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	<title>FANTASPORTO &#187; Entrevista</title>
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	<description>Especial Rascunho e JUP</description>
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		<title>Entrevista a Ricardo Clara, Assessor do Fantasporto</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 21:58:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manuel Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Clara]]></category>
		<category><![CDATA[Teresa Viana]]></category>

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		<description><![CDATA[Ricardo Clara é assessor de imprensa do maior festival de cinema português – O Fantasporto. No entanto, a sua formação é na área do Direito. Numa conversa informal, 3 meses antes desta 30ª edição, fomos descobrir o que está por detrás da tela.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Ricardo Clara é assessor de imprensa do maior festival de cinema português – O Fantasporto. No entanto, a sua formação é na área do Direito. Numa conversa informal, 3 meses antes desta 30ª edição, fomos descobrir o que está por detrás da tela.<strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>por Teresa Viana</em></strong></p>
<p><strong>TV: Sendo licenciado na área das letras, o que o fascina na área das artes, nomeadamente na vertente cinematográfica?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>Eu comecei a gostar de cinema antes de gostar de Direito, que foi a área em que me licenciei, me pós graduei… eu vejo cinema desde muito, muito novo e cheguei a uma altura da minha vida em que, por conhecimentos, passei de uma fase muito boa que era de espectador de dois festivais de cinema – o Fantasporto e o Festival de Cinema de Animação de Espinho – o Cinanima, para passar a trabalhar no Fantasporto. O facto de ter enveredado por Direito ou pelas letras, foi uma versão pragmática do futuro. Transformei o Direito numa prioridade e coloquei o cinema como um hobbie, em vez de fazer o contrário.</p>
<p><strong>TV: Como começou a integrar a organização deste festival?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>Foi em 1999. Eu vou ao Fantasporto desde 1990/91 como espectador, desde muito novinho, no antigo Teatro Carlos Alberto… E isto são cunhas. Eu conheço gente que integra a organização e por conversas puramente casuais em que nós dizíamos “Era porreiro um dia integrar a organização, estar do outro lado…”, a verdade é que assim foi. Em 1999 fui convidado por um dos directores, o António Reis para integrar o elenco que organiza o festival todos os anos e em 1999 fiz parte da organização. A partir daí comecei a ser assessor de imprensa do festival de 1999 até 2003 e de 2003 em diante também, com a diferença que passei a integrar a organização mesmo a nível físico da cooperativa Cinema Novo, que é a cooperativa que organiza o festival e portanto, fui convidado para sócio da cooperativa e como sócio, faço parte do grupo de 9/10 pessoas que todos os anos organiza o Festival Internacional de Cinema do Porto.<img class="size-full wp-image-796 alignright" title="Ricardo Clara" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2010/03/Ricardo-Clara.jpg" alt="" width="274" height="365" /><strong> </strong></p>
<p><strong>TV:Como apareceu o festival? Porque é que se centrou essencialmente no cinema fantástico?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>O festival apareceu em 1980 mas era um sonho dos dois iniciais directores do festival – Mário Dominsky e o … Pacheco Pereira – que, em 1976, no pós 25 de Abril, criaram uma revista, que era a revista Cinema Novo. Eles decidiram ir vendendo essa revista de cinema, em comboios, pela Europa fora. Com o passar dos anos, acharam que isso já era um bocado aborrecido e já não era so aquilo que eles queriam, porque a revista tinha potencialidades, tinha pessoas a escrever, tinha pessoas que liam e então pensaram porque não erguer um festival de cinema na cidade deles &#8211; ambos são portuenses. Em 1980, ergueram uma mostra, que era a primeira mostra de cinema fantástico do Porto – Fantasporto. Aí sim era só cinema fantástico. Os headlines dos jornais eram “O sangue invade as ruas do Porto”, etc porque, em primeiro lugar, era uma altura muito profícua na criação de cinema fantástico, essencialmente porque estávamos numa época muito conturbada a nível de relações internacionais e sócio-políticas, o que influencia sempre muito a criação de cinema fantástico que é a tradução em monstros e em criaturas muito estranhas como pessoas do Governo, por exemplo. O cinema fantástico foi apenas uma questão de oportunidade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TV: Como é que o Fantasporto começou a ocupar um lugar de destaque no campo dos festivais de cinema?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>O festival foi crescendo por si, como qualquer um. O Fantasporto é um festival muito verdadeiro na maneira de crescer porque o festival cresceu por causa de mais ninguém a não ser do seu público. Ou seja, o festival existia e 10 pessoas sabiam, no ano seguinte 20, no ano seguinte 100 e, portanto, o festival conseguiu fazer com que fosse por si próprio crescendo, em função do seu público e não em função de alguma entidade externa. No entanto, por muita luta que haja da parte do Fantasporto para tentar passar a mensagem, a verdade é que existem outros festivais “levados ao colo” entidades exteriores que ultrapassam o Fantas a nível de espectadores. Aqui, existe um ponto muito importante de ruptura, que é a fase Carlos Alberto e a fase pós Carlos Alberto. Na fase Carlos Alberto o festival era non-stop. Os filmes passavam até as seis da manhã e a malta dormia na sala, comia na sala, fumava na sala, bebia na sala… vivia-se o Fantasporto na sala. E isso é muito próprio do festival. Coisa que depois, no Rivoli não aconteceu.</p>
<p>Com o passar do tempo, o Fantas deixou de ser um festival exclusivamente de cinema fantástico. O fantástico caiu para atrair mais púbico porque havia necessidade de chamar mais público, além daquele que se identificava com a vertente de cinema fantástico, que não deixou de existir.</p>
<p><strong>TV:</strong> <strong>Sendo o Fantasporto um festival altamente reconhecido, como explica que seja sediado na cidade Invicta e não na capital do nosso país?</strong></p>
<p><strong>RC:</strong> Os directores do festival são portuenses. O Fantasporto é mesmo terreno a nível local. O Fantasporto foi criado e foi concebido num café muito emblemático da cidade do Porto que era o Café Luso, que já não existe… este café deu origem ao Fantasporto enquanto local onde eles se reuniram para tomar um café ou para beber uma cerveja e falar sobre cinema. Unia-se no Café Luso todo o tipo de pessoas desde o intelectual ao político, passando pelo trafulha, até à prostituta. Havia também muita malta de letras e de artes convivia lá. Então houve o ponto essencial para a criação de um festival que nasce numa zona mesmo no coração do Porto.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TV: O Fantas é reconhecido a nível internacional. Que estratégias são utilizadas para dar a conhecer o festival fora da nossa cidade?</strong></p>
