Sede de sangue e sala cheia em “Thirst” de Chan-wook Park
Numa altura em que já começamos a estar todos cheios de filmes, livros e sabe-se lá mais o quê sobre vampiros estes podia ser só mais um filme de vampiros, não fosse mais uma vez a inspiração genial de Chan-wool Park. Filme com presença no Festival de Cannes e com cartaz censurado na Coreia do Sul esgotou ainda durante a tarde o Grande Auditório do Rivoli.
Um padre em busca da solução última de salvação das almas que se submete a uma experiência clinica, ao estilo de um São Francisco de Assis dos tempos modernos, onde acaba por se submeter a uma transfusão de sangue para lhe salvar a vida. É dado como morto e ressuscita com uma incontrolável sede de sangue humano, uma enorme força física e vigor sexual, a segunda aquisição incompatível com a batina que acabará por largar. Park volta à sátira sobre os valores e sobre a condição da vida humana. Uma reflexão sobre sentimentos e sobre as diferentes formas de amor e ódio.
Fotografia de excelente qualidade, pormenores, trabalho de actores e algum surrealismo e muita expresão e claro a marca de imagem do realizador nos contrastes de sangue com ambientes alvos onde castidade e vida se confrontam com sexo e morte. O que resta: corpos no seu processo físico de destruição que, no entanto, não apresentam qualquer perspectiva de fim. Por aí o final do filme – que não vou revelar, não deixa de inferir, vai romper a noção de destruição infinita, ao mesmo tempo que revela um projeto que, por muitas vezes, acaba por se esquecer do todo.




