Crítica: «Vanaja», de Rajnesh Domalpalli
Pensado como trabalho de conclusão de curso na Universidade de Columbia do realizador Rajnesh Domalpalli, Vanaja é a história de uma menina com o mesmo nome a entrar na adolescência.

A descobrir o mundo e o seu corpo, vive numa situação financeira difícil. Carregando a responsabilidade de sustentar o seu pai viúvo, pescador e alcoólico, cedo abandona a escola e vai trabalhar para uma senhoria. Encantada com as danças Kuchipudi e com a esperteza de uma menina adulta, consegue convencer a sua senhoria a ensinar-lhe música e a dançar. Quando tudo parecia correr bem, é com a entrada do filho da senhoria que tudo se complica. Violada e grávida fica à mercê da sua própria sorte, contrariando o que lhe tinha sido dito numa leitura de mão. Astuta, tenta ir recuperando a parte da sua vida que a faz mais feliz – a dança – mas as contrariedades não param e aprisionada pela sua situação social vê a sua tragédia pessoal culminar na morte do pai.
Este filme é um excelente retrato de uma Índia rural e do seu sistema de castas. O argumento lembra a escrita de Dickens. A pobre menina acolhida pela família rica é também um grampo de ficção vitoriana. Mas Vanaja vive sempre no momento, crescendo a partir de uma história simples para o complexo, proporciona-nos uma heroína. Vanaja, não sendo o típico filme indiano, termina de uma maneira muito indiana, confiando na sorte e na fortuna, acreditando que há uma maré nos assuntos dos homens.