<p><strong>RC:</strong> Para fora do Porto utilizamos várias estratégias. A que utilizamos à mais tempo tem que ver com a publicação do cartaz do ano seguinte nas revistas ou jornais de cinema da especialidade, desde as mais normais até à Variety, que é apelidada a bíblia do cinema e nos considerou, de há uns anos para cá, um dos maiores festivais de cinema do mundo. Também há spots televisivos normais com imagens do festival que são enviados para uma ou outra cadeia televisiva que contém programas de cinema. O que nós temos feito de há uns anos para cá é ter um stand no festival de Cannes. Este festival decorre todos os anos não só como festival de cinema mas também como mercado, onde se compram e vendem filmes. No stand que temos em Cannes promovemos o festival e promovemos a cidade, numa tentativa de mandar para fora a nossa imagem e cativar as pessoas a conhecerem o festival.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TV:</strong> <strong>Qual é a adesão do público ao Fantasporto? Quem mais adere ao festival?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>Há uns anos nós fizemos um inquérito para tentar descobrir o nosso público. O nosso público é muito, muito heterogéneo, ou seja, existe gente de todas as idades e de todos os estratos sociais. Mas essencialmente é um público académico, porque é esse público, essencialmente o mais novo, que vai ao cinema. O festival divide-se em duas partes: o pré-fantas, em que os cinéfilos puros querem ir ver uma retrospectiva de expressionismo alemão, por exemplo; e existem esses mesmos espectadores que depois vão ver o filme mais underground que nós passamos lá. É muito difícil explicar mas normalmente é um público académico, culto, um público interessado por arte, um público que vai ao cinema mas que também vai ao teatro, à ópera, lê muito e que está dentro da área, mas também é um nicho de público muito especial que é gente da casa – um grupo de pessoas que já acompanha o festival desde os tempos de Carlos Alberto e naquela semana, tiram férias para o Fantasporto.</p>
<p>Mas no geral, o grosso do que eu vejo lá é um público essencialmente académico dos 18 aos 28 anos.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TV:</strong> <strong>Todos os anos o Fantasporto homenageia diversos realizadores. Em que bases se alicerçam estes tributos?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>A escolha tem a ver essencialmente com a obra do realizador e depois também tentamos ver se aquele realizador tem alguma relação umbilical com o festival. O festival já projectou para Portugal ou de Portugal para fora muitos realizadores como o Guilherme del Toro, o próprio David Lynch, uma série de realizadores que por si só, começaram a ter prestígio no nosso país. Por exemplo, imaginemos que faz agora 10 anos que o Guilherme del Toro ganhou um prémio no Fantas. Então, nós fazemos uma retrospectiva e homenageamos esse realizador.</p>
<p>São pessoas que marcam o festival, que marcam a agenda do cinema e então nós tentamos trazer cá ambas as vertentes sempre tendo em conta a disponibilidade deles.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TV:</strong> <strong>O cinema português também está presente neste festival. Considera importante o foco na produção nacional?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>Eu considero muito importante essencialmente porque a produção nacional é hedionda, ou seja, as bases eram nulas e o cinema português era feito à base de estereótipos, de pseudo intelectualidades e por isso acabávamos por ver filmes que eram tenebrosos. Acho que o papel de um festival de conseguir dizer que não a um filme português, dá logo ao realizador a ideia de ter de mudar alguma coisa no seu cinema e isso faz crescer. O cinema português é muito importante no Fantas. Temos ciclos de cinema relacionados com escolas, com a Casa da Animação… e portanto é um ponto muito fulcral trazer o cinema português para o Fantasporto. É uma maneira de saber que há mais gente que o vê, saber que ele existe, saber que está a ser produzido e, principalmente, dar um recado para quem ensina cinema saber que tem que o ensinar bem senão ele vai ser rejeitado e saber, principalmente, que nem toda a gente pode ser realizador. E saber, essencialmente, ver quais são as limitações dos novos cineastas para perceberem de que maneira é que podem contornar essas limitações.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TV:</strong> <strong>O cinema universitário é também prestigiado no Fantasporto. Porquê?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>O cinema universitário é prestigiado no Fantas porque é um incentivo (e se em Portugal há poucos incentivos a nível de cultura, têm que ser os privados a puxar por aquilo que o Estado não dá) e, além disso, a criação cinematográfica começa sempre nos bancos das universidades, por isso, a relação é mesmo intrínseca.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TV:</strong> <strong>Entre Fevereiro e Março de 2010, realizar-se-á a 30ª edição do Fantasporto. Além do que podemos encontrar no site do festival, que mais novidades podem ser reveladas para esta próxima edição?</strong></p>
<p><strong>RC: </strong>Nós ainda não temos nada confirmado por dois motivos: Em primeiro lugar aquilo que foi delineado o ano passado é o que está certo – os ciclos de cinema, as retrospectivas, a ideia de fazer um confronto entre a robótica e o cinema… Neste momento nós não podemos avançar nada por questões puramente orçamentais, pelo facto de ainda não estarmos com os patrocínios todos certos. Os filmes ainda estão em fase final de escolha. A selecção é feita em dois pólos: trazem-se alguns filmes do festival de cinema de Cannes, apropriados para o festival e para o nosso público; e depois é aberta a possibilidade de envio das obras para o festival, que são avaliadas por um júri composto por 5 elementos da organização, que seleccionam os filmes que passam e depois, em meados de Dezembro, está fechada a programação. A partir daí, em função da programação que temos, vamos ver os actores, os realizadores e os produtores que vamos trazer cá que sejam ligados a esses filmes, aqueles que queremos homenagear e tentamos sempre trazer mais uma ou outra surpresa mas que só em meados de Fevereiro é que temos a certeza se vêem ou não.</p>
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		<title>Malu Mader divulga estreia como realizadora no Fantasporto</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 02:10:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manaíra Athayde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Malu Mader]]></category>

