Especial Rascunho e JUP

Archive for Março, 2010

Cumprido mais um Fantasporto na cidade do cinema

Foto: Pedro Ferreira

O Fantasporto – Festival de Cinema Internacional do Porto regressou ao Rivoli, não se sabe ainda se pela última vez. Regressamos também nós para fazer a cobertura deste evento numa parceria especial entre o JUP – Jornal Universitário do Porto e o Rascunho. Um blogue que voltou a ser uma interessante experiência de jornalismo e um espaço de informação, para quem nos visitou, tendo ou não participado no Fantasporto.

Mais um ano que passa sobre o Fantasporto, este um ano especial, número redondo no 30ª edição deste festival de provas dadas e com reconhecimento a nível mundial mas que em Portugal continua a ser marginalizado pelo poder político. Mais um ano de Fantasporto e mais um ano de corda no pescoço, mais uma vez a ameaça  de não conseguir garantir o próximo ano paira sobre o festival. Aguardamos pelo desenrolar de 2010 e esperamos que 2011 traga boas noticias, não só pela manutenção do Fantasporto com um programa de qualidade mas também a sua realização no espaço do Rivoli. Para trás ficam as sessões temáticas e o alargamento do Fantasporto a outras salas de cinema, este ano desapareceu também a tenda na Praça D. João I. Assegurada pela Direcção do festival está a certeza de que este não sai da cidade. Nas palavras de Beatriz Pacheco Pereira, o Fantasporto é da cidade, do Porto, cidade do cinema.

Na programação especial destaque para o tema escolhido para este ano. Efeitos especiais e robótica foram a desculpa para saltar um pouco do cinema e mostrar o fantástico da ciência. Com a passagem de vários filmes alusivos à temática no pré-Fantas, os workshops de efeitos especiais para criadores, cinéfilos e curiosos que estiveram sempre cheios e a presença no festival de nomes maiores quer na criação artística na indústria do cinema, quer pela presença dos melhores centros de investigação na área da robótica na Península Ibérica.

Um grande obrigado a todos e todas que colaboraram para o sucesso desta parceria e deste projecto e para os que nos visitaram e continuam a visitar durante o ano e a deixar comentários. Um até já porque para o ano há mais (esperemos)!


Fotograma #6


Hoje no Fantas, os vencedores da 30ª edição

Dia 7 – Domingo

GRANDE AUDITÓRIO
(filmes com legendas em português)

15hs – FISH TANK de Andrea Arnold GB – 123’
Grande Prémio da Secção Oficial Semana dos Realizadores e Melhor Argumento

Trailer

17.15h – WARD nº6 de Karen Shakhnazarov – Russ/Jap/Can – 83’
Prémio Especial do Júri da Secção Oficial Semana dos Realizadores
Trailer

19.00h – LA HORDE de Yannick Dahan e Benjamin Rocher – Fra – 97’
Prémio de Melhor Argumento e de Efeitos Especiais da Secção Oficial de Cinema Fantástico
Trailer

21.00hs – HEARTLESS de Philip Ridley – 114’ – GB
Grande Prémio da Secção Oficial de Cinema Fantástico
Trailer

Antecedido por LA CARTE de Stefan Lelay – 8’ Fra
Vencedor do Prémio de Curta Metragem

23.15hs – THIRST de Park Chang-Wook – Coreia Sul – 133’
Grande Prémio da Secção Oficial Orient Express

Trailer

PEQUENO AUDITÓRIO
(filmes legendados ou falados em inglês)

15.00h – T.MA. de Juraj Herz – Rep Chec – 96’ v.o. leg. ingl.
Prémio da Critica da 30ª edição do Fantasporto

Trailer

17.00h – A FROZEN FLOWER de You Ha Coreia – 133’ – v.o. leg ingl.
Prémio Especial do Júri da Secção Oficial Orient Express

Trailer

19.15h – 1 (ONE) de Pater Sparrow – Hung – 120’ – v.o. leg ingl.
Melhor Realizador e Melhor Actor da Secção Oficial Semana dos Realizadores

Trailer


21.30h – DELIVER US FROM EVIL de Ole Bornedal – 100’ – Din v.o. leg. ingl.

Trailer

23.30h – SALVAGE de Lawrence Gough – 80’- v.o. ingl.
Prémio de Melhor Actriz da Secção Oficial de Cinema Fantástico

Trailer


Fotograma #5


Fotograma #4


PRÉMIOS FANTASPORTO 2010 – OS VENCEDORES DA EDIÇÃO 30 DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO PORTO

Cartaz comercial do filme Heartless

Heartless de Philip Ridley é o grande vencedor do Fantasporto 2010. Cineasta já premiado no Fantas com Passion of Darkly Noon, regressa quinze anos depois para ganhar três dos principais prémios deste festival.

