Especial Rascunho e JUP

Crítica: «Hansel & Gretel», de Lim Pil-Seong

hansel_gretel_001Um jovem nervoso fala ao telemóvel e tem um acidente de carro. O princípio poderia ser o de uma qualquer banal história de drama. Quando acorda do acidente é conduzido por uma angelical jovem até uma casa onde tudo é demasiado e assustadoramente infantil. Por toda a casa brinquedos, as refeições são sempre doces e quando algo parece correr mal rapidamente é resolvido de forma misteriosa por uma das crianças.

Eun-Soo passa todo o filme a tentar fugir daquela casa mágica mas a floresta trá-lo sempre de volta. Nunca se resignando ao que parece ser o seu destino vai confrontando os miúdos com os acontecimentos que se desenrolam quer no tempo do filme quer pela introdução de histórias em subtexto. A morte de todos os adultos que passam pela casa, os labirintos que se reproduzem da floresta até ao sótão deixam antecipar a trágica história daqueles três irmãos.

hansel_gretelNo fim Eun-Soon percebe que ele próprio é personagem daquela história que salta de um livro infantil para a realidade. Ele próprio herói faz um exercício catártico da sua vida e percebe onde é o seu verdadeiro lugar encontrando assim a fuga daquela casa.

Na base deste filme o imaginário dos contos infantis não só de Grimm mas de toda uma estética associada a este tipo de estórias. Lim Pil-Seong é o realizador deste filme que conseguiu atrair a critica e ser nomeado como o stand-out coreano deste ano. A sugestão de violência é sempre psicológica contrariando o que são alguns exemplos a que estamos habituados a ver do cinema coreano. São 116 minutos bastante intensos e emocionais com um excelente trabalho de fotografia e uma banda sonora que nos embala transportando-nos para dentro do filme.

One Response

  1. Manaíra Aires

    Para mim, dois grandes filmes do Fantasporto 2009 vieram da Coréia do Sul: “The Chaser” e “Hansel e Gretel” supreenderam-me pelo ótimo enredo e pela meticulosa articulação. Cada um dos filmes possui níveis técnicos e termos estilísticos distintos, mas em uma coisa convergem: deixam uma outra marca da Coréia que até então eu desconhecia… E mostram que para fazer um bom filme “fantástico” não se precisa da violência gratuita de muitos filmes que eu ando assistindo no Fantas.

    27 de Fevereiro de 2009 at 12:30

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