Cumprido mais um Fantasporto na cidade do cinema
O Fantasporto – Festival de Cinema Internacional do Porto regressou ao Rivoli, não se sabe ainda se pela última vez. Regressamos também nós para fazer a cobertura deste evento numa parceria especial entre o JUP – Jornal Universitário do Porto e o Rascunho. Um blogue que voltou a ser uma interessante experiência de jornalismo e um espaço de informação, para quem nos visitou, tendo ou não participado no Fantasporto.
Mais um ano que passa sobre o Fantasporto, este um ano especial, número redondo no 30ª edição deste festival de provas dadas e com reconhecimento a nível mundial mas que em Portugal continua a ser marginalizado pelo poder político. Mais um ano de Fantasporto e mais um ano de corda no pescoço, mais uma vez a ameaça de não conseguir garantir o próximo ano paira sobre o festival. Aguardamos pelo desenrolar de 2010 e esperamos que 2011 traga boas noticias, não só pela manutenção do Fantasporto com um programa de qualidade mas também a sua realização no espaço do Rivoli. Para trás ficam as sessões temáticas e o alargamento do Fantasporto a outras salas de cinema, este ano desapareceu também a tenda na Praça D. João I. Assegurada pela Direcção do festival está a certeza de que este não sai da cidade. Nas palavras de Beatriz Pacheco Pereira, o Fantasporto é da cidade, do Porto, cidade do cinema.
Na programação especial destaque para o tema escolhido para este ano. Efeitos especiais e robótica foram a desculpa para saltar um pouco do cinema e mostrar o fantástico da ciência. Com a passagem de vários filmes alusivos à temática no pré-Fantas, os workshops de efeitos especiais para criadores, cinéfilos e curiosos que estiveram sempre cheios e a presença no festival de nomes maiores quer na criação artística na indústria do cinema, quer pela presença dos melhores centros de investigação na área da robótica na Península Ibérica.
Um grande obrigado a todos e todas que colaboraram para o sucesso desta parceria e deste projecto e para os que nos visitaram e continuam a visitar durante o ano e a deixar comentários. Um até já porque para o ano há mais (esperemos)!
PRÉMIOS FANTASPORTO 2010 – OS VENCEDORES DA EDIÇÃO 30 DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO PORTO
Heartless de Philip Ridley é o grande vencedor do Fantasporto 2010. Cineasta já premiado no Fantas com Passion of Darkly Noon, regressa quinze anos depois para ganhar três dos principais prémios deste festival.
JURI INTERNACIONAL CINEMA FANTÁSTICO
GRANDE PRÉMIO MELHOR FILME -FANTASPORTO 2010
Heartless- Phillip Ridley (GB)
PRÉMIO ESPECIAL DO JURI/ PRÉMIO SUPER BOCK
Deliver us from evil- Ole Bornedal (Din/Sué/Noruega)
MELHOR REALIZAÇÃO
Philip Ridley- Heartless (GB)
MELHOR ACTOR
Jim Sturgess- Heartless (GB)
MELHOR ACTRIZ
Neve McIntosh – Salvage (GB)
MELHOR ARGUMENTO
Arnaud Bordas, Yannick Dahan, Stéphanie Moissakis, Benjamin Rocher – La Horde (Fra)
MELHORES EFEITOS ESPECIAIS OU FOTOGRAFIA
Yannick Dahan,, Benjamin Rocher- La Horde (Fra)
MELHOR CURTA-METRAGEM FANTASPORTO 2010
La Carte- Stefan le Lay (Fra)
MENÇÃO DO JURI INTERNACIONAL
Valhalla Rising- Nicholas Winding Refn (Din/GB)
Embargo- António Ferreira- (Port)
20ª SEMANA DOS REALIZADORES /DIRECTORS WEEK
Prémio Manoel de Oliveira /Manoel de Oliveira Award
MELHOR FILME DA SEMANA DOS REALIZADORES/ PRÉMIO MANOEL DE OLIVEIRA
