Especial Rascunho e JUP

Crítica: «Virus Undead», de Wolf Wolff e Ohmuthi

virus-undeadOs zombies voltaram a invadir o grande auditório do Rivoli com a projecção de Virus Undead, uma película de homenagem ao mestre do suspense da sétima arte, Alfred Hitchcock, e a uma das suas obras mais emblemáticas, The Birds (1963).

A premissa é simples: depois de alguns anos fora, Robert Hansen volta à sua terra natal com mais dois amigos – Patrick, um playboy com cabelo à James Dean, e Eugen, o nerd do grupo – para reclamar a herança do avô, Herbert, que morrera vítima de um estranho ataque de pássaros. Pelo caminho o trio cruza-se numa bomba de gasolina com duas raparigas – Marlene, a ex-namorada de Robert, e a sensual Vanessa – que se juntam ao grupo numa festa na antiga mansão do professor Herbert, situada num lugar ermo e afastada do centro da povoação. Tudo parece correr de feição até que alguns pássaros, portadores de um vírus desconhecido, começam a tombar do céu e a infectar algumas pessoas.

virusundead41Está assim lançado o cenário para a propagação do vírus e para o sempre esperado e inevitável ataque de zombies em manada. Contudo, o que se segue é mais do mesmo: personagens peculiares, como o polícia ou o bad boy da vila, que se transformam em zombies e teimam em não morrer mesmo depois de alvejados com vários tiros e de atingidos com vários golpes de machado, a inevitável infecção de uma das personagens principais que depois se vira contra os seus amigos ou a luta desproporcional entre a sexy-girl da fita com um grande decote contra vários zombies alucinados.

Ao contrário do que a maioria das sinopses preconizava, o filme, da dupla de realizadores alemã Wolf Wolff/Ohmuthi, não é um filme de ataque de pássaros, mas um típico filme de zombies, na linha de títulos maiores deste género como The Dawn of the Dead, de Zack Snyder, ou 28 Days Later, de Danny Boyle, cineasta este que venceu o Fantas de 95 com Shallow Grave e que, este ano, concorre aos Óscares com Slumdog Millionaire. Todavia, há uma grande diferença entre estes últimos títulos de zombies e Vírus Undead – o orçamento que, neste caso, torna o mais recente trabalho de Wolf Wolff e Ohmuthi num filme de pura série B.

Em suma, apesar de contar com algumas personagens bens construídas (Eugen é sem dúvida aquela que mais se destaca no elenco) e com algumas cenas bem conseguidas que arrancaram alguns sorrisos e aplausos da plateia, Virus Undead parece, à partida, uma carta fora do baralho na Secção Oficial de Cinema Fantástico.

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