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		<description><![CDATA[A actriz Malu Mader esteve no Fantasporto e fez questão de divulgar o primeiro filme em que actuou como realizadora, apesar de não o exibir no festival. Contratempo foi lançado no segundo semestre do ano passado e já participou de eventos como a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O documentário vem conquistando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A actriz Malu Mader esteve no Fantasporto e fez questão de divulgar o primeiro filme em que actuou como realizadora, apesar de não o exibir no festival. <em>Contratempo</em> foi lançado no segundo semestre do ano passado e já participou de eventos como a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O documentário vem conquistando críticas positivas, para surpresa da actriz, que confessou ter pensado que seria condenada pela crítica por ser uma «actriz que se meteu a ser realizadora», como afirmou de maneira descontraída. De grande simpatia e firmeza na fala, Malu Mader revela as novas directrizes para a sua carreira e a sua relação com o seu próprio trabalho e com os media.</p>
<div id="attachment_612" class="wp-caption aligncenter" style="width: 436px"><img class="size-full wp-image-612" title="Malu Mader com Tony Bellotto" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/03/malu_mader-tony_bellotto-por_jose_ferreira.jpg" alt="Malu Mader com Tony Bellotto (Foto: José Ferreira)" width="426" height="286" /><p class="wp-caption-text">Malu Mader com Tony Bellotto (Foto: José Ferreira)</p></div>
<p><strong>O que pode esperar o público de <em>Contratempo</em>?</strong><br />
É um filme sobre jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro, que pelo desejo de mudar o destino foram atrás de um projecto de música erudita e foram seleccionados para esse projecto, o Villa-Lobinhos. Nem sempre essas mudanças nas vidas deles aconteceram da maneira prevista, mas muitas vezes sim, porque eles desejaram mudar esse destino. Por acaso o filme tem emocionado bastante, tem feito rir, tem feito chorar… Não foi a intenção passar mensagem nenhuma, nem moral, nem final, mas eu tenho achado que ele merece ser visto por muitos jovens de escolas, de favelas.</p>
<p><strong>Então foi um filme prazenteiro de fazer…</strong><br />
O filme ficou com um sentido muito afirmativo, muito positivo, os meninos são muito positivos, eles têm bons sentimentos, eles têm muita vontade. Acho que quando você deseja realmente alguma coisa e sonha isso tem que ser visto por outros jovens que estão ali, em terrenos escorregadios como os da favela, entendeu? Acho que, de alguma forma, é importante que outros jovens que estão perigando ali vejam. Não foi feito com essa intenção, mas agora que está pronto acho que merece ser visto por outros jovens que estão nessa mesma situação.</p>
<p><strong>Porquê sair de frente das câmaras para dirigir este documentário?</strong><br />
Já tinha vontade de dirigir há bastante tempo, mas achava que ia dirigir filmes de ficção, dirigir actores, criar histórias… Porque dentro da minha cabeça há milhões de personagens e histórias que tenho vontade que tomem forma. Só que nem sempre você é que escolhe as coisas, as coisas te escolhem também. O documentário aconteceu antes do filme de ficção e, agora que o consegui realizar, fiquei feliz com ele, senti-me realizada, fiquei muito estimulada. Estou tentando escrever um filme de ficção, que já é um segundo passo, e estou muito apaixonada com isso. Fica todo mundo perguntando se eu vou querer deixar de ser actriz, mas a profissão de actriz é uma paixão também.</p>
<div id="attachment_615" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-615" title="Malu Mader e Theodoro Fontes" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/03/malu_mader-theodoro_fontes-por_jose_ferreira.jpg" alt="Malu Mader e Theodoro Fontes, produtor de cinema (Foto: José Ferreira)" width="200" height="133" /><p class="wp-caption-text">Malu Mader e Theodoro Fontes, produtor de cinema (Foto: José Ferreira)</p></div>
<p><strong>Foi difícil angariar fundos para o documentário?</strong><br />
Era um orçamento muito barato. Agora quero ver como será com o filme de ficção, que é obviamente muito mais caro, muito mais complexo, por isso que acabou acontecendo o documentário antes também. Foi mais viável.</p>
<p><strong>Não ficou com receio da crítica? Afinal, pelo próprio tema do documentário, poder-se-ia interpretar como autopromoção, aquele estereótipo da «actriz que ajuda jovens carentes».</strong><br />
Claro que não sou um tipo de pessoa que faz um filme só para mim, claro que você quer que todo mundo goste. A princípio, o que mais queria é que eu ficasse satisfeita e que eles gostassem de se ver na tela. E aí, num segundo momento, claro, quanto mais a crítica gostasse, as pessoas gostassem… Mas acho que há críticas e críticas e eu estava aberta até para críticas ruins. Um filme existe com o olhar do outro também.</p>
<p><strong>Mas o facto de ser uma actriz famosa interfere, claramente, nas críticas.</strong><br />
Por mais que ficasse triste, estava disposta a ouvir o que as pessoas tinham a dizer, de ruim e de bom. Mesmo que a crítica fosse destrutiva, estava preparada. Mas queria ouvir críticas que me ajudassem a crescer como cineasta, eu estava muito disposta a ouvir pessoas que me falassem: «olha, isso e isso aqui não estava bom e tal». Queria aprender, estava me sentindo uma iniciante, como estou me sentindo ainda assim, sabe? Não é porque já tenho um nome como actriz… Estou me sentindo como dando um primeiro passo como realizadora, estou me sentindo como se tivesse vinte e poucos anos…</p>
<div id="attachment_613" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-613" title="Malu Mader" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/03/malu_mader-por_jose_ferreira.jpg" alt="Malu Mader (Foto: José Ferreira)" width="200" height="133" /><p class="wp-caption-text">Malu Mader (Foto: José Ferreira)</p></div>
<p><strong>Não te incomoda o facto de aparecer mais nos media do que a sua obra?</strong><br />
A indústria de celebridades é uma coisa muito forte. Talento é uma coisa que sempre se impõe, quando você tem um mega talento, tudo isso é mais forte que tudo. Se você vai construindo, trabalhando e não vai aceitando esse jogo, quando você fica no meio-termo… Eventualmente você tem que ceder, tem que fazer uma entrevista aqui, ir a um evento ali… Mas se não fica vivendo de um jogo fútil eterno, vai lá, senta lá, escreve todo dia, não fica só indo a festas o tempo inteiro, você constrói o seu trabalho. É que as pessoas acham que para fazer um trabalho precisam ir a festas várias vezes por semana, e não é nada disso. O que faz de um artista ou de um actor ou de um cineasta ou de um realizador ou o que quer que seja alguém é o trabalho dele.</p>
<p><strong>É por isso que tem uma carreira sólida, com mais de duas décadas…</strong><br />
Não adianta a pessoa ter a ilusão de que ir a três festas por semana e aparecer na revista vai fazer dele alguém. Pode fazer dele alguém naquela semana; passou aquele tempinho ali, se ele não tiver alguma coisa a oferecer de facto… Ou não, posso estar enganada, sei lá… Posso estar falando besteira. Hoje em dia a pessoa emagrece quatro quilos e sai na capa: «emagreci quatro quilos». Semana que vem: «separei do meu marido». Daqui a cinco semanas: «ganhei um carro do meu novo namorado». Pode ser, quem sabe… Claro, a pessoa se sustenta por aí uns dez anos nos media, mas alguma hora… Depende da tua vontade também, do que você almeja para você. Se você quer construir alguma coisa da qual você vai se orgulhar ou da qual você quer que o seu filho se orgulhe ou se busca alguma realização, aí é mais difícil, aí tem que trabalhar. Tem que ser algo que te dê felicidade de verdade. Não só material, mas que te preencha.</p>