FISH TANK- Andrea Arnold- (GB)
PRÉMIO ESPECIAL DO JURI
Ward nº 6- Karen Shakhnazarov (Rus)
MELHOR REALIZADOR
Pater Sparrow – “1” (Hun)
MELHOR ARGUMENTO
Andrea Arnold por FISH TANK (GB)
MELHOR ACTOR
Zóltan Mucsi por “1”
MELHOR ACTRIZ
Elena Anaya. HIERRO (Esp)
PRÉMIO ORIENT EXPRESS 2010
THIRST- Chan-wook Park- Coreia do Sul
O Prémio Especial da secção Orient Express foi para:
A FROZEN FLOWER- Yoo Ha- Coreia do Sul
PRÉMIOS NÃO OFICIAIS
PRÉMIO DA CRÍTICA
O Juri da Crítica do Fantasporto´2010 decidiu atribuir o prémio a:
T.M.A. – Juraj Herz (Rep Chec)
PRÉMIO DO PÚBLICO
Solomon Kane- Michael J. Basset (EUA)
PRÉMIO CINEMATOGRAFIA
Cinema Francês
PRÉMIOS DE CARREIRA:
Samuel Hadida (Producer- France)
Colin Arthur (Make-up, Special Effects specialist- EUA)
Luís Galvão Teles (Director- Portugal)
INSPIRATION AWARD- INTERNATIONAL FILM GUIDE
First Squad- Yoshiaru Ashino (Rus/japão/Canadá)
Heartless, beleza e terror

Jamie, personagem principal do filme que vive atormentado pela sua imagem marcada por uma mancha na pele. (Foto: Fantasporto)
Após quinze anos de ausência, Philip Ridley cineasta britânico, já premiado em 1996 no Fantasporto, que conta já com os altamente recomendados The Reflecting Skin e Darkly Noon, está de regresso.
O mito de Fausto revisitado traz-nos um personagem principal que faz um pacto com o demónio para se ver livre de uma marca de nascença na cara, em forma de coração, e numa parte do seu corpo que fez sempre dele uma pessoa rejeitada e com problemas de sociabilização. A fotografia e a tentativa de captação do belo presente em todo o argumento leva-nos para importância da imagem e do conceito de beleza. A partir de uma frase do poeta Rilke: “a beleza é o princípio do terror.” que serve para despoletar o pacto com o demónio e como inicio de um amor quase obsessivo que parece ser a salvação e expiação da personagem pela pessoa que é, e não pela sua aparência. O ambiente é de subúrbio inglês, um caldeirão de violência gratuita e criminalidade crescente. Uma nova geração de terror, crimes sem justificação aparente filmados e publicitados, mediatizados pela imagem e pelas características únicas destes actos.
Heartless é um filme de tensões, de segundos em que os susto tomou conta da sala do Rivoli, de pessoas que saltam nas cadeiras quando um vulto se aproxima repentinamente ou um grito ecoa. Sem dúvida um filme Fantasporto, aparentemente bem colocado na corrida para o Grande Prémio do Festival.
Frozen Flower, formas de amar e formas de matar
À partida o que aparentava ser uma simples história de dinastias orientais e de onde poderíamos esperar boas cenas de combates de espadas acaba por nos surpreender com uma história de amor impossível. Depois de quebrado o mito dos cowboys em Brokeback Mountain cai por terra em A Frozen Flower o mito dos guerreiros orientais.
O Rei da Dinastia Goryeo tenta abalar o domínio da Dinastia Yuan na China e estabelecer um estado autónomo. Para tal, ele forma uma guarda palaciana, totalmente dedicada à sua pessoa, composta por trinta e seis jovens soldados, liderados pelo comandante militar Hong-rim. Este jovem para além de líder de uma equipa de elite partilha de grande intimidade com o rei. Amante, amigo e companheiro acaba por ser invejado por parceiros e pela rainha envolvida num casamento de fachada.
