro, mesmo que isso signifique que possas morrer a qualquer instante? Ou preferias retirar a bala e viver como um vegetal para o resto da vida? As zebras são brancas com listas pretas, ou pretas com listas brancas? Valem mais os estilhaços que as minas? Cabe uma mulher num frigorífico? Qual o recorde mundial de um homem lançado num canhão?&#8221;</p>
<p>Pedro Ferreira</p>
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		<title>Crítica: «Che, The Argentine», de Steven Soderbergh</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 17:39:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manaíra Athayde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Première & Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[Che]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Soderbergh]]></category>

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		<description><![CDATA[O filme de Steven Soderbergh retrata a biografia do revolucionário Ernesto Che Guevara em dois longas-metragens, sendo The Argentine a primeira parte, que abrange a história do guerrilheiro desde o encontro com Fidel Castro no México até a conquista do território cubano, antes dominado pelo regime de Batista. A segunda parte, The Guerrilla, que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O filme de Steven Soderbergh retrata a biografia do revolucionário Ernesto Che Guevara em dois longas-metragens, sendo <em>The Argentine</em> a primeira parte, que abrange a história do guerrilheiro desde o encontro com Fidel Castro no México até a conquista do território cubano, antes dominado pelo regime de Batista. A segunda parte, <em>The Guerrilla</em>, que não faz parte da programação do “Fantas”, perpassa pela renúncia de Che ao seu cargo no governo cubano e à sua cidadania no país até a decepção do revolucionário por não conseguir na Bolívia o apoio que conseguiu em Cuba.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-197" title="che21" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/che21.jpg" alt="che21" width="210" height="150" /></p>
<p>A linearidade do filme já era esperada. O que intrigou foram as fortes doses de humor, quer sejam criadas por situações cómicas, quer sejam pela dubialidade de certos diálogos. O fato é que esse humor garantiu um bom timing à trama, isto é, ajudou a distribuir a tensão no decorrer da história para não tornar as cenas de guerrilha cansativas.</p>
<p>A posição humanista do revolucionário é largamente reforçada, inclusive mostrando o contraste entre a ideologia anti-imperialista e o ícone mundial em que transformaram Che, cuja imagem foi mediatizada e vendida pelo próprio capitalismo.</p>
<p>Vem daí o preto e branco utilizado nos momentos paralelos aos episódios da guerrilha, um bom recurso estético para <img class="alignleft size-full wp-image-195" title="cheatun" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/cheatun.jpg" alt="cheatun" width="210" height="150" />não tornar cansativa a narração. Nesses entremeios, Che aparece em discursos na ONU e na recepção que teve em sua viagem a Nova Iorque em 1964 ou em excertos de entrevistas. Deixa-se claro que o guerrilheiro não lutava por nações e territórios, mas por melhores condições humanas independente de limítrofes espaciais ou culturais. “Qual a principal característica de um revolucionário?”, pergunta uma jornalista. Che responde: “O amor. O amor à humanidade, à justiça e à verdade”.</p>
<p>A longa acaba de maneira tão abrupta e inesperada – numa tentativa de impelir o público a assistir a segunda parte – que se torna confuso o desfecho para aqueles que não sabem que a história sob a óptica de Soderbergh não fica por ali.</p>
<p>Como protagonista, merece destaque a actuação de Benicio Del Toro (também produtor do filme e prémio de Melhor Actor no último Festival de Cannes) pela peculiaridade de não intencionar atingir o máximo de semelhanças ao Che na vida real, mas por incorporar o personagem com as possibilidades e limitações que a ficção cinematográfica sugere.   Aliás, a película dá a ideia de que não existe uma obsessão pelo detalhe histórico – é um filme que, apesar da história fragmentada pelas conquistas paulatinas do grupo de guerrilheiros, reflecte uma visão do todo, e não de partes.</p>
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		<title>«Che, The Argentine» abre Fantasporto</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 16:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ao Vivo]]></category>
		<category><![CDATA[Première & Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[Blade Runner]]></category>
		<category><![CDATA[Che]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Soderbergh]]></category>
		<category><![CDATA[The Deal]]></category>
		<category><![CDATA[The Wolfman]]></category>

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		<description><![CDATA[O discurso de apresentação do 29ª edição do Fantasporto surpreendeu ao não continuar a rotina de queixume e entitlement do costume. Mas o tom de pequenez foi mantido com o mantra da noite. “Este não é um Fantas da crise”, afirmou a directora do festival, Beatriz Pacheco Pereira, em jeito de resposta directa a “títulos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O discurso de apresentação do 29ª edição do Fantasporto surpreendeu ao não continuar a rotina de queixume e <em>entitlement</em> do costume. Mas o tom de pequenez foi mantido com o mantra da noite. “Este não é um Fantas da crise”, afirmou a directora do festival, Beatriz Pacheco Pereira, em jeito de resposta directa a “títulos de jornais nacionais” e como uma espécie de ultimato lançado ao Instituto do Turismo, que aparentemente tem dois meses para decidir se apoia o Fantasporto. Contudo, a lista de agradecimentos a instituições e entidades que apoiam o “Fantas” esteve, ao contrário do que aconteceu o ano passado, desprovida de farpas.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-178" title="che-poster-lowqual-big" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/che-poster-lowqual-big.jpg" alt="che-poster-lowqual-big" width="150" height="200" />Findo o discurso, a anunciada <em>preview</em> de <em>The Wolfman</em> não foi projectada devido ao atraso dos procedimentos, tendo um grande auditório do Rivoli repleto assistido, de seguida, a <em>The Argentine</em>. O filme reveste-se da linearidade típica de Soderbergh, uma aproximação dos factos sem enquadramento nem valor acrescentado. A reconstituição da guerrilha, nos limitados cenários a que se dedica, é competente e por alturas bastante dinâmica (a tomada de Santa Clara, no terceiro acto). Mas com pouco mais do que figurões a debitar efemérides, o peso do filme iria cair sobre os ombros do retrato de Benicio del Toro. Mas este dá-nos uma performance recatada, em postura de humildade perante a figura homenageada. Com apenas metade do filme visto (e aparentemente <em>The Argentine</em> é a metade inferior) será difícil lançar juízo, até porque há claramente desenvolvimentos que apenas são semeados aqui. Contudo, <em>The Argentine</em> mantém-se na tradição dos <em>biopics</em>: sem relevância, apenas uma aglomeração de documentação sobre uma personalidade.</p>
<p>A noite prosseguiu no grande auditório com a exibição de <em>The Deal</em>, uma comédia tragicamente defeituosa e vazia, terminando com a projecção do soberbo<em> Blade Runner</em>, de Ridley Scott, aqui na versão <em>Final Cut</em> (que já o ano passado o festival tentou trazer ao Rivoli).</p>
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