JURI INTERNACIONAL CINEMA FANTÁSTICO
GRANDE PRÉMIO MELHOR FILME -FANTASPORTO 2010

Heartless- Phillip Ridley (GB)

PRÉMIO ESPECIAL DO JURI/ PRÉMIO SUPER BOCK

Deliver us from evil- Ole Bornedal (Din/Sué/Noruega)

MELHOR REALIZAÇÃO

Philip Ridley- Heartless (GB)

MELHOR ACTOR

Jim Sturgess- Heartless (GB)

MELHOR ACTRIZ

Neve McIntosh – Salvage (GB)

MELHOR ARGUMENTO

Arnaud Bordas, Yannick  Dahan, Stéphanie Moissakis, Benjamin Rocher – La Horde (Fra)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS  OU FOTOGRAFIA

Yannick  Dahan,, Benjamin Rocher-  La Horde (Fra)

MELHOR CURTA-METRAGEM FANTASPORTO 2010

La Carte- Stefan le Lay (Fra)

MENÇÃO DO JURI INTERNACIONAL

Valhalla Rising- Nicholas  Winding Refn (Din/GB)

Embargo- António Ferreira- (Port)

20ª SEMANA DOS REALIZADORES /DIRECTORS WEEK
Prémio Manoel de Oliveira /Manoel de Oliveira Award

MELHOR FILME DA SEMANA DOS  REALIZADORES/ PRÉMIO MANOEL DE OLIVEIRA

FISH TANK- Andrea Arnold- (GB)

PRÉMIO ESPECIAL DO JURI

Ward nº 6- Karen Shakhnazarov (Rus)

MELHOR REALIZADOR

Pater Sparrow – “1” (Hun)

MELHOR ARGUMENTO

Andrea Arnold por FISH TANK (GB)

MELHOR ACTOR

Zóltan Mucsi por “1”

MELHOR ACTRIZ

Elena Anaya. HIERRO (Esp)

PRÉMIO ORIENT EXPRESS 2010

THIRST- Chan-wook Park- Coreia do Sul

O Prémio Especial da secção Orient Express foi para:

A FROZEN FLOWER- Yoo Ha- Coreia do Sul

PRÉMIOS NÃO OFICIAIS

PRÉMIO DA CRÍTICA
O Juri da Crítica do Fantasporto´2010 decidiu atribuir o prémio a:

T.M.A. – Juraj Herz (Rep Chec)

PRÉMIO DO PÚBLICO
Solomon Kane- Michael J. Basset (EUA)

PRÉMIO CINEMATOGRAFIA

Cinema Francês

PRÉMIOS DE CARREIRA:

Samuel Hadida (Producer- France)

Colin Arthur (Make-up, Special Effects specialist- EUA)

Luís Galvão Teles (Director- Portugal)

INSPIRATION AWARD- INTERNATIONAL FILM GUIDE

First Squad- Yoshiaru Ashino (Rus/japão/Canadá)


The time that remains, viver na Palestina ocupada

De Elia Suleiman, este filme de 2009 narra o quotidiano dos palestinianos que vivem como uma minoria na sua terra. Expulsos e mal tratados pelos israelitas desde que estes ocuparam aquela terra, aquela parte do mundo enfrenta um conflito que se prolonga à dezenas de anos seguidos. Este filme é uma divertida sátira que ridiculariza toda esta questão da ocupação israelita. A história é a do próprio realizador e da sua família desde que o seu pai é jovem até que Elia é já um homem. No fundo as coisas mantêm-se sempre o mesmo com a única diferença de que as pessoas se vão preocupando cada vez menos com a presença dos soldados na sua terra. Uma situação que se torna inexplicável e incompreensível e que só pode ser transmitida através do ridículo. O filme acaba por ser uma comédia autêntica acerca de um assunto que é dos mais tristes do mundo, mas as pessoas não se estão a rir neste filme, todas estas situações acontecem realmente naquela terra atingindo um ponto de saturação que acaba por deixar as pessoas indiferentes a elas. As cenas quotidianas repetem-se várias vezes e são quase sempre idênticas, a única coisa que muda são as personagens que nelas intervêm ao longo dos anos. Um filme bem conseguido que nos mostra de forma diferente, e pelo lado da comédia, uma situação de terror que se torna cada vez mais insustentável.


Hoje à noite no Fantas

Grande Auditório

Às 21.00h THE TIME THAT REMAINS de Elia Suleiman (Fra 109 min SR). Selecção Oficial do Festival de Cannes. Narra o quotidiano dos palestinianos que vivem como uma minoria na sua terra. De Elia Suleiman, o israelita que ganhou o Prémio do Júri de Cannes em 2002 com “Divine Intervention”.

Às 23.00h THE BOOK OF ELI de Albert Hughes e Allen Hughes (EUA – 118 min AE). Denzell Wahsington (“Training Day”), Gary Oldman (“Harry Potter and Prisioner of Azkabahn”) e Mila Kunis são os protagonistas deste thriller futurista imperdível para os fãs da ficção científica. Um conto pós-apocalíptico, onde um homem solitário luta para proteger um livro sagrado que guarda os segredos que vão salvar a humanidade.

Às 01.15h EVIL ANGEL de Richard Dutcher (EUA -- 123 min AE CENAS EVENTUALMENTE CHOCANTES). Ving Rhames (“Mission Impossible”, “Pulp Fiction”) é o detective privado John Carruthers, chamado a investigar mortes estranhas e grotescas. A direcção de fotografia é de Bill Butler (“Voando sobre um Ninho de Cucos”) e a banda sonora é de John Frizzell (“Alien: Resurrection”, “Ghost Ship”).


Heartless, beleza e terror

Jamie, personagem principal do filme que vive atormentado pela sua imagem marcada por uma mancha na pele. (Foto: Fantasporto)

Após quinze anos de ausência, Philip Ridley cineasta britânico, já premiado em 1996 no Fantasporto, que conta já com os  altamente recomendados The Reflecting Skin e Darkly Noon, está de regresso.