Tudo se complica quando confrontado com o problema de sucessão o rei não conseguindo concretizar a tarefa coloca Hong-rim no seu papel. Mais tarde terá de enfrentar a traição, amorosa e de confiança politico-militar, quando Hong-rim se apaixona pela sua esposa, a rainha da dinastia Yuan.
Este filme é o mais recente trabalho do sul-coreano Ha Yu, que além de realizador é também poeta. Dotado de uma excelente qualidade fotográfica e de uma banda sonora à medida a forma como se cruzam os momentos de violência de artes marciais, cenas de sexo e de contradições e contrariedades de amores impossíveis, quer pela homossexualidade quer pela diferença social, tudo parece resultar sem cair em lugares comuns e abrindo sempre surpresas até ao momento de desfecho final.
Última hora: A Lisboa de Fernando Pessoa de José Fonseca e Costa no Fantasporto
Março, 19.15h, pequeno auditório Rivoli – Teatro Municipal
O Fantasporto exibe esta quarta-feira, 3 de Março, às 19.15h, no pequeno auditório do Teatro Rivoli, uma sessão extra com o mais recente filme de José Fonseca e Costa, cineasta homenageado pelo Fantas no ano passado. A LISBOA DE FERNANDO PESSOA tem narração de Peter Coyote, o actor norte-americano que vimos na série televisiva “FlashForward” desempenhando o papel de presidente dos Estados Unidos da América.
Escrito, adaptado e realizado por José Fonseca e Costa, A LISBOA DE FERNANDO PESSOA estrutura-se em torno de um guia que o poeta Fernando Pessoa escreveu em 1925 sobre Lisboa. O livro, descoberto apenas em 1988 no espólio do poeta, destinava-se a mostrar Lisboa aos turistas que visitassem a capital e foi redigido originalmente em inglês. No filme, mais do que mostrar monumentos, jardins, praças e ruas de Lisboa como um postal ilustrado, José Fonseca e Costa quis sobretudo prestar homenagem a Fernando Pessoa, num percurso que dá a conhecer a cidade, mas também Portugal.
The Human Centipede… a centopeia humana à solta no Fantasporto
Um soco no estômago podia ser uma boa frase para resumir este filme. Domingo à noite no Pequeno Auditório do Rivoli que encheu para ver The Human Centipede e onde se voltaram a ver pessoas a abandonar a sala a meio do filme. Não sem antes terem visto três curtas portuguesas: Close, Anestesia e Gnosis.
No circuito internacional fala-se deste filme como um dos filmes de terror/ horror com mais impacto nos públicos. Uma coisa é garantida ou se gosta e se consegue dar umas gargalhadas ou se odeia e a nossa visão sobre algumas coisas nunca mais será a mesma.
Acabando com o mistério mas sem fazer um spoiler aqui fica o que se pode dizer sobre este filme. Dr. Josef Heiter tem uma doentia visão sobre a humanidade. O filme começa com um sarcástico humor recorrendo a clichés do terror/ horror. Amacia o público para o que se segue. Um cirurgião alemão especializado em separar irmãos siameses resolve unir humanos numa espécie de centopeia. Duas amigas americanas turistas e um japonês são aprisionados e vão acabar unidos pelo seu sistema digestivo (completo)… removendo as rótulas para que os humanos tenham que andar de quatro e então cirurgicamente costurá-los bocas com ânus.
Imagens dificilmente inesquecíveis, actores e papéis muito bem trabalhados num argumento complexo bem realizado, pela qualidade da montagem e da fotografia, pelos momentos de cortar a respiração e pelo cuidado nos pormenores clínicos. Sadismo escatológico, condição humana e animal e resistência.
Se depois disto estiverem mesmo com vontade… arrisquem! Se forem capazes!
