Crítica: «Idiots and Angels», de Bill Plympton
Um negociante de armas frequenta todos os dias o mesmo bar. Olhos pesados, corcunda, sempre a fumar e a beber: os aspectos físicos denunciam o carácter imoral, corrupto e violento do protagonista. Um belo dia, o homem percebe que lhe está a crescer, nas costas, um par de asas que possui vida própria. A bondade e a justiça das asas fazem o homem tentar livrar-se, sem êxito, daquele fardo que outrora lhe parecera um grande bónus. As asas nascem para aproximar o anti-herói da mulher que ama, a esposa do dono do bar, e acabam por tornar-se o objecto símbolo da redenção do homem.
Bill Plympton constrói um belo filme de animação, no sentido mais clássico e estético a que a palavra belo possa ascender. É uma leitura muito peculiar de fábulas que permeiam a memória colectiva. A construção do enredo até parece uma continuação da alegoria da Parelha Alada, de Platão. Nesta alegoria, o homem fez tantas coisas erradas que as suas asas perderam as forças e, sem elas para o sustentar, o ser humano caiu no mundo das sombras, condenado a pairar apenas pelos espectros da verdade.
Plympton devolve ao homem as asas neste mundo sombrio de excessos – grosseria, perversões sexuais, corrupção, ambição desmedida. E todas essas violações estão subordinadas a uma: o excesso de liberdade leva o ser humano a ignorar os seus próprios limites, o que culmina em solidão e escárnio.
Em termos estilísticos, o filme é sóbrio e elegante. O tom lírico (e por vezes onírico) é preservado em meio a cores mornas e a um traço de desenho denso, com muitos rabiscos e um acabamento prodigioso. A trilha sonora é um espectáculo à parte, inclusive com a participação de Tom Waits.










aaahhh… eu queria ter visto este!!! A ver se o apanho no domingo, com sorte.
Tom Waits, muito bom!
27 de Fevereiro de 2009 at 17:12
Lindoooooooooooooooo
12 de Dezembro de 2010 at 2:33