O mito de Fausto revisitado traz-nos um personagem principal que faz um pacto com o demónio para se ver livre de uma marca de nascença na cara, em forma de coração, e numa parte do seu corpo que fez sempre dele uma pessoa rejeitada e com problemas de sociabilização.  A fotografia e a tentativa de captação do belo presente em todo o argumento leva-nos para importância da imagem e do conceito de beleza. A partir de uma frase do poeta Rilke: “a beleza é o princípio do terror.” que serve para despoletar o pacto com o demónio e como inicio de um amor quase obsessivo que parece ser a salvação e expiação da personagem pela pessoa que é, e não pela sua aparência. O ambiente é de subúrbio inglês, um caldeirão de violência gratuita e criminalidade crescente. Uma nova geração de terror, crimes sem justificação aparente filmados e publicitados, mediatizados pela imagem e pelas características únicas destes actos.

Heartless é um filme de tensões, de segundos em que os susto tomou conta da sala do Rivoli, de pessoas que saltam nas cadeiras quando um vulto se aproxima repentinamente ou um grito ecoa. Sem dúvida um filme Fantasporto, aparentemente bem colocado na corrida para o Grande Prémio do Festival.


Ward No.6

Este é um filme do realizador russo Karen Shakhnazarov. Baseado num conto de Tchekov, o filme retrata o percurso de uma parte da vida de um director de um hospício que ruma progressivamente à loucura. O desespero proveniente do vazio que é deixado pela irrelevância de se fazer seja o que for e a limitada e passageira condição humana leva a personagem principal do filme a um beco sem saída que só pode acabar com o seu internamento.

Filmado quase na sua totalidade no hospício que retrata, o filme consegue extrair e oferecer-nos imagens fortíssimas provenientes da própria condição das pessoas que lá vivem, e dos seus rostos e olhares ora ausentes ora mergulhados numa melancólica tristeza.

A fusão entre géneros, documental e ficcional, está muito bem conseguida e a câmara aparente ter-se deixado ficar por aquele espaço durante algum tempo, os diálogos são deliciosos e inteligentes, a relação estabelecida entre os dois actores principais é de um respeito mútuo incrível, a intenção do filme parece-me despretensiosa deixando-se este arrastar simplesmente a uma velocidade natural. O filme deixa-nos ainda um final livre à interpretação pessoal, mas no meu parecer o seu carácter é fundamentalmente triste. Na minha opinião, um filme muito bom dos melhores que tive a oportunidade de ver neste Fantasporto.


Jennifer’s Body

Após um ritual satânico que corre mal, onde uma banda pop-rock para atingir o sucesso sacrifica Jennifer ao demónio, pensando erradamente que esta seria virgem. Jennifer torna-se num demónio que necessita de se alimentar de jovens rapazes para continuar a viver. Somente será parada pela sua melhor amiga e confidente.
Trata-se de um filme menor no contexto do Fantasporto, cheio de clichés do género, feito para um público sedento de entretenimento, mas com o atractivo de uma Megan Fox semi-nua e com algum humor actual e mordaz aproveitando fenómenos pops como os “emos” e redes sociais.

Terceiro filme de Karyn Kusama, realizadora de Aeon Flux, abordando sempre géneros diferentes mas sempre visando o feminino. Tendo como personagens principais duas adolescentes, as referencias a vida e particularidades das jovens adolescentes não deixam de marcar o filme. A nível de realização não traz nada de novo ao género tendo como ponto positivo o tratamento cómico a situações banais e comuns do dia a dia das adolescentes como o período menstrual e a perda da virgindade. Escrito por Diablo Cody, vencedora do Óscar de melhor argumento original do ano passado por Juno, tem como ponto positivo possivelmente uma tentativa de satirizar o género, filmes de terror para adolescentes.


Hidden

Poster de Hidden(IMDB)

A primeira sessão do dia 3 de Março no Grande Auditório foi preenchida por Hidden. Com a morte da mãe Kai Koss retorna a sua terra natal e volta a confrontar-se com o seu passado. A sua mãe acaba de morrer e recebe com herança uma casa no meio da floresta. Casa onde passou a sua infância onde era maltratado pela mãe. Este retorno desenvolve um conflito interior na personagem principal que vai resultar num destino trágico.

Segunda longa-metragem do realizador Pål Øie que já no seu anterior filme tinha abordado o thriller de terror. Numa pequena intervenção antes da sessão o realizador referiu a dificuldade de realizar filmes em países com pouca expressão comparando com Portugal que tem o mesmo volume de lançamento de longas-metragens por ano. Referiu também que teve a sorte de poder contar com a maior estrela de cinema do seu país no papel principal, Kristoffer Joner. Uma realização segura com uma narrativa consistente mas sem trazer nada de novo ao género. O grande destaque do filme é a cinematografia que aproveita a paisagem característica das florestas norueguesas para belos planos bem como para criar um ambiente soturno e de suspense.


Fotograma #3


1

(Foto: Fantasporto)

Precisamente um ano após a sua abertura, uma livraria especializada em livros raros vê todo o seu espólio trocado por múltiplos exemplares do mesmo livro. Um livro branco, sem autor com o título “1”. Uma equipa especializada em casos do paranormais de uma instituição obscura, o Departamento de Defesa da Realidade com ligações obscuras com o Vaticano e que não se coíbe de utilizar a tortura para apurar a “verdade dos factos” como se fosse uma versão moderna da Inquisição. È neste clima que se inicia a investigação da troca dos livros e principalmente o conteúdo e autoria do livro “1”. O livro é uma investigação complexa sobre o que sucede num espaço de um minuto na Humanidade. Durante a investigação um volume do livro é colocado a circular, levando a uma onda de histerismo e de destruição colocando a própria humanidade em risco. Enquanto isto o próprio responsável da investigação inicia uma viagem filosófica e de compreensão das relações humanas deixando-se incluir como um dos suspeitos da autoria do livro.

