Marcelo Galvão: «Temos que fazer bons filmes comerciais»
Em entrevista exclusiva a partir de São Paulo, o realizador Marcelo Galvão fala ao JUP/RASCUNHO sobre o processo de construção de Bellini e o Demónio, a relação entre cinema empreendedor e cinema sustentável, e o intercâmbio de produções cinematográficas entre o Brasil e Portugal.
Galvão é graduado em Propaganda e Marketing pela Fundação Armando Alves Penteado e em Cinema pela New York Film Academy, e já tem na bagagem filmes como Rinha (apresentado no último Festival de Cannes) e Lado B: Como fazer um longa sem grana no Brasil.
O que pode esperar o público de Bellini e o Demónio?
Um filme com imagens fortes e viscerais, onde o demónio não tem rabo nem chifre, mas está presente na loucura dos nossos mais íntimos desejos. Além disso, o público irá perceber um trabalho de direcção de actor intenso, com uma resposta incrível do Fabio Assunção.
Como surgiu o convite para dirigir o filme?
Um grande produtor e amigo meu, Marçal Souza, me apresentou Theodoro Fontes, o produtor de Belline e o Demónio. Depois de uma grande conversa num restaurante, ele contratou-me para escrever o roteiro do filme e para ser o realizador. Acabei no final de tudo sendo também co-produtor, pois tive que colocar dinheiro para terminarmos o filme.
Em algumas entrevistas, você afirma que Bellini e o Demónio possuía um fio condutor mais visceral, no estilo de David Lynch e Cronenberg, e que o produtor descaracterizou essa linha orgânica. Esse é um dos grandes entraves ao ser um realizador contratado?
Depende dos contratos que são feitos. Fui muito ingénuo em aceitar entrar neste filme sem ter a liberdade de poder montá-lo. Desta forma escrevi um roteiro e dirigi um filme para um tipo de montagem que não aconteceu. Resultando assim em algo banal e sem coesão, um filme com imagens fortes, mas desconexas. Quando você repete 10 takes numa cena não é à toa, é porque você sabe que em várias delas houve algum problema. Então, como alguém pode montar um filme sem saber que problemas viu o realizador naqueles takes todos? Às vezes o começo do take 3 e o final do take 2 complementam-se, mas só o realizador sabe disso, é o único que tem o filme todo na cabeça. Outra forma de se fazer filmes é escrever, dirigir e entregar tudo ao produtor, mas sendo muito bem remunerado por isso, o que também não foi o caso.
Os seus dois filmes com maior repercussão internacional (Rinha, que participou do Festival de Cannes, e Bellini e o Demónio, que participa agora do Fantasporto) não seguiram propriamente os seus objectivos ideológicos. Como remar contra a maré, se para se manter é preciso fazer filmes de puro entretenimento ou que mostram pobreza e violência quando, na verdade, o que se quer é produzir filmes que revelem a «podridão da burguesia», como já afirmou?
Rinha ainda não foi lançado nos festivais internacionais. Levámos o filme apenas para o mercado em Cannes para sentir a recepção dos buyers, que por sinal foi muito boa. Terminámos o filme agora e ele está bem diferente, com uma hora a menos e com o som e as imagens totalmente finalizadas. Rinha seguiu os meus objectivos ideológicos: foi feito como imaginei e concebi; ao invés de fazer um filme de luta no estilo O Grande Dragão Branco, desenvolve-se num universo de bizarrices reais e ao mesmo tempo absurdas, servindo de questionamento do status quo dessa sociedade burguesa sem limites. Já Belline [e o Demónio] não seguiu os meus objectivos ideológicos por entrave do produtor, pois foi escrito e filmado para isso.
Como transformar o cinema empreendedor, voltado para o circuito tipicamente comercial, em cinema sustentável, em que não se depende de subsídios estatais nem industriais?