Sede de sangue e sala cheia em “Thirst” de Chan-wook Park
Numa altura em que já começamos a estar todos cheios de filmes, livros e sabe-se lá mais o quê sobre vampiros estes podia ser só mais um filme de vampiros, não fosse mais uma vez a inspiração genial de Chan-wool Park. Filme com presença no Festival de Cannes e com cartaz censurado na Coreia do Sul esgotou ainda durante a tarde o Grande Auditório do Rivoli.
Um padre em busca da solução última de salvação das almas que se submete a uma experiência clinica, ao estilo de um São Francisco de Assis dos tempos modernos, onde acaba por se submeter a uma transfusão de sangue para lhe salvar a vida. É dado como morto e ressuscita com uma incontrolável sede de sangue humano, uma enorme força física e vigor sexual, a segunda aquisição incompatível com a batina que acabará por largar. Park volta à sátira sobre os valores e sobre a condição da vida humana. Uma reflexão sobre sentimentos e sobre as diferentes formas de amor e ódio.
Fotografia de excelente qualidade, pormenores, trabalho de actores e algum surrealismo e muita expresão e claro a marca de imagem do realizador nos contrastes de sangue com ambientes alvos onde castidade e vida se confrontam com sexo e morte. O que resta: corpos no seu processo físico de destruição que, no entanto, não apresentam qualquer perspectiva de fim. Por aí o final do filme – que não vou revelar, não deixa de inferir, vai romper a noção de destruição infinita, ao mesmo tempo que revela um projeto que, por muitas vezes, acaba por se esquecer do todo.
Abertura Oficial do Fantasporto 2010, com Solomon Kane
Produzido por Samuel Hadida, um dos grandes produtores do cinema europeu e realizado por Michael J. Basset, Solomon Kane é a última incursão do cinema no universo literário de Robert E. Howard. Depois de nos anos 80 o cinema se ter apropriado das aventuras épicas de sword and sorcery com os filmes Conan, Red Sonja e Krull, este sub-género do fantástico hibernou durante vinte anos. Agora está de regresso com uma panóplia dos efeitos especiais espectaculares.
Solomon Kane é um herói solitário, soldado que vive na Inglaterra do século XVI, corroído pelo remorso, afastado do mundo e dos homens, a pagar a penitência pelos seus pecados. Confrontado com o poder do senhor das trevas e dos seus servos que ameaçam escravizar e dominar Inglaterra, quebra a sua promessa de ermita e embarca numa cruzada de redenção e vingança.
No elenco reencontramos Max Von Sydow, prémio carreira Fantasporto 2008, como rei, subjugado pelas forças do mal.
Trailer oficial do filme
Já rodam filmes no Fantasporto 2010

Ontem as pessoas ainda faziam o reconhecimento do local e do programa, no Rivoli. (Foto: Pedro Ferreira)
Abriu ontem a 30ª edição do Fantasporto, apesar de a abertura oficial só estar prevista para sexta-feira. Este pré-Fantas é já algo a que nos temos habituado nas últimas edições e serve para rever alguns dos filmes que por lá já passaram. Ontem na abertura dois clássicos do espírito Fantasporto, no Grande Auditório, Re-Animator e Braindead em sessão dupla e no Pequeno Auditório o primeiro filme da série, que vai passar durante toda a semana, de Robocop e o filme Idiots and Angels do Bill Plympton, vencedor do Grande Prémio Fantasporto em 2009.
Para hoje, terça-feira, os destaques da noite vão para a possibilidade de ver de novo, no Pequeno Auditório, Frostbitten, vencedor do Grande Prémio Fantasporto em 2006 e no Grande Auditório, Cronos de Guillermo del Toro, um filme vencedor de vários prémios do Fantasporto em 1984, como o Grande Prémio e Melhor Actor entre outros.