Primeiro filme do húngaro Pater Sparrow, baseado no livro de ficção científica “One Human Minute” de Stanislaw Lem, autor de Solaris. Consegue retratar de uma forma eficaz o crescimento da onda de histeria causada pelo livro, através de uma narrativa fluida aliado ao clima transmitido na investigação do caso remetendo nos para um thriller de ficção científica tanto do agrado do público do Fantasporto. Pena alguma incúria na montagem que por vezes numa tentativa de transmitir o máximo de informação aos espectadores o faça perder o fio condutor da história acabando por não entender o sentido do filme. Situação esta que o realizador já tinha chamado a atenção quando alertou que um filme não deve ser visto somente uma vez.


Deliver us from evil

Um dos momentos de maior tensão no filme onde uma família aparentemente feliz acaba por se ver confrontada com uma situação anormal. (Foto:Fantasporto)

A história é nos contada numa Dinamarca de defeitos, onde o mal que consome a alma das pessoas se conjectura numa praga de influências. Ole Bornedal constrói um filme dividido entre a seriedade do que nos conta e a paródia escondida da crueldade extrema que pretende tocar. Colorido mas não muito, porque não é tudo cinzento… seria assim, talvez, o princípio de uma ideia.

Realizador conhecido pela versão original norueguesa de Night watch, e já com um outro filme  da sua carreira estreado em Portugal, o épico I am Dina, surge-nos em 2009 com este Deliver us from evil, uma história simples numa localidade pequena. Um casal que regressa à sua cidade para se estabelecer pacificamente nas suas raízes, uma família aparentemente feliz com os seus dois filhos e Alan, um imigrante Bósnio que procura na Dinamarca esquecer um passado sombrio, acolhido pela família para os ajudar na construção do lar. É este o ponto de partida de uma história simples que nos é contada lentamente e com planos íntimos.

O enredo é nos revelado por uma voz-off feminina sem que esta seja uma personagem da história. E na  primeira parte do filme são as excelentes paisagens de uma Dinamarca povoada de mar que nos é mostrado. Contudo, desde o início já sabemos que uma mulher vai morrer. Que o irmão do pai de família é uma pessoa sem amparo, e que a mulher morta era casada com um senhor poderoso. São motes introduzidos para o horror dessa história simples que nos guiará até a um final desconcertante. Na segunda parte do filme, o que nos é mostrado são as desumanas acções de um grupo regional desorientado pela morte acidental dessa mulher. O marido da defunta prossegue numa vingança fanática ao mal provocado pela a dor da sua morte. E com ele, a comunidade vem toda a trás. Escolhido o suspeito, o óbvio Alan imigrante, o filme embarca numa sucessão de terríveis comportamentos xenófobos, onde nem se escapa a tentação carnal de uma violação impiedosa. São imagens de puro choque em que o realizador acalma-as com a paródia ao absurdo, seguindo as directrizes de um Robert Rodriguez.

Seria fácil de digerir este filme se ele não se propusesse a uma campanha realista sobre o que as pessoas são mesmo capazes de fazer, seria simples argumentar um final mais feliz, colocando a morte em segundo plano, ou então esconder a deseducação deste vasto mundo de pessoas que efectivamente não se escapam do inferno, seria bonito distanciarmos da realidade deste filme. Mas o realizador não deixa. Um ponto ganho pela emoção, um ponto menor para a desorientada versão caricata da forma como a personagem principal é obrigada a defender a sua própria personagem.


Hoje à tarde no Rivoli

GRANDE AUDITÓRIO

15.00h – HIDDEN -- Pål ØIE – Nor- 96 min CF

Hidden é um regresso às origens. Com a morte da mãe, é tempo de voltar às memórias traumáticas do passado. Junto com a herança vêm fenómenos inexplicáveis. O terror que nos chega do frio.

17.00h – VINZENT – Ayassi – Ale – 93 min AE

Prémio do Júri da Crítica no Fantasporto 2005
Perturbador e demencial como o cinema de David Lynch, de um realismo mágico como os pesadelos da infância, num universo visual digno de Kafka, “Vinzent” é um thriller gótico, intenso e tecnicamente inovador.

PEQUENO AUDITÓRIO

15.15h -- Programa Entre o Sono e o Sonho (ACM):

Acordar -- Frederico Serra e Tiago Guedes- 28 min

Corpo e Meio -- Sandro Aguilar—25 min

À Margem -- João Carrilho- 12 min

Seguido de…

O Lago- André Marques- 31 min -- Por

17.15h -- SESSÃO BLACK & WHITE FESTIVAL

Tomorrow -- yeah! -- Daniela Abke -  Alemanha -13 min.

Corrente -- Rodrigo Areias -- 15 min.-Port

The Wind -- J. Tobias Anderson- Suécia -3 min.

Spegelbarn -- Eric Rosenlund -- Suécia -- 5 min.

The Attack of the Robots from Nebula 5 -- Chema Garcia Ibarra -- Espanha -- 6 min.

The Wild Range -- Marco Marchesi -- Itália -- 2 min.