Dentro da realidade brasileira, onde não existe indústria cinematográfica, onde o número de salas de cinema é bem inferior ao de muitos países menores que o nosso, a saída mais rápida é diminuirmos os custos de produção, escolhendo roteiros mais simples e ao mesmo tempo mais interessantes. Um bom exemplo é o meu primeiro filme, o Quarta B, feito com 12 mil dólares, que ganhou a Mostra Internacional de São Paulo pelo júri popular.
Bellini e o Demónio é o único filme brasileiro no Fantasporto 2009. Faltam filmes no Brasil que se adeqúem ao universo do cinema fantástico?
Acredito que a maior parte dos filmes brasileiros fogem a essa temática do universo fantástico, porém temos que lembrar que todo festival tem o seu critério de escolha. Não podemos dizer que por Belline e o Demónio ter sido o único filme brasileiro do Fantasporto 2009, faltam filmes brasileiros que se adeqúem a esse universo.
O filme é uma adaptação do livro homónimo de Tony Bellotto. Quais os aspectos importantes ao fazer-se uma adaptação, tendo em vista que a linguagem literária e a linguagem cinematográfica possuem peculiaridades intransferíveis?
O principal numa adaptação literária é entender bem a narrativa da história, os objectivos e valores de cada personagem e tentar trazer isso para o filme com um ritmo que prenda o espectador. O aval do escritor é uma boa dica de que o caminho está certo.
Bellini e o Demónio é uma sequência de Bellini e a Esfinge, dirigido por Roberto Santucci Filho em 2001. Quando se tem em mãos a continuação de uma obra, as cobranças são maiores por haver comparações?
Acredito que não, a não ser quando a obra anterior se torna uma grande referência.
«Filme de paixões cinéfilas e de livros de cordel», é como se inicia o breve texto sobre o filme no catálogo do Fantas. O cordel é uma tradição originária de Portugal, e agora o filme leva aos portugueses aspectos do cordel sob uma concepção brasileira. Hoje temos uma visão cultural «digerida» daquilo que foi há muito as nossas raízes?
Acho que sim. As informações reciclam-se a todo o momento e desta forma surgem coisas novas, que acabam com o tempo enraizando e tornado-se referências de uma nova sociedade.
De que maneira festivais como o Fantas podem auxiliar no intercâmbio de produções cinematográficas entre o Brasil e Portugal?
Servindo de vitrina para que ambos os países conheçam melhor o cinema que está sendo feito em cada território e assim estreitando relações de co-produção entre os dois países.
Assim como você, muitos cineastas hoje possuem uma formação inicial em Publicidade e Propaganda, começando a carreira como redactores publicitários. Como a bagagem adquirida nessa área intervém na construção de tua linguagem cinematográfica?
Dá experiência na construção de histórias com começo meio e fim, mesmo que estas tenham apenas 30 segundos. Além disso dá-lhe um grande critério com relação ao nível de produção que deverá exigir-se para um filme, cerca-o com enorme repertório das mais diversas referências de linguagem e amplia o seu network com os melhores profissionais da área, já que, no Brasil, praticamente é a publicidade que sustenta os técnicos do cinema.
Em 1999, vendeu o seu carro e foi estudar cinema na New York Film Academy. Para se sustentar, ganhava a vida como lutador de Jiu-Jitsu. A importância dessa experiência está reflectida na visão crítica diante de um cinema cada vez mais afunilado ao entretenimento? Estudar em grandes centros é mais relevante para se aprender a fazer cinema ou para se ganhar projecção?
Acho que o cinema tem que ser sempre entretenimento, pois é feito para que outras pessoas assistam. Isso não quer dizer que por ser um filme comercial tem que ser ruim. Quantos filmes excelentes conhecemos que são líderes de bilheteira: Cidade de Deus, Little Miss Sunshine, Forrest Gump, etc. Não podemos fazer é apenas filmes comerciais, temos que fazer bons filmes comerciais. Quanto à segunda parte da pergunta, estudar é sempre bom, seja em grandes ou pequenos centros, mas só se aprende cinema, fazendo cinema. E quando se faz um cinema bom, aí sim ganha-se projecção.