<p><strong>As telenovelas brasileiras fazem muito sucesso em Portugal. É um país que acolhe com carinho muitos artistas brasileiros…</strong><br />
Portugal é uma delícia… Desde a comida, que adoro, até às pessoas… O carinho, os lugares bonitos, a sensação de estar em casa. Pretendo vir a algum festival aqui em Portugal este ano com o meu documentário.</p>
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		<title>Escritor de «Bellini e o Demónio» considera adaptação ao cinema «muito positiva»</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 01:33:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manaíra Athayde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Tony Bellotto]]></category>

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		<description><![CDATA[O escritor Tony Bellotto, também músico dos Titãs, esteve presente no primeiro fim-de-semana do Fantasporto para divulgar o seu livro Bellini e o Demónio (Companhia das Letras), que em Portugal foi lançado com o título de Um Caso com o Demónio. Com uma carreira iniciada na década de 1980 e casado com uma das mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor Tony Bellotto, também músico dos Titãs, esteve presente no primeiro fim-de-semana do Fantasporto para divulgar o seu livro<em> Bellini e o Demónio</em> (Companhia das Letras), que em Portugal foi lançado com o título de <em>Um Caso com o Demónio</em>. Com uma carreira iniciada na década de 1980 e casado com uma das mais famosas actrizes brasileiras, Malu Mäder, Bellotto fala em entrevista ao JUP/RASCUNHO sobre a adaptação do livro ao cinema , o preconceito que sofre por ser um músico que também é escritor, a crítica de arte e o intercâmbio cultural.</p>
<div id="attachment_591" class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px"><img class="size-full wp-image-591" title="tony_bellotto-por_jose_ferreira" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/03/tony_bellotto-por_jose_ferreira.jpg" alt="Tony Bellotto no Fantasporto (Foto: José Ferreira)" width="425" height="283" /><p class="wp-caption-text">Tony Bellotto no Fantasporto (Foto: José Ferreira)</p></div>
<p><strong>Quem é Bellini?</strong><br />
No começo ele nem era um detective, eu pensei num alter-ego meu, alguém que reflectisse um pouco da minha visão do mundo. As primeiras histórias dele eu nunca publiquei, eram fragmentos de um adolescente no interior de São Paulo, como eu fui. Aí abandonei esse projecto e quando fui escrever o meu primeiro romance, <em>Bellini e a Esfinge</em>, em 1994, estava lendo muita literatura policial e quis fazer um livro de literatura policial. Ao criar o meu livro, criei esse detective, que é um homem desiludido, fracassado, que tem umas tiradas irónicas e reflexões um pouco desiludidas sobre o mundo.</p>
<div id="attachment_595" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-595" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Tony Bellotto" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/03/tony_bellotto-por_jose_ferreira_1.jpg" alt="Tony Bellotto com a esposa, Malu Mader, e Theodoro Fontes, produtor do filme" width="200" height="133" /><p class="wp-caption-text">Bellotto com a esposa, Malu Mäder, e Theodoro Fontes, produtor do filme (Foto: José Ferreira)</p></div>
<p><strong>Não teve receio quanto à adaptação, já que o cinema exige uma outra linguagem?</strong><br />
Já aprendi com o tempo que toda adaptação para o cinema tem que mudar a essência do livro. São raros os livros que são transportados literalmente para o cinema e que você fica satisfeito com o resultado. Geralmente, nos frustramos um pouco quando vemos no cinema a adaptação de um livro de que gostamos. Como é uma linguagem diferente, o livro deve mesmo servir só como base para o filme ser feito, que é o que acontece aqui; <em>Bellini e o Demónio</em> é um filme totalmente diferente do livro. Por exemplo: uma das coisas que acho mais legais do livro, que é o monólogo interior de Bellini, é impossível de transpor. Não é que fique apreensivo, mas quando vendo os direitos de uma obra já aceito que vai ser diferente, e quando se aceita não se sofre tanto.</p>
<p><strong>Mas o resultado da adaptação do filme foi positivo?</strong><br />
Foi muito positivo. É um filme interessante, mas diferente do livro porque ficou um filme mais fantástico. No meu livro, o livro perdido é um romance policial do Dashiell Hammett que nunca foi publicado, e no filme é o livro do Aleister Crowley, ligado à magia negra. Eu fico muito satisfeito porque é um filme muito bem realizado, muito legal. Agora, a pessoa vendo o filme não quer dizer que leu o livro, pois são emoções diferentes.</p>
<p><strong>Não se teve aquele receio de cair no lugar comum e nos estereótipos?</strong><br />
Não participei da feitura do filme. Eles correram esse risco, é um risco que se corre mesmo. Eu, de certa maneira, também corri esse risco dos estereótipos da literatura policial, o tempo todo você tem que tentar fugir do cliché para não cair no óbvio. Acho que o filme conseguiu fugir desse óbvio porque fica muito aberto, até o final brinca um pouco com essa ideia da literatura de Jorge Luis Borges, da pessoa encontrando a si mesma e a ideia do demónio como um aspecto dentro de você mesmo.</p>
<div id="attachment_593" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-593" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="tony_bellotto-por_caio_meirelles" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/03/tony_bellotto-por_caio_meirelles.jpg" alt="Tony Bellotto em entrevista ao JUP/RASCUNHO (Foto: Caio Meirelles)" width="200" height="150" /><p class="wp-caption-text">Tony Bellotto em entrevista ao JUP/RASCUNHO (Foto: Caio Meirelles)</p></div>
<p><strong>Em algumas entrevistas, você afirmou que Bellini tem um teor sarcástico e existencialista. Os personagens são uma parte dos seus autores ou é algo completamente distinto, obra e autor?</strong><br />
Todo personagem tem um pouco do autor. Todo personagem que eu invente, por mais que eu tente fazê-lo diferente do que eu sou, sempre ele parte de mim e, inevitavelmente, tem aspectos meus. Agora esse sarcasmo do Bellini, que é mais claro no livro, essa ironia e desilusão dele fazem parte da ideia que eu tenho do mundo. Não sou tão irónico nem sarcástico nem desiludido, mas coloco nele toda uma ampliação dessa minha desilusão.</p>
<p><strong>Hoje o artista torna-se mais importante do que a obra?</strong></p>
<p>Infelizmente, sim [risos]. Essa cultura da celebridade é uma coisa que vem acontecendo há muito tempo, já começou no século passado. Faz parte do nosso tempo, né? Existe o artista e existe a obra e de certa forma estão um pouco desatrelados. Às vezes a obra é boa e você nem sabe quem é o artista e às vezes você nem sabe qual é a obra e o artista é uma celebridade. Faz parte dessa cultura do nosso tempo, e estou envolvido nela, não dá para negar.  Sou escritor e ao mesmo tempo sou guitarrista de uma banda… Não sei até que ponto as pessoas conseguem avaliar uma obra minha sem levar em conta o artista. Eu acho que seria mais interessante que a gente desse mais atenção para a obra, mas os artistas aparecem muito e acabam dificultando. Gosto muito e invejo esses escritores que não dão entrevistas, que não aparecem, é uma forma de preservar a obra. Mas isso seria impossível pelo facto de eu ser um guitarrista de uma banda que já está dentro de um sistema mediático, é uma alternativa que eu não tenho.</p>