SESSÃO SOM E IMAGEM

Mais! – Fernando Antunes – 4 min
Numa Casa Portuguesa Fica Bem – Sofia Baptista – 15 min.
O Encontro – Osvaldo Pinto – 15 min.
Power Off – Luís Pereira – 4 min.
Sendo um Feto – João Alves de Sousa – 7 min.
Tesouro – Afonso Domingues -14 min.
Uma Mentira Conveniente – Hugo Rodrigues, Rita Martins – 5 min


Frozen Flower, formas de amar e formas de matar

Momento de uma sonho do rei que será imortalizado numa pintura. (Foto: Fantasporto)

À partida o que aparentava ser uma simples história de dinastias orientais e de onde poderíamos esperar boas cenas de combates de espadas acaba por nos surpreender com uma história de amor impossível. Depois de quebrado o mito dos cowboys em Brokeback Mountain cai por terra em A Frozen Flower o mito dos guerreiros orientais.

O Rei da Dinastia Goryeo tenta abalar o domínio da Dinastia Yuan na China e estabelecer um estado autónomo. Para tal, ele forma uma guarda palaciana, totalmente dedicada à sua pessoa, composta por trinta e seis jovens soldados, liderados pelo comandante militar Hong-rim. Este jovem para além de líder de uma equipa de elite partilha de grande intimidade com o rei. Amante, amigo e companheiro acaba por ser invejado por parceiros e pela rainha envolvida num casamento de fachada.

Tudo se complica quando confrontado com o problema de sucessão o rei não conseguindo concretizar a tarefa coloca Hong-rim no seu papel. Mais tarde terá de enfrentar a traição, amorosa e de confiança politico-militar, quando Hong-rim se apaixona pela sua esposa, a rainha da dinastia Yuan.

Este filme é o mais recente trabalho do sul-coreano Ha Yu, que além de realizador é também poeta. Dotado de uma excelente qualidade fotográfica e de uma banda sonora à medida a forma como se cruzam os momentos de violência de artes marciais, cenas de sexo e de contradições e contrariedades de amores impossíveis, quer pela homossexualidade quer pela diferença social, tudo parece resultar sem cair em lugares comuns e abrindo sempre surpresas até ao momento de desfecho final.


Hierro, uma mãe em busca de um filho

A mãe que não desiste da sua busca. (Foto: Fantasporto)

A estória deste filme é nos de alguma forma conhecida e por algum motivo já foi abordada várias vezes, ainda que de muitas maneiras diferentes; uma mãe que perde o seu filho misteriosamente durante uma viagem de barco a uma ilha. Este lugar é misterioso e força-nos à sensação de isolamento e prisão característico das ilhas. Isto torna todo o filme mais pesado, tornando o enredo bem mais psicológico, onde a violência não é gratuita mas antes interior e pessoal a cada espectador. A força do filme reside não tanto na sua estória mas na força com que consegue transportar os sentimentos expressos na tela. Intenso do ponto de vista psicológico, deixa-nos confusos fazendo com que nos incomodemos e queiramos participar na acção no sentido de tentar resolver o que se passa no filme. O clima de drama é denso e pesado, conseguindo o filme deixar-nos especados. Bem filmado e com uma fotografia muito boa e efeitos especiais bem conseguidos, subtis e pouco exagerados o filme é uma interessante experiência visual.

No final o tema acaba por ser tratado de uma forma especial e diferente do que eu já tinha visto. Ainda que nem tudo fique resolvido definitivamente, é nos dada uma explicação que poderia ser talvez evitada pelo menos da forma evidente que é feita. De qualquer maneira o final é constrangedor, a mãe inebriada pelo desejo de encontrar o filho e meio convalescente e sem forças acaba por mergulhar numa enorme alucinação em que vê o seu filho noutra criança que também havia sido dada como desaparecida naquela ilha. Quando pensávamos que ela ia finalmente conseguir levar a criança percebemos que não é aquele o seu filho, deixando o filme, uma sensação de vazio quanto ao seu possível final feliz. O que acaba por ser interessante já que, mesmo não tendo ela encontrado o filho Diego ela não parece completamente abatida, isto já no hospital, existe na postura dela uma atitude que nos permite uma interpretação de um final em aberto.

Um filme bastante interessante, principalmente quanto às imagens e a fotografia que apresenta, que nos consegue prender à cadeira.


Fusão de sons orgânicos a concurso

OliveTreeDance é uma banda que produz música trance orgânica donde resulta a fusão dos sons do didjeridoo com o kit de bateria e a multi-percussão sem recorrer às tecnologias actuais. Este é um dos excertos do press-release enviado pela Natural Groove Records para a nossa redacção.

Não tivemos ainda a oportunidade de escutar esta banda que, segundo refere o comunicado de imprensa, está a fazer furor – “banda revelação mais procurada nas lojas”.

Oportuno sim, é a entrada a concurso, na actual edição do Fantasporto, do videoclip da banda: “Airport Tunnel”, que será exibido no próximo dia 06 de Março no peq. Auditório, pelas 15h15.

A curta-metragem conta a história de uma experiência passada pela banda em 2005 quando, em viagem para Amesterdão, foram obrigados a fazer escala em Londres. Escala essa que viria a provocar a perda da ligação para a capital holandesa. Então decidem tocar alguns acordes junto do túnel do aeroporto de Stanstead afirmando que estavam a fazer Busking (animação de rua). O tema é assim dedicado a todos os artistas de rua que não pedem dinheiro mas que aceitam o reconhecimento dado de forma livre.

