Especial Rascunho e JUP

Wonderful Days e Fausto 5.0, regressos antes do arranque oficial

No dia 25 de Fevereiro o Fantasporto proporcionou mais uma sessão dupla de filmes que fazem parte das projecções que antecedem a abertura oficial do festival. Nesta visionámos os filmes Wonderful Days, de Moon-saeng Kim, e Fausto 5.0, de Álex Ollé e Isidro Ortiz.

Wonderful Days de Moon-saeng Kim

Wonderful Days, inserido na secção “Robótica e Cinema”, é um filme de animação sul-coreano que conta a história de uma cidade futurista que se alimenta e cresce à custa da poluição do mundo. A narrativa do filme não se apresenta fora do comum, a relação entre dois personagens apaixonados que juntos tentarão mudar uma sequência de acontecimentos que se prevêem inevitáveis e destrutivos. Dotado de uma boa composição em termos de textura dos cenários e de movimentos de câmara – que na animação se tornam possíveis de uma forma única e diferente dos formatos tradicionais cinematográficos – o filme encontra-se do ponto de vista técnico muito bem conseguido. É ainda utilizado um cruzamento de técnicas entre o 2D e o 3D. As personagens desenhadas de uma forma tradicional e exemplar da anime asiática, principalmente da japonesa, colocam o filme num género mais ou menos definido. Um filme que retrata algumas das preocupações actuais em relação ao ambiente de uma forma futurista. Algumas das sequências dos acontecimentos estão, na minha opinião, algo mal explicados e acontecem um pouco inesperadamente, mas esse não seria, de qualquer forma e em príncipio, o objectivo do filme. Uma boa experiência visual em termos técnicos e da percepção dos espaços físicos que envolvem toda a aventura.

Fausto 5.0 de Álex Ollé e Isidro Ortiz

Nova leitura do mito de Fausto, o homem que vende a alma ao diabo, em busca da imortalidade. (Foto: Fantasporto)

Fausto 5.0, o segundo filme da noite, revelou-se uma boa surpresa. Uma estória de um doutor cirurgião abatido pelo stress da vida e que deixou de apreciar os momentos mais simples desta encontra um ex-paciente seu, a quem tinha retirado o estômago. À partida teria sido impossível a este paciente viver mas a verdade é que ele persegue o médico durante todo o filme e vai fazer com que este descubra e passe a olhar a vida de outra forma. O médico irá até, pelo menos, até perto do final, desconfiar deste homem que parece estar em todos os sítios de forma imprevista e inexplicável sempre pronto a “realizar os seus desejos”.
O filme apresenta-se bastante rico em pequenos pormenores ao longo de toda a acção sendo muitas vezes esta acompanhada de situações caricatas, divertidas e por vezes bizarras. Um filme surpreendente sobre a descoberta de pontos de vista positivos da vida e que nos deixa um final de certa forma em aberto.

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