Especial Rascunho e JUP

Ward No.6

Este é um filme do realizador russo Karen Shakhnazarov. Baseado num conto de Tchekov, o filme retrata o percurso de uma parte da vida de um director de um hospício que ruma progressivamente à loucura. O desespero proveniente do vazio que é deixado pela irrelevância de se fazer seja o que for e a limitada e passageira condição humana leva a personagem principal do filme a um beco sem saída que só pode acabar com o seu internamento.

Filmado quase na sua totalidade no hospício que retrata, o filme consegue extrair e oferecer-nos imagens fortíssimas provenientes da própria condição das pessoas que lá vivem, e dos seus rostos e olhares ora ausentes ora mergulhados numa melancólica tristeza.

A fusão entre géneros, documental e ficcional, está muito bem conseguida e a câmara aparente ter-se deixado ficar por aquele espaço durante algum tempo, os diálogos são deliciosos e inteligentes, a relação estabelecida entre os dois actores principais é de um respeito mútuo incrível, a intenção do filme parece-me despretensiosa deixando-se este arrastar simplesmente a uma velocidade natural. O filme deixa-nos ainda um final livre à interpretação pessoal, mas no meu parecer o seu carácter é fundamentalmente triste. Na minha opinião, um filme muito bom dos melhores que tive a oportunidade de ver neste Fantasporto.

One Response

  1. Ward no 6.. Outstanding :)

    20 de Fevereiro de 2011 at 11:31

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