Site oficial da banda: www.olivetreedance.com


Entrevista a Ricardo Clara, Assessor do Fantasporto

Ricardo Clara é assessor de imprensa do maior festival de cinema português – O Fantasporto. No entanto, a sua formação é na área do Direito. Numa conversa informal, 3 meses antes desta 30ª edição, fomos descobrir o que está por detrás da tela.

por Teresa Viana

TV: Sendo licenciado na área das letras, o que o fascina na área das artes, nomeadamente na vertente cinematográfica?

RC: Eu comecei a gostar de cinema antes de gostar de Direito, que foi a área em que me licenciei, me pós graduei… eu vejo cinema desde muito, muito novo e cheguei a uma altura da minha vida em que, por conhecimentos, passei de uma fase muito boa que era de espectador de dois festivais de cinema – o Fantasporto e o Festival de Cinema de Animação de Espinho – o Cinanima, para passar a trabalhar no Fantasporto. O facto de ter enveredado por Direito ou pelas letras, foi uma versão pragmática do futuro. Transformei o Direito numa prioridade e coloquei o cinema como um hobbie, em vez de fazer o contrário.

TV: Como começou a integrar a organização deste festival?

RC: Foi em 1999. Eu vou ao Fantasporto desde 1990/91 como espectador, desde muito novinho, no antigo Teatro Carlos Alberto… E isto são cunhas. Eu conheço gente que integra a organização e por conversas puramente casuais em que nós dizíamos “Era porreiro um dia integrar a organização, estar do outro lado…”, a verdade é que assim foi. Em 1999 fui convidado por um dos directores, o António Reis para integrar o elenco que organiza o festival todos os anos e em 1999 fiz parte da organização. A partir daí comecei a ser assessor de imprensa do festival de 1999 até 2003 e de 2003 em diante também, com a diferença que passei a integrar a organização mesmo a nível físico da cooperativa Cinema Novo, que é a cooperativa que organiza o festival e portanto, fui convidado para sócio da cooperativa e como sócio, faço parte do grupo de 9/10 pessoas que todos os anos organiza o Festival Internacional de Cinema do Porto.

TV:Como apareceu o festival? Porque é que se centrou essencialmente no cinema fantástico?

RC: O festival apareceu em 1980 mas era um sonho dos dois iniciais directores do festival – Mário Dominsky e o … Pacheco Pereira – que, em 1976, no pós 25 de Abril, criaram uma revista, que era a revista Cinema Novo. Eles decidiram ir vendendo essa revista de cinema, em comboios, pela Europa fora. Com o passar dos anos, acharam que isso já era um bocado aborrecido e já não era so aquilo que eles queriam, porque a revista tinha potencialidades, tinha pessoas a escrever, tinha pessoas que liam e então pensaram porque não erguer um festival de cinema na cidade deles – ambos são portuenses. Em 1980, ergueram uma mostra, que era a primeira mostra de cinema fantástico do Porto – Fantasporto. Aí sim era só cinema fantástico. Os headlines dos jornais eram “O sangue invade as ruas do Porto”, etc porque, em primeiro lugar, era uma altura muito profícua na criação de cinema fantástico, essencialmente porque estávamos numa época muito conturbada a nível de relações internacionais e sócio-políticas, o que influencia sempre muito a criação de cinema fantástico que é a tradução em monstros e em criaturas muito estranhas como pessoas do Governo, por exemplo. O cinema fantástico foi apenas uma questão de oportunidade.

TV: Como é que o Fantasporto começou a ocupar um lugar de destaque no campo dos festivais de cinema?

RC: O festival foi crescendo por si, como qualquer um. O Fantasporto é um festival muito verdadeiro na maneira de crescer porque o festival cresceu por causa de mais ninguém a não ser do seu público. Ou seja, o festival existia e 10 pessoas sabiam, no ano seguinte 20, no ano seguinte 100 e, portanto, o festival conseguiu fazer com que fosse por si próprio crescendo, em função do seu público e não em função de alguma entidade externa. No entanto, por muita luta que haja da parte do Fantasporto para tentar passar a mensagem, a verdade é que existem outros festivais “levados ao colo” entidades exteriores que ultrapassam o Fantas a nível de espectadores. Aqui, existe um ponto muito importante de ruptura, que é a fase Carlos Alberto e a fase pós Carlos Alberto. Na fase Carlos Alberto o festival era non-stop. Os filmes passavam até as seis da manhã e a malta dormia na sala, comia na sala, fumava na sala, bebia na sala… vivia-se o Fantasporto na sala. E isso é muito próprio do festival. Coisa que depois, no Rivoli não aconteceu.

Com o passar do tempo, o Fantas deixou de ser um festival exclusivamente de cinema fantástico. O fantástico caiu para atrair mais púbico porque havia necessidade de chamar mais público, além daquele que se identificava com a vertente de cinema fantástico, que não deixou de existir.

TV: Sendo o Fantasporto um festival altamente reconhecido, como explica que seja sediado na cidade Invicta e não na capital do nosso país?

RC: Os directores do festival são portuenses. O Fantasporto é mesmo terreno a nível local. O Fantasporto foi criado e foi concebido num café muito emblemático da cidade do Porto que era o Café Luso, que já não existe… este café deu origem ao Fantasporto enquanto local onde eles se reuniram para tomar um café ou para beber uma cerveja e falar sobre cinema. Unia-se no Café Luso todo o tipo de pessoas desde o intelectual ao político, passando pelo trafulha, até à prostituta. Havia também muita malta de letras e de artes convivia lá. Então houve o ponto essencial para a criação de um festival que nasce numa zona mesmo no coração do Porto.