No universo do fantástico, vê-se cada vez mais filmes em que a linha entre o real e o ficcional é ténue. Isso também pode ser visto nos teus filmes?
Sim, gosto de brincar com o real e o ficcional de forma a fazer com que o espectador participe do filme. Acho que o bom filme só se completa com a interacção do espectador. Não existe um certo ou errado, é como um quadro, cada um interpreta a obra da sua maneira e isso é o que mais gosto no cinema.
Não incomoda muitas vezes um filme ser mais conhecido por ter determinado actor ou actriz do que pela obra em si, com toda a complexidade que uma produção cinematográfica sugere?
Acho que não. Num filme existem inúmeros elementos para serem apreciados. Cabe ao espectador escolher qual ou quais deles lhe agrada mais.




Cara Manaíra Athayde,boa noite cheguei à pouco de Portugal/Oporto do FANTASPORTO algo que me deu enorme prazer,gostaria de primeiro
lhe perguntar se você teve à chance de assistir o FILME?? Se assistiu você gostou??Você participou da coletiva?? Eu não me lembro de você lá??
Sobre a intrevista do Sr Marcelo Galvão tenho alguns comentários:
Acho o trabalho de direção,bacana o trabalho do Fábio nem preciso comentar ele já
foi Premiado com o filme! isso mostra que o trablho do PRODUTOR foi bem feito na escolha do diretor,acho muito bom dar chance a novos talentos!!!!
Importante que as pessoas entendam que o filme
tem vários detalhes que tem que ser levado em consideração!como comercialização e distribuição por exemplo,isso é um conjunto de
fatores que o PRODUTOR tem que levar para a mesa de negociação,por isso eu entrei na montagem por discordar do que me foi apresentado pela equipe do diretor.
O Sr Marcelo Galvão diretor contratado para
dirigir e comissionado para reformar e re-roterizar um roteiro original escrito pela jornalista e historiadora Marisa Ferrari,tenho
uma opinião sobre o meu trabalho e de como os outros tem que fazer o seu!o filme só fica pronto quando eu acho que ele está pronto junto com o Distribuidor,eu tenho neste filme em particular o crédito de montador e editor com o Sr Eduardo Queiroz o Bellini É uma saga
feito e criado para o cinema por mim em 1995!
com o primeiro ganhei melhor filme do Fest Rio
em 2001,acho que o resultado final está lindo
longe de ser banal COMO COMENTADO ACIMA ou qualquer coisa parecida!!ALI ESTÁ O MELHOR.
Diretores sempre se acham acima de tudo mais existe sempre os contratos!! lá eles dizem as
obrigações de cada um,durante todo o processo
de Filmes que eu produzi e idealizei,eu captei todos os recursos!!
e fiquei a frente até seu lançamento,isso é o Produtor trabalhando pelo
sucesso do filme!!podemos ver bem o significado deste trabalho de produtor entrega dos OSCAR’S o mais famoso premio do cinema mundial,a última mais importante estatueta fica com o PRODUTOR!!!.E é muito importante frizar isso,e que este filme é sim uma seguencia do primeiro e como o Bellini e os Espiritos pode vir a ser filmado que será o terceiro e derradeiro da série,continuação
é algo que começa a ser explorado aqui no Brasil.
Cara Manaíra Athayde qualquer outra informação sobre o filme qualquer que seja fique livre para entrar em contato comigo,neste e-mail ai.Algo que lembrei e muito importante,o filme BLADE RUNNER de Riddley Scott LANÇADO NO FANTASPORTO foi lançado versão do Produtor só depois de muitos anos que o diretor conseguiu autorização para mostrar sua versão.
26 de Fevereiro de 2009 at 1:23
eu sempre quis fazer um filme e eu acho muito intrressante eu fiz aulas de teatro,fiz apresentacão em escolas e eu acho o maxímo faser filme
8 de Junho de 2010 at 14:29