<div id="attachment_597" class="wp-caption alignleft" style="width: 211px"><img class="size-full wp-image-597" title="Tony Bellotto" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/03/tony_bellotto-por_manaira_aires.jpg" alt="Bellotto com a mãe, a professora universitária Heloísa Liberalli Bellotto (Foto: Manaíra Aires)" width="201" height="150" /><p class="wp-caption-text">Bellotto com a mãe, a professora universitária Heloísa Liberalli Bellotto (Foto: Manaíra Aires)</p></div>
<p><strong>A crítica constrói ou destrói?<br />
</strong>As duas coisas. Cada vez se tem menos o trabalho do crítico de fazer uma análise sobre a obra. A gente tem muita informação sobre a obra. Na crítica no Brasil, às vezes eu sofro de um preconceito pelo facto de ser um músico escrevendo, às vezes as pessoas duvidam que um guitarrista de rock possa escrever um livro. Mas eu não me pauto muito na crítica, uma obra requer mais tempo. O que uma obra significa é o tempo que responde, com os leitores e tal. A crítica é importante, mas não tem força para construir ou destruir, é sempre a obra que se faz, para o bem e para o mal.</p>
<p><strong>Como enxerga o Brasil nesse intercâmbio cultural, proporcionado por eventos como o Fantasporto?</strong><br />
Acho o Brasil muito autocentrado. Tirando a produção americana, principalmente na música, no Brasil é difícil fazer sucesso de verdade música latina ou de Portugal ou da Espanha ou de outros países da América do Sul e da América Central. Acho que temos um certo preconceito no Brasil contra músicas que não sejam, por exemplo, cantadas em Inglês e em Português. A cultura brasileira é um pouco fechada nesse sentido, a gente não tem muito conhecimento do que acontece fora do nosso país, como esse festival, por exemplo, que tem o foco num tipo de cinema específico.</p>
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		<title>Fantasporto no Brasil: Leo Falcão</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 13:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manaíra Athayde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Leo Falcão]]></category>

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		<description><![CDATA[O JUP/RASCUNHO continua a fazer saber da repercussão do Fantas do outro lado do oceano. Depois do jornalista Rafhael Barbosa e da produtora Maíra Viana, esta série de três entrevistas curtas a agentes culturais brasileiros (todos de regiões diferentes, recordamos) fica hoje completa com as respostas do cineasta Leo Falcão (foto). Conhece o Fantasporto? Como? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-490" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Leo Falcão" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/leo_falcao.jpg" alt="Leo Falcão" width="200" height="150" />O JUP/RASCUNHO continua a fazer saber da repercussão do Fantas do outro lado do oceano. Depois do jornalista <a href="http://fantasporto.rascunho.net/?p=470" target="_blank">Rafhael Barbosa</a> e da produtora <a href="http://fantasporto.rascunho.net/?p=486" target="_blank">Maíra Viana</a>, esta série de três entrevistas curtas a agentes culturais brasileiros (todos de regiões diferentes, recordamos) fica hoje completa com as respostas do cineasta Leo Falcão (foto).</p>
<p><strong>Conhece o Fantasporto? Como?</strong><br />
Já ouvi, sim. É um evento bastante conhecido no circuito de festivais, especialmente por guardar este recorte específico de lidar com o fantástico, que é um género de suma importância e influência para a literatura e para o cinema latino.</p>
<p><strong>Por que gostaria de participar no festival?</strong><br />
Participar de um festival é importante por vários motivos. Além da oportunidade de mostrar o seu filme para um público diverso, trocar ideias e impressões acerca do seu trabalho, contribui para o amadurecimento contínuo, em termos técnicos e estilísticos, eu diria.</p>
<p><strong>Qual a importância desses festivais? </strong><br />
Estabelecer networks (pessoais e profissionais) é um aspecto fundamental de qualquer evento de cinema, justamente por permitir esse maior contacto entre diferentes realidades de trabalho e viabilizar pragmaticamente actividades de cooperação, promovendo assim um maior desenvolvimento e diversificação da produção cinematográfica contemporânea.</p>
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		<title>Fantasporto no Brasil: Maíra Viana</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 13:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manaíra Athayde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Maíra Viana]]></category>

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		<description><![CDATA[O JUP/RASCUNHO continua a fazer saber da repercussão do Fantas do outro lado do oceano. Depois do jornalista Rafhael Barbosa, colocámos as mesmas perguntas a Maíra Viana (foto), produtora cultural. Esta série de três entrevistas curtas chega amanhã ao fim com a publicação das respostas do cineasta Leo Falcão. Conhece o Fantasporto? Como? Já ouvi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-487" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Maíra Viana" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/maira_viana-por_manaira_athayde.jpg" alt="Maíra Viana" width="200" height="150" />O JUP/RASCUNHO continua a fazer saber da repercussão do Fantas do outro lado do oceano. Depois do jornalista <a href="http://fantasporto.rascunho.net/?p=470" target="_blank">Rafhael Barbosa</a>, colocámos as mesmas perguntas a Maíra Viana (foto), produtora cultural. Esta série de três entrevistas curtas chega amanhã ao fim com a publicação das respostas do cineasta Leo Falcão.</p>
<p><strong>Conhece o Fantasporto? Como?</strong><br />
Já ouvi falar através da Internet. Como trabalho com roteiros estou sempre lendo muito sobre a área de vídeo, curtas, cinema, etc.</p>
<p><strong>Por que gostaria de participar no festival?</strong><br />
Acho interessante, sim. Pretendo encaminhar alguns vídeos meus para festivais e o Fantasporto é uma óptima porta.</p>
<p><strong>Qual a importância desses festivais? </strong><br />
Esses festivais podem auxiliar, por exemplo, no intercâmbio Brasil–Portugal de produções cinematográficas. É a globalização cada vez mais avançando, eu acho. A união e troca de culturas entre esses dois países leva a vantagem de não ter a barreira da língua. Um festival como este estimula e enobrece o intercâmbio entre Brasil e Portugal, o que para mim está entre as principais relevâncias ao se fazer um festival.</p>