TV: O Fantas é reconhecido a nível internacional. Que estratégias são utilizadas para dar a conhecer o festival fora da nossa cidade?

RC: Para fora do Porto utilizamos várias estratégias. A que utilizamos à mais tempo tem que ver com a publicação do cartaz do ano seguinte nas revistas ou jornais de cinema da especialidade, desde as mais normais até à Variety, que é apelidada a bíblia do cinema e nos considerou, de há uns anos para cá, um dos maiores festivais de cinema do mundo. Também há spots televisivos normais com imagens do festival que são enviados para uma ou outra cadeia televisiva que contém programas de cinema. O que nós temos feito de há uns anos para cá é ter um stand no festival de Cannes. Este festival decorre todos os anos não só como festival de cinema mas também como mercado, onde se compram e vendem filmes. No stand que temos em Cannes promovemos o festival e promovemos a cidade, numa tentativa de mandar para fora a nossa imagem e cativar as pessoas a conhecerem o festival.

TV: Qual é a adesão do público ao Fantasporto? Quem mais adere ao festival?

RC: Há uns anos nós fizemos um inquérito para tentar descobrir o nosso público. O nosso público é muito, muito heterogéneo, ou seja, existe gente de todas as idades e de todos os estratos sociais. Mas essencialmente é um público académico, porque é esse público, essencialmente o mais novo, que vai ao cinema. O festival divide-se em duas partes: o pré-fantas, em que os cinéfilos puros querem ir ver uma retrospectiva de expressionismo alemão, por exemplo; e existem esses mesmos espectadores que depois vão ver o filme mais underground que nós passamos lá. É muito difícil explicar mas normalmente é um público académico, culto, um público interessado por arte, um público que vai ao cinema mas que também vai ao teatro, à ópera, lê muito e que está dentro da área, mas também é um nicho de público muito especial que é gente da casa – um grupo de pessoas que já acompanha o festival desde os tempos de Carlos Alberto e naquela semana, tiram férias para o Fantasporto.

Mas no geral, o grosso do que eu vejo lá é um público essencialmente académico dos 18 aos 28 anos.

TV: Todos os anos o Fantasporto homenageia diversos realizadores. Em que bases se alicerçam estes tributos?

RC: A escolha tem a ver essencialmente com a obra do realizador e depois também tentamos ver se aquele realizador tem alguma relação umbilical com o festival. O festival já projectou para Portugal ou de Portugal para fora muitos realizadores como o Guilherme del Toro, o próprio David Lynch, uma série de realizadores que por si só, começaram a ter prestígio no nosso país. Por exemplo, imaginemos que faz agora 10 anos que o Guilherme del Toro ganhou um prémio no Fantas. Então, nós fazemos uma retrospectiva e homenageamos esse realizador.

São pessoas que marcam o festival, que marcam a agenda do cinema e então nós tentamos trazer cá ambas as vertentes sempre tendo em conta a disponibilidade deles.

TV: O cinema português também está presente neste festival. Considera importante o foco na produção nacional?

RC: Eu considero muito importante essencialmente porque a produção nacional é hedionda, ou seja, as bases eram nulas e o cinema português era feito à base de estereótipos, de pseudo intelectualidades e por isso acabávamos por ver filmes que eram tenebrosos. Acho que o papel de um festival de conseguir dizer que não a um filme português, dá logo ao realizador a ideia de ter de mudar alguma coisa no seu cinema e isso faz crescer. O cinema português é muito importante no Fantas. Temos ciclos de cinema relacionados com escolas, com a Casa da Animação… e portanto é um ponto muito fulcral trazer o cinema português para o Fantasporto. É uma maneira de saber que há mais gente que o vê, saber que ele existe, saber que está a ser produzido e, principalmente, dar um recado para quem ensina cinema saber que tem que o ensinar bem senão ele vai ser rejeitado e saber, principalmente, que nem toda a gente pode ser realizador. E saber, essencialmente, ver quais são as limitações dos novos cineastas para perceberem de que maneira é que podem contornar essas limitações.

TV: O cinema universitário é também prestigiado no Fantasporto. Porquê?

RC: O cinema universitário é prestigiado no Fantas porque é um incentivo (e se em Portugal há poucos incentivos a nível de cultura, têm que ser os privados a puxar por aquilo que o Estado não dá) e, além disso, a criação cinematográfica começa sempre nos bancos das universidades, por isso, a relação é mesmo intrínseca.

TV: Entre Fevereiro e Março de 2010, realizar-se-á a 30ª edição do Fantasporto. Além do que podemos encontrar no site do festival, que mais novidades podem ser reveladas para esta próxima edição?

RC: Nós ainda não temos nada confirmado por dois motivos: Em primeiro lugar aquilo que foi delineado o ano passado é o que está certo – os ciclos de cinema, as retrospectivas, a ideia de fazer um confronto entre a robótica e o cinema… Neste momento nós não podemos avançar nada por questões puramente orçamentais, pelo facto de ainda não estarmos com os patrocínios todos certos. Os filmes ainda estão em fase final de escolha. A selecção é feita em dois pólos: trazem-se alguns filmes do festival de cinema de Cannes, apropriados para o festival e para o nosso público; e depois é aberta a possibilidade de envio das obras para o festival, que são avaliadas por um júri composto por 5 elementos da organização, que seleccionam os filmes que passam e depois, em meados de Dezembro, está fechada a programação. A partir daí, em função da programação que temos, vamos ver os actores, os realizadores e os produtores que vamos trazer cá que sejam ligados a esses filmes, aqueles que queremos homenagear e tentamos sempre trazer mais uma ou outra surpresa mas que só em meados de Fevereiro é que temos a certeza se vêem ou não.