Crítica: «Palermo Shooting», de Wim Wenders
Palermo Shooting não é só um filme. Da forma como o fim para o qual foi pensado pelo realizador transformam-no quase automaticamente num filme de culto. Um filme com uma fotografia exemplar pensado quase fotograma por fotograma, sensível ao movimento e com um ritmo lento mas propositado para nos arrastar para a forma como sentimos a passagem do tempo.
Os ingredientes estão todos lá e passando pela homenagem até ao ponto do ensaio, as referências para a filosofia inerente ao acto da captação de imagem agiganta-se sobre o público causando um rol de sensações que nos acompanham por muito tempo depois de sair da sala. Bergman e Antonioni são assumidos, mas há no filme muito mais. Há Dziga Vertov no Homem por trás da Camera de Filmar, há Barthes na procura do entendimento entre o fotógrafo e o objecto. Há um pouco de nós todos e não foi por acaso que na apresentação do filme Wenders disse que era o primeiro filme interactivo a passar pelo Fantasporto.
A história do filme é simples. Um fotógrafo famoso de renome mundial quer nas artes como na moda, Finn leva uma vida agitada, dorme pouco, o telemóvel nunca pára de tocar e a música dos seus auscultadores são a companhia mais constante e que lhe dão o poder de se isolar completamente do mundo. Na verdade a música é o primeiro tijolo na construção de um mundo só seu que tenta recriar nas fotografias que faz. A verdade fotográfica e a manipulação, o drama do fotógrafo perante a impossibilidade de capturar o momento e a preocupação atenta com o que rodeia caracterizam esta personagem tipo com a qual é fácil, para qualquer fotógrafo, se identificar.
Subitamente, a sua vida fica fora de controlo, uma viagem que o transporta para fora de si mesmo leva Finn a partir e deixar tudo para trás. A sua viagem leva-o de Dusseldorf até Palermo. Aí, vê-se perseguido por um misterioso atirador que o segue com um propósito de vingança. Sobre o resto, contá-lo seria um spoiler. O melhor conselho é que o vejam atentamente e o interpretem da forma que o realizador nos aconselha: sintam-se atingidos pelo shoot deste filme e interajam com ele.
Crítica: «Hansel & Gretel», de Lim Pil-Seong
Um jovem nervoso fala ao telemóvel e tem um acidente de carro. O princípio poderia ser o de uma qualquer banal história de drama. Quando acorda do acidente é conduzido por uma angelical jovem até uma casa onde tudo é demasiado e assustadoramente infantil. Por toda a casa brinquedos, as refeições são sempre doces e quando algo parece correr mal rapidamente é resolvido de forma misteriosa por uma das crianças.
Eun-Soo passa todo o filme a tentar fugir daquela casa mágica mas a floresta trá-lo sempre de volta. Nunca se resignando ao que parece ser o seu destino vai confrontando os miúdos com os acontecimentos que se desenrolam quer no tempo do filme quer pela introdução de histórias em subtexto. A morte de todos os adultos que passam pela casa, os labirintos que se reproduzem da floresta até ao sótão deixam antecipar a trágica história daqueles três irmãos.
No fim Eun-Soon percebe que ele próprio é personagem daquela história que salta de um livro infantil para a realidade. Ele próprio herói faz um exercício catártico da sua vida e percebe onde é o seu verdadeiro lugar encontrando assim a fuga daquela casa.
Na base deste filme o imaginário dos contos infantis não só de Grimm mas de toda uma estética associada a este tipo de estórias. Lim Pil-Seong é o realizador deste filme que conseguiu atrair a critica e ser nomeado como o stand-out coreano deste ano. A sugestão de violência é sempre psicológica contrariando o que são alguns exemplos a que estamos habituados a ver do cinema coreano. São 116 minutos bastante intensos e emocionais com um excelente trabalho de fotografia e uma banda sonora que nos embala transportando-nos para dentro do filme.