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		<title>Mário Dorminsky: «Solução para o Fantas tem que aparecer até ao final de Abril»</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 18:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Daniel Rego</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Dorminsky]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa altura em que a 29ª edição do Fantasporto caminha para o final, o JUP/RASCUNHO foi falar com um dos fundadores e director do Festival Internacional de Cinema do Porto, Mário Dorminsky. Há 29 anos atrás o jornal Correio da Manhã trazia na primeira página, em letras grandes, o título: «Sangue invade as ruas do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-461" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="dsc_6070" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/dsc_6070-199x300.jpg" alt="dsc_6070" width="160" height="245" />Numa altura em que a 29ª edição do Fantasporto caminha para o final, o JUP/RASCUNHO foi falar com um dos fundadores e director do Festival Internacional de Cinema do Porto, Mário Dorminsky.</p>
<p>Há 29 anos atrás o jornal Correio da Manhã trazia na primeira página, em letras grandes, o título: «Sangue invade as ruas do Porto». Desde então, nunca mais o Fantasporto se conseguiu descolar da imagem de cinema fantástico. Hoje, a um ano de completar trinta anos, o Fantas, que se tornou num dos 25 melhores festivais de cinema do mundo, vive dias de incerteza. Se não aparecer uma solução financeira até Abril, a edição 30 pode mesmo não se realizar. Aquela que tem sido a cara do Fantasporto desde sempre, Mário Dorminsky, explica-nos como é organizar um festival que se tornou «num monstro burocrático gigante». <em>Fotos de Manuel Ribeiro</em></p>
<p><strong>Para o ano o Fantasporto faz 30 anos. Afirmou há dias que a próxima edição pode estar em risco – porquê?</strong><br />
Sim, pode. É a edição 30, como podia ter sido a edição 21, a 22 ou a 14. Todos os anos, no meio cultural, sentimos um problema extremamente complicado, que é saber a capacidade financeira que possa existir pela parte quer do Estado e das autarquias, quer, sobretudo, dos privados. É preciso não esquecer que o Fantasporto talvez seja exemplo único em Portugal, ao ter cerca de 80 por cento de apoio dos privados e apenas 20 por cento de apoio das entidades públicas.</p>
<p><img class="size-full wp-image-447 alignright" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="dsc_6052" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/dsc_6052.jpg" alt="dsc_6052" width="220" height="150" /><strong>Essa percentagem incomoda-o?<br />
</strong>Incomoda. O Estado devia ser responsável pela existência de projectos culturais considerados de interesse e, no caso do Fantasporto, isso é um facto. Ainda agora, o Instituto do Turismo nos atribui o Prémio Nacional do Turismo pela imagem internacional do festival e pela imagem que levamos de Portugal para o estrangeiro. Somos considerados um dos 25 melhores festivais do mundo, pela <em>Variety</em>, como somos considerados o melhor festival de cinema fantástico da Europa, a par do festival de Sietges perto de Barcelona. Outro aspecto que me parece muito importante é o facto de o Fantasporto estar a Norte. Como temos tido governos muito centralizadores, Lisboa e o Vale do Tejo são o centro do país, o resto é província.</p>
<p><strong>Um dos próximos passos será a criação da Fundação Fantasporto. Quais são os principais objectivos e vantagens desse projecto?<br />
</strong>Enquanto, neste momento, temos apoio do Estado e o apoio dos privados, ao nível de empresas, com a fundação poderemos ter outro tipo de apoios dos privados, isto é, das pessoas. E há pessoas que têm muito dinheiro e que podem ajudar.</p>
<p><strong>É essa a ideia dos «amigos do Fantas»?</strong><br />
Há os mecenas, que são as empresas, e os patronos, que são os individuais, e depois há os amigos, que são aquelas pessoas que vêm ao Fantas há muito anos. É mais uma questão de simpatia para ter as pessoas perto de nós, como sócias. É curioso ver que já vamos em cerca de duzentos participantes e, neste festival, algumas pessoas já assumiram essa categoria de sócios do Fantasporto.</p>
<p><strong>Passando para a recente edição. Tivemos no Pré-Fantas um ciclo dedicado à arquitectura. Qual é o balanço dessa iniciativa?</strong><br />
Foi fantástico. O ciclo de arquitectura foi uma ideia que substituiu o que fazíamos no Pré-Fantas, que era um conjunto de antestreias. Decidimos apresentar um programa com cabeça, tronco e membros, um programa envolvendo a Ordem dos Arquitectos, sendo co-organizado com o arquitecto Jorge Patrício, que é uma  pessoa em quem temos toda a confiança. A escolha dos filmes foi nossa e eles fizeram os textos e os conceitos. Eles desenvolveram um projecto contra a «escola» do Porto, isto é, a escolha dos arquitectos convidados para as conferências, como é o caso do japonês Sou Fujimoto, ou de Marcos Cruz, que tem conceitos completamente diferentes da Escola de Arquitectura do Porto. Quando estávamos a preparar o programa pensamos fazer as conferências no pequeno auditório, para duzentos e muitas pessoas, mas acabamos por optar pelo grande e tivemos cerca de 600 a 700 pessoas em cada uma das conferências, o que é notável.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-451" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="dsc_6067" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/dsc_6067-199x300.jpg" alt="dsc_6067" width="199" height="300" /><strong>Na mensagem do programa oficial pode ler-se que a crítica do cinema acabou. Revê-se nessa afirmação?</strong><br />
É verdade. Revejo-me nessa afirmação por uma razão muito simples. Basta pegar em todos os diários nacionais que trazem notícias do Fantasporto e nenhum deles fala dos filmes que passam no festival, só falam do ambiente e das pessoas que estão cá. Onde é que está a crítica? Onde é que está o falar sobre os filmes? Não está. Tirando dois ou três críticos, os outros não gostam de cinema. Dizem sempre mal de tudo e mais alguma coisa. A crítica de cinema a sério terminou, em Portugal, no final dos anos 90. Nessa altura havia um conjunto de pessoas que ainda olhavam para o filme e o enquadravam no país onde era produzido e depois envolviam a sua crítica em torno desses conceitos. Isso não só acontece no cinema, mas também nas artes plásticas, na literatura e em praticamente todas as artes. Ainda há o crítico que diz gosto e não gosto, mas ponto final, acabou. Em termos genéricos, dizer que há um conceito de crítica que permita às pessoas ter uma leitura diferente em relação àquilo que é o produto cultural é uma situação que já não existe. E falo à-vontade porque durante vinte anos fui jornalista da área cultural dos três jornais do Porto.</p>
<p><strong>Imaginando que tinha todos os apoios necessários. A 30ª edição do Fantas vai ter uma programação especial?</strong><br />
Sabemos o que queremos fazer. Agora não vamos anunciar nada porque não tem lógica estar a anunciar aquilo que vamos fazer e, ao mesmo tempo, dizer que pode não haver festival. Por isso, enquanto não tivermos a certeza, não vamos anunciar rigorosamente nada.</p>
<p><strong>Ao fim de quase trinta anos ainda lhe dá gozo organizar o Fantasporto?</strong><br />
