Especial Rascunho e JUP

Crítica: «O’Horten», de Bent Hamer

O’Horten, filme do canadiano Bent Hamer, conta a história de um maquinista, Odd Horten reservado e sem grande vontade de ser o centro das atenções, que está numa nova fase da sua vida, a reforma. Uma reforma muito atribulada, com mais energia, ou mesmo com mais peripécias que a própria vida laboral. A reforma vista como uma libertação que nos deixa, depois de uma fase rotineira da nossa vida, sem chão e por isso procuramos uma ignição para uma nova vida.

ohorten-39A procura de adrenalina na aventura do carro, conduzido por o desconhecido de Odd, com um capuz, ao longo de uns metros, que termina na morte do condutor, como se fosse a última coisa a fazer na vida. Uma vida com responsabilidades, neste filme mostrado com a personagem cão, que depois de tudo foi como de um novo elemento a cuidar a tratar, como se de um filho se tratasse.

Tecnicamente o filme está muito bem feito, antes de mais com muito espaço para a reflexão, espaços que neste filme fazem sentido, devido à componente sócio — reflexiva. A fotografia está muito bem tratada, os brancos e pretos, provocados pela neve e pelos túneis, respectivamente, mostram-nos uma vida monótona, sem grandes surpresas, monotónica emocionalmente. A realização é digna de uma chamada de atenção, pela limpeza, a narrativa é-nos apresentada sem falhas, o que nos convida a entrar na história. Uma cena inicial onde Odd coloca um pano em cima da gaiola do pássaro remete-nos para o O Meu Tio, de Jacques Tati, que quando abria a porta, com o reflexo, fazia a luz chagar a um pássaro que cantava.

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