Especial Rascunho e JUP

Crítica: «The Listening Project», de Joel Weber e Dominic Howes

«What does the world think of America?» é o mote para o segundo documentário de 76 minutos de Joel Weber e Dominic Howes. Depois de Awakening, em 2005, a dupla proprietária da Rikshaw Films debruça-se sobre a opinião do resto do mundo acerca do impacto planetário inegável dos EUA.

20071213_listen_2Vencedor de quatro prémios de Melhor Documentário em 2008 (Santa Cruz Film Festival, Durango Independent Film Festival, Oxford Film Festival, Omaha Film Festival), The Listening Project faz jus ao nome: é um documentário onde quatro «ouvintes» (listeners) viajam por 14 países (Canadá, México, Brasil, Japão, Palestina, Israel, Rússia, Índia, Afeganistão, Tanzânia, África do Sul, China, França e Reino Unido) e lidam com as estórias e opiniões pessoais de diferentes culturas. Não são jornalistas nem especialistas da área, têm passados completamente diferentes e um ponto comum: as suas vidas sempre cruzaram, de alguma forma, causas sociais.

As opiniões, apesar de diferentes, não são assim tão díspares como poderíamos esperar – não esquecer o passado histórico dos países em questão e as ligações políticas dos mesmos à «Grande Nação». O binómio «amor/ódio» é comum. As acusações roçam os mesmos pontos: a arrogância dos EUA, a manipulação dos mass media, o possível declínio do império americano, a irónica discriminação, ignorância e desrespeito da Nação que mais se orgulha da sua democracia, e outrora melting-pot, pelas outras culturas; o apoio económico americano sempre presente ao longo da história como solução vs. ausência de educação basilar, o desprezo por países que acabam por alimentar as multinacionais americanas lá sediadas.

Visualmente notável, este documentário cuja fotografia e edição (280 horas de captação) merecem elogios, a ênfase conseguida pela edição realça as diferentes culturas investigadas, sem nunca ser o típico doc «talking-head». Com o risco de cair no lugar comum das questões levantadas após o 11/9, o desfecho, que poderia revelar-se desta forma minado, recai sobre a velha questão: a culpabilização das forças político-económicas americanas e não das pessoas.

Deixar uma Resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>