Dá muito gozo. A única coisa que acontece é que, cada vez mais, para além dos problemas para obter apoios do Estado, é necessária uma burocracia gigantesca, coisa que não existia no passado. E, ao nível dos privados, estamos a fazer contratos que metem advogados e tudo isto, que era feito com uma certa frescura, transformou-se num monstro burocrático gigante que ocupa as pessoas durante todo o ano. Dizem que sou a cara do festival, mas há mais – a Beatriz Pacheco Pereira e o António Reis. Infelizmente as coisas recaem muito sobre mim, as pessoas querem falar comigo e, nesse aspecto, é complicado porque tenho outras vidas, mas isso já é outra história.</p>
<p class="MsoNormal"><strong><a href="http://rascunho.net/artigo.php?id=2428" target="_blank">Leia a entrevista integral no RASCUNHO</a></strong></p>
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		<title>Fantasporto no Brasil: Rafhael Barbosa</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 14:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manaíra Athayde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Rafhael Barbosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a sua pluralidade temática que vai do thriller ao terror, da ficção científica ao imaginário, o Festival Internacional de Cinema do Porto transpõe os limites do território europeu e aterra no Brasil. O JUP/RASCUNHO teve a curiosidade de saber qual é a repercussão do Fantas do outro lado do oceano. Falámos com Rafhael Barbosa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-474" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Rafhael Barbosa" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/rafhael_barbosa-por_manaira_athayde.jpg" alt="Rafhael Barbosa" width="200" height="150" />Com a sua pluralidade temática que vai do thriller ao terror, da ficção científica ao imaginário, o Festival Internacional de Cinema do Porto transpõe os limites do território europeu e aterra no Brasil. O JUP/RASCUNHO teve a curiosidade de saber qual é a repercussão do Fantas do outro lado do oceano. Falámos com Rafhael Barbosa (foto), jornalista especializado em cinema, e inauguramos assim uma série de três entrevistas curtas. Seguem-se Maíra Viana, produtora cultural, e o cineasta Leo Falcão, a publicar nos próximos dias. Moram todos em diferentes regiões do Brasil (Maceió, São Paulo e Recife, respectivamente).</p>
<p><strong>Conhece o Fantasporto? Como?</strong><br />
Conheci o evento através de uma revista de cinema especializada, a <em>Set</em>. Isso já fez muitos anos, uns 10 pelo menos. Desde lá sempre acompanho a programação do festival e fico de olho nos filmes seleccionados, nas críticas, etc.</p>
<p><strong>Por que gostaria de participar no festival?</strong><br />
Bom, eu adoro os festivais. É um lugar onde se respira cinema, onde todo mundo está conectado numa mesma sintonia. No caso do Fantasporto, atrai-me o facto de ser um evento voltado para um género específico, que é o cinema fantástico. Nicho que, por sinal, foi marginalizado por muito tempo, esteve à margem do cinema e só recentemente vem recebendo a atenção que merece, principalmente da crítica. E muito disso graças a filmes que ganharam o mundo depois de passar no Fantasporto.</p>
<p><strong>Qual a importância desses festivais? </strong><br />
Os grandes festivais internacionais, como Cannes, Berlim, Veneza, Fantasporto, Sundance, exercem um papel fundamental dentro do comércio do cinema. Filmes independentes de vários países ganham visibilidade ao serem indicados (ou premiados) nesses festivais, e com isso atraem a atenção dos distribuidores, que podem comprá-los para lançamento no mundo todo. Além disso, eles são uma oportunidade para o público conhecer muitos filmes que não ganharão lançamento comercial. No Brasil, os festivais desempenharam um papel importantíssimo de resistência à crise que assolou nosso cinema no começo dos anos 90. Foram o único refúgio para os cineastas nesse período.</p>
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		<title>Marcelo Galvão: «Temos que fazer bons filmes comerciais»</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 20:08:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manaíra Athayde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Fabio Assunção]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Galvão]]></category>
		<category><![CDATA[Theodoro Fontes]]></category>

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		<description><![CDATA[Em entrevista exclusiva a partir de São Paulo, o realizador Marcelo Galvão fala ao JUP/RASCUNHO sobre o processo de construção de Bellini e o Demónio, a relação entre cinema empreendedor e cinema sustentável, e o intercâmbio de produções cinematográficas entre o Brasil e Portugal. Galvão é graduado em Propaganda e Marketing pela Fundação Armando Alves [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-353 alignleft" style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="marcelo_galvao" src="http://fantasporto.rascunho.net/wp-content/uploads/2009/02/marcelo_galvao.jpg" alt="marcelo_galvao" width="250" height="188" />Em entrevista exclusiva a partir de São Paulo, o realizador Marcelo Galvão fala ao <strong>JUP/RASCUNHO</strong> sobre o processo de construção de <em>Bellini e o Demónio</em>, a relação entre cinema empreendedor e cinema sustentável, e o intercâmbio de produções cinematográficas entre o  Brasil e Portugal.</p>
<p>Galvão é graduado em Propaganda e Marketing pela Fundação Armando Alves Penteado e em Cinema pela New York Film Academy, e já tem na bagagem filmes como <em>Rinha</em> (apresentado no último Festival de Cannes) e <em>Lado B: Como fazer um longa sem grana no Brasil</em>.</p>
<p><strong>O que pode esperar </strong><strong>o público </strong><strong>de <em>Bellini e o Demónio</em>?</strong><br />
Um filme com imagens fortes e viscerais, onde o demónio não tem rabo nem chifre, mas está presente na loucura dos nossos mais íntimos desejos. Além disso, o público irá perceber um trabalho de direcção de actor intenso, com uma resposta incrível do Fabio Assunção.</p>
<p><strong>Como surgiu o convite para dirigir o filme?</strong><br />
Um grande produtor e amigo meu, Marçal Souza, me apresentou Theodoro Fontes, o produtor de <em>Belline e o Demónio</em>. Depois de uma grande conversa num restaurante, ele contratou-me para escrever o roteiro do filme e para ser o realizador. Acabei no final de tudo sendo também co-produtor, pois tive que colocar dinheiro para terminarmos o filme.</p>
<p><strong>Em algumas entrevistas, você afirma que <em>Bellini e o Demónio</em> possuía um fio condutor mais visceral, no estilo de David Lynch e Cronenberg, e que o produtor descaracterizou essa linha orgânica. Esse é um dos grandes entraves ao ser um realizador contratado?</strong><br />
