Crítica: «Next Floor», de Denis Villeneuve
Next Floor, realizada pelo canadiano Denis Villeneuve, é uma estória, que, embora pequena, é arrepiante, não pela fantasia, mas antes pelo contrário, pela forma como é tão próxima à nossa sociedade, de consumo, que procura ser o que é, o que não é, e tudo que está entre estes dois.
Durante um jantar, um digno banquete, que nos remete aos The Cook, The Thiefe, His Wife and Her Lover, de Peter Greenaway, as personagens embarricam-se com comida e mais comida, por gosto, por jeito ou por vergonha, enfardam sem que se sintam mal dispostos, numa atitude de consolo. Este é um filme que esteticamente é muito bonito e bem construído, os efeitos são muito bem disfarçados e as personagens minimalistas e muito bem caracterizadas. A realização é muito cuidada, muito bem apresentada, fotograficamente muito bem tratada a luz. O argumento leva-nos para uma reflexão social.
Estes seres a comer desta forma são equiparáveis à nossa sociedade onde procuramos absorver tudo, quanto mais melhor, sem olharmos para a qualidade. No filme é-nos apresentado esta questão com cérebros de animais, a serem devorados sem limites. A queda entre piso poderá ser a nossa descensão social, pela força que vamos perdendo, pela falta de confiança. E quando somos confrontados com uma mulher a chorar, pensamos que vai parar, mas não, para que não seja descriminada, pelos restantes, come as lágrimas, junto com os miúdos, dos veados que chegam inteiros à mesa. A figura mais importante que nos aparece, para justificar a evolução, é um senhor sósia do Charles Darwin.
Uma curta que poderá sair vencedora deste festival.



