Especial Rascunho e JUP

Segundo dia e mais uma sessão dupla

No segundo dia do Fantasporto 2010,  o Grande Auditório do Rivoli contou com uma sessão dupla de filmes. Com início pelas 21h30 os filmes apresentados foram Tetsuo 2 The Cyberpunk, de Shynia Tsukamoto, e Cronos, de Guillermo del Toro.

Tetsuo 2 – The Cyberpunk

O primeiro filme faz parte da secção «Cinema e Robótica» existente este ano no festival. Trata-se de uma experiência inquietante e perturbadora de imagens e sons. Sendo filmado com uma camâra quase sempre a uma velocidade vertiginosa, onde os sons incomodativos acompanham toda a acção, é um filme que apresenta uma tonalidade sempre fora do comum, ora marcado pelos altos contrastes de azul ora por contrastes mais amarelados.

Tetsuo II (Foto: Fantasporto)

O universo cinematográfico, e também cultural, japonês remete-nos muitas vezes para a relação homem-máquina. E não só o homem está ligado à máquina como o homem é a própria máquina e esta reproduz as suas vontades e desejos mais profundos. Mas existe também o outro lado da questão, a dúvida que assombra os desejos humanos, as questões que colocará o homem-máquina a si próprio num futuro. Não se trata apenas de ter a maior arma de todas, ainda que grande parte do filme viva disso, da troca de tiros com metralhadoras e bazucas gigantes, e ainda bem porque é a isso que o filme se propõe também, trata-se de estar tão intimamente ligado com o desejo destrutivo humanos que a arma se torne uma extensão natural da brutalidade agressiva existente em nós. Isto levanta toda uma série de questões relativamente ao que nos move enquanto criaturas pensantes e que se aniquilam a si próprios. A paisagem citadina é uma constante, a maquinação do sujeito, os cenários sujos e degradados pela destruição bélica.

O filme é ainda uma experiência do ponto de vista da montagem, talvez não só da montagem, da noção de sequências dos planos. Sempre a grande velocidade apresenta imagens aleatórias de texturas, stop-motion e película que parece riscada e que lhe atribui um efeito específico e bizarro. Um bom filme, uma experiência aterradora de um grande realizador do fantástico actual.

Cronos

O segundo filme – Cronos, de Guillermo del Toro – apresenta-nos uma estrutura narrativa mais linear, existe uma história que tem um propósito de apresentar uma série de acontecimentos um pouco mais específicos. Um inventor constrói a máquina da imortalidade, o resto já se adivinha; luta entre dois homens pela máquina com todas as intrigas possíveis pelo meio e ainda a morte e a ressuscitação de um deles.

É um filme incluído no conjunto de «Vencedores Fantasporto» de anos anteriores. Neste caso, ganhou um Grande Prémio, Prémio Melhor Actor e Prémio do Público em 1984. Um filme interessante onde um imaginário um pouco mais adulto reina. É o primeiro filme de Guillermo del Toro, que realizou Hellboy e O Labirinto de Fauno, por exemplo e para ilustrar alguns dos mais conhecidos.

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