Fantasporto em fotogramas #05
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Crítica: «Vanaja», de Rajnesh Domalpalli
Pensado como trabalho de conclusão de curso na Universidade de Columbia do realizador Rajnesh Domalpalli, Vanaja é a história de uma menina com o mesmo nome a entrar na adolescência.

A descobrir o mundo e o seu corpo, vive numa situação financeira difícil. Carregando a responsabilidade de sustentar o seu pai viúvo, pescador e alcoólico, cedo abandona a escola e vai trabalhar para uma senhoria. Encantada com as danças Kuchipudi e com a esperteza de uma menina adulta, consegue convencer a sua senhoria a ensinar-lhe música e a dançar. Quando tudo parecia correr bem, é com a entrada do filho da senhoria que tudo se complica. Violada e grávida fica à mercê da sua própria sorte, contrariando o que lhe tinha sido dito numa leitura de mão. Astuta, tenta ir recuperando a parte da sua vida que a faz mais feliz – a dança – mas as contrariedades não param e aprisionada pela sua situação social vê a sua tragédia pessoal culminar na morte do pai.
Este filme é um excelente retrato de uma Índia rural e do seu sistema de castas. O argumento lembra a escrita de Dickens. A pobre menina acolhida pela família rica é também um grampo de ficção vitoriana. Mas Vanaja vive sempre no momento, crescendo a partir de uma história simples para o complexo, proporciona-nos uma heroína. Vanaja, não sendo o típico filme indiano, termina de uma maneira muito indiana, confiando na sorte e na fortuna, acreditando que há uma maré nos assuntos dos homens.
Plympton, a revolução na animação
Bill Plympton é já um visitante assíduo do Fantasporto, este ano com especial destaque para a edição inédita em Portugal em DVD de parte da sua obra. A última longa-metragem, Idiots and Angels (imagem), encontra-se em competição na categoria Cinema Fantástico. De 2008, este é tido como o mais negro e satírico de todos os seus filmes e conta com uma banda sonora de luxo: Tom Waits, Moby e Pink Martini são alguns dos nomes que o musicam.
Nunca são demais as vezes que visionamos os filmes do norte-americano. Na sua obra, destacam-se os trabalhos do fim dos anos 80, como as animações One of Those Days, How to Kiss, 25 Ways to Quit Smoking e o famoso Plymptoons, altura em que começa a evidenciar-se e a preparar animações financiadas por si próprio.
Com a utilização nos seus argumentos de uma linguagem mais adulta, mostrando nudez, violência e revelando o lado «negro» do humor das pessoas, Plympton ajudou a construir uma linguagem que conhecemos hoje nas animações. Desmistificado o preconceito de que animação só serve para entreter crianças abre-se aqui o caminho para o que são actualmente as grandes produções de séries como Simpsons ou American Dad, mas também para animação em longas-metragens onde o humor utilizado e as técnicas de escrita permitem dois níveis de público.
Crianças e adultos partilham nos dias de hoje ícones da animação e conseguem extrair do mesmo argumento e filme dois sentidos – o lúdico e de diversão, e o humor político ou com grandes marcas de sátira social.











































Walled In, baseado no romance Os Emparedados do francês Serge Brussolo, é levado a cena com o realizador Gilles Paquet-Brenner. Um thriller psicológico que conta com a participação de Misha Barton, conhecida em Portugal pela sua participação na série de televisão O.C., que desempenha o papel de uma recém formada engenheira enviada para a sua primeira demolição, sob alçada de uma empresa da sua família. Mas o edifício que lhe calha como primeiro trabalho não é um qualquer. Um prédio enigmático com uma arquitectura fascinante envolto numa história de assassinatos em série, em que as vitimas foram emparedadas dentro do próprio edifício. O arquitecto, supostamente também encontrado entre as vitimas, tratar-se-ia de um génio, visto que nenhum dos seus edifícios teria alguma vez caído resistindo inclusive a terramotos.