Depende dos contratos que são feitos. Fui muito ingénuo em aceitar entrar neste filme sem ter a liberdade de poder montá-lo.  Desta forma escrevi um roteiro e dirigi um filme para um tipo de montagem que não aconteceu. Resultando assim em algo banal e sem coesão, um filme com imagens fortes, mas desconexas. Quando você repete 10 takes numa cena não é à toa, é porque você sabe que em várias delas houve algum problema. Então, como alguém pode montar um filme sem saber que problemas viu o realizador naqueles takes todos? Às vezes o começo do take 3  e o final do take 2 complementam-se, mas só o realizador sabe disso, é o único que tem o filme todo na cabeça. Outra forma de se fazer filmes é escrever, dirigir e entregar tudo ao produtor, mas sendo muito bem remunerado por isso, o que também não foi o caso.</p>
<p><strong>Os seus dois filmes com maior repercussão internacional (<em>Rinha</em>, que participou do Festival de Cannes, e <em>Bellini e o Demónio</em>, que participa agora do Fantasporto) não seguiram propriamente os seus objectivos ideológicos. Como remar contra a maré, se para se manter é preciso fazer filmes de puro entretenimento ou que mostram pobreza e violência quando, na verdade, o que se quer é produzir filmes que revelem a «podridão da burguesia», como já afirmou?</strong><br />
<em>Rinha</em> ainda não foi lançado nos festivais internacionais. Levámos o filme apenas para o mercado em Cannes para sentir a recepção dos buyers, que por sinal foi muito boa. Terminámos o filme agora e ele está bem diferente, com uma hora a menos e com o som e as imagens totalmente finalizadas. <em>Rinha</em> seguiu os meus objectivos ideológicos: foi feito como imaginei e concebi; ao invés de fazer um filme de luta no estilo <em>O Grande Dragão Branco</em>, desenvolve-se num universo de bizarrices reais e ao mesmo tempo absurdas, servindo de questionamento do <em>status quo</em> dessa sociedade burguesa sem limites. Já <em>Belline [e o Demónio]</em> não seguiu os meus objectivos ideológicos por entrave do produtor, pois foi  escrito e filmado para isso.</p>
<p><strong>Como transformar o cinema empreendedor, voltado para o circuito tipicamente comercial, em cinema sustentável, em que não se depende de subsídios estatais nem industriais?</strong><br />
Dentro da realidade brasileira, onde não existe indústria cinematográfica, onde o número de salas de cinema é bem inferior ao de muitos países menores que o nosso, a saída mais rápida é diminuirmos os custos de produção, escolhendo roteiros mais simples e ao mesmo tempo mais interessantes. Um bom exemplo é o meu primeiro filme, o <em>Quarta B</em>, feito com 12 mil dólares, que ganhou a Mostra Internacional de São Paulo pelo júri popular.</p>
<p><strong><em>Bellini e o Demónio</em> é o único filme brasileiro no Fantasporto 2009. Faltam filmes no Brasil que se adeqúem ao universo do cinema fantástico?</strong><br />
Acredito  que a maior parte dos filmes brasileiros fogem a essa temática do universo fantástico, porém  temos que lembrar que todo festival tem o seu critério de escolha. Não podemos dizer que por <em>Belline e o Demónio</em> ter sido o único filme brasileiro do Fantasporto 2009, faltam filmes brasileiros que se adeqúem a esse universo.</p>
<p><strong>O filme é uma adaptação do livro homónimo de Tony Bellotto. Quais os aspectos importantes ao fazer-se uma adaptação, tendo em vista que a linguagem literária e a linguagem cinematográfica possuem peculiaridades intransferíveis?</strong><br />
O principal numa adaptação literária é entender bem a narrativa da história, os objectivos e valores de cada personagem e tentar trazer isso para o filme com um ritmo que prenda o espectador. O aval do escritor é uma boa dica de que o caminho está certo.</p>
<p><strong><em>Bellini e o Demónio</em> é uma sequência de <em>Bellini e a Esfinge</em>, dirigido por Roberto Santucci Filho em 2001. Quando se tem em mãos a continuação de uma obra, as cobranças são maiores por haver comparações?</strong><br />
Acredito que não, a não ser quando a obra anterior se torna uma grande referência.</p>
<p><strong>«Filme de paixões cinéfilas e de livros de cordel», é como se inicia o breve texto sobre o filme no catálogo do Fantas. O cordel é uma tradição originária de Portugal, e agora o filme leva aos portugueses aspectos do cordel sob uma concepção brasileira. Hoje temos uma visão cultural «digerida» daquilo que foi há muito as nossas raízes?</strong><br />
Acho que sim. As informações reciclam-se a todo o momento e desta forma surgem coisas novas, que acabam com o tempo enraizando e tornado-se referências de uma nova sociedade.</p>
<p><strong>De que maneira festivais como o Fantas podem auxiliar no intercâmbio de produções cinematográficas entre o  Brasil e Portugal?</strong><br />
Servindo de vitrina para que ambos os países conheçam melhor o cinema que está sendo feito em cada território e assim estreitando relações de co-produção entre os dois países.</p>
<p><strong>Assim como você, muitos cineastas hoje possuem uma formação inicial em Publicidade e Propaganda, começando a carreira como redactores publicitários. Como a bagagem adquirida nessa área intervém na construção de tua linguagem cinematográfica?</strong><br />
Dá experiência na construção de histórias com começo meio e fim, mesmo que estas tenham apenas 30 segundos. Além disso dá-lhe um grande critério com relação ao nível de produção que deverá exigir-se para um filme, cerca-o com enorme repertório das mais diversas referências de linguagem e amplia o seu network  com os melhores profissionais da área, já que, no Brasil, praticamente é a publicidade que sustenta os técnicos do cinema.</p>
<p><strong>Em 1999, vendeu o seu carro e foi estudar cinema na New York Film Academy. Para se sustentar, ganhava a vida como lutador de Jiu-Jitsu. A importância dessa experiência está reflectida na visão crítica diante de um cinema cada vez mais afunilado ao entretenimento? Estudar em grandes centros é mais relevante para se aprender a fazer cinema ou para se ganhar projecção? </strong><br />
Acho que o cinema tem que ser sempre entretenimento, pois é feito para que outras pessoas assistam. Isso não quer dizer que por ser um filme comercial tem que ser ruim. Quantos filmes excelentes conhecemos que são líderes de bilheteira: <em>Cidade de Deus</em>, <em>Little Miss Sunshine</em>, <em>Forrest Gump</em>, etc. Não podemos fazer é apenas filmes comerciais, temos que fazer bons filmes comerciais. Quanto à segunda parte da pergunta, estudar é sempre bom, seja em grandes ou pequenos centros, mas só se aprende cinema, fazendo cinema. E quando se faz um cinema bom, aí sim ganha-se projecção.</p>
<p><strong>No universo do fantástico, vê-se cada vez mais filmes em que a linha entre o real e o ficcional é ténue. Isso também pode ser visto nos teus filmes?</strong><br />
Sim, gosto de brincar com o real e o ficcional de forma a fazer com que o espectador participe do filme. Acho que o bom filme só se completa com a interacção do espectador. Não existe um certo ou errado, é como um quadro, cada um interpreta a obra da sua maneira e isso é o que mais gosto no cinema.</p>
<p><strong>Não incomoda muitas vezes um filme ser mais conhecido por ter determinado actor ou actriz do que pela obra em si, com toda a complexidade que uma produção cinematográfica sugere?</strong><br />
Acho que não. Num filme existem inúmeros elementos para serem apreciados. Cabe  ao espectador escolher qual ou quais deles lhe agrada mais.</p>
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