Hoje à noite no Grande Auditório do Rivoli

…às 21.15h, WARD NO.6 (Rus, 83 min SR), de Karen Shakhnazarov, o mais conceituado realizador russo da actualidade. “Ward no 6″ é a nomeação russa para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Baseado num conto de Tchekov, o filme relata a história do director de um hospício, progressivamente assolado pela loucura. Trailer:

…às 23.15h, DELIVER US FROM EVIL (Din -100 min CF), de Ole BORNEDAL, o conhecido realizador dinamarquês que o público descobriu no seu primeiro filme “Nightwatch” em 1994, regressa ao Fantas. Ódio e xenofobia com o sarcasmo típico dos nórdicos. Trailer:

Deliver Us from Evil será antecedido pela curta brasileira Silence And Shadows de Murilo Hauser e Henrique Martins (9 min CF)


Última hora: A Lisboa de Fernando Pessoa de José Fonseca e Costa no Fantasporto

Fernando Pessoa num dos seus já conhecidos "rituais diários".

Março, 19.15h, pequeno auditório Rivoli – Teatro Municipal

O Fantasporto exibe esta quarta-feira, 3 de Março, às 19.15h, no pequeno auditório do Teatro Rivoli, uma sessão extra com o mais recente filme de José Fonseca e Costa, cineasta homenageado pelo Fantas no ano passado. A LISBOA DE FERNANDO PESSOA tem narração de Peter Coyote, o actor norte-americano que vimos na série televisiva “FlashForward” desempenhando o papel de presidente dos Estados Unidos da América.

Escrito, adaptado e realizado por José Fonseca e Costa, A LISBOA DE FERNANDO PESSOA estrutura-se em torno de um guia que o poeta Fernando Pessoa escreveu em 1925 sobre Lisboa. O livro, descoberto apenas em 1988 no espólio do poeta, destinava-se a mostrar Lisboa aos turistas que visitassem a capital e foi redigido originalmente em inglês. No filme, mais do que mostrar monumentos, jardins, praças e ruas de Lisboa como um postal ilustrado, José Fonseca e Costa quis sobretudo prestar homenagem a Fernando Pessoa, num percurso que dá a conhecer a cidade, mas também Portugal.


First Squad e La Horde

First Squad

Pelas 17 horas do dia 27 de Fevereiro o Fantasporto propõem-nos mais uma animação, representante do género fantástico e de aventura que fazem também parte deste festival, o filme relata uma estória sobre meninos prodígio que são utilizados como armas de guerra em plena segunda guerra mundial. Entre o mundo real e o das trevas, reino dos mortos, este filme faz-nos viajar por espaços distintos, nas suas característica de violência e também de tons na imagem que apresentam. Ás tantas podemos não saber muito bem em qual dos dois nos encontramos. Em termos técnicos não é óptimo, o desenho é o tradicional manga os cenários e as texturas não apresentam nada de novo nem são muito bem trabalhadas. Um filme que poderia não se encontrar na programação que não deixaria saudades, isto, pelo menos, na minha opinião.

La Horde

Cena de destaque de um filme à "moda do Fantas"

Pela noite, às 21:15 horas, La Horde foi o filme escolhido. No início os realizadores, Yannick Dahan e Benjamin Rochér, falaram sobre o seu filme e a verdade é que este veio a revelar-se em conformidade com o que eles próprios disseram sobre o seu filme. Realizado na França onde, segundo eles mesmos “é difícil fazer filmes deste género”, é uma experiência algo incomum na perspectiva do terror que apresenta, ainda para mais num país com uma tradição cinematográfica que evoluiu num sentido diferente do género de terror, pelo menos como nós o concebemos de filmes americanos ou asiáticos, isto falando num sentido lacto.
É um bom filme, cómico, provoca gargalhadas na sala, o pessoal fica a pedir por mais, bons efeitos especiais, (vi uma caneca a explodir de uma forma que ainda não havia visto antes), propõe uma mistura de muitas coisas. Diz-se “Filme Noire”, não percebi exactamente de que maneira, acção, terror, zombies, um grupo de membros da mesma família que perdem um outro membro, morto por um grupo de assassinos profissionais e que vão parar a um prédio estranho jurando vingar-se dos que lhes provocaram tamanha dor. O problema é que o mundo transforma-se num bonito dia de domingo solarengo numa noite profunda e cheia de zombies, (isto para aí em dois minutos!). O grupo de familiares tem agora de se juntar ao grupo de assassinos que mataram o seu compadre para saírem dali com vida. Um filme à Fantas…


Hoje no Fantasporto: HIERRO

Às 21.15 no Grande Auditório HIERRO de Gabe Ibañez (Espanha – 91 min SR)

Seleccionado para a Semana da Crítica do último festival de Cannes, “Hierro” é um denso thriller psicológico sobre o sentimento de perda e os limites da dor. Durante umas férias familiares na pequena ilha de Hierro, Diego de cinco anos desaparece misteriosamente.