Crítica: «The Escapist», de Rupert Wyatt
Por Carlos Daniel Rego| Março 5, 2009 | Sem Comentários
A 19ª Semana dos Realizadores do Fantasporto contou, este ano, com mais uma boa surpresa do velho continente, o refinado The Escapist, do realizador francês, radicado em Londres, Rupert Wyatt.
The Escapist dá-nos a conhecer a história de Frank Perry (Brian Cox), um presidiário, condenado a prisão perpétua, que decide fugir da prisão quando recebe a notícia de que a filha está com graves problemas de toxicodependência. Perry começa então a reunir uma equipa de presidiários, cada um com os seus talentos, e a elaborar um plano de fuga. (A forma como planeiam a evasão é bastante original: a cena passa-se numa mesa de dominó em que as peças representam os obstáculos que o grupo terá de ultrapassar para atingir o seu objectivo.)
Numa primeira fase, o filme vive muito do aspecto visual e sonoro, passando-se um largo tempo quase sem falas das personagens, mas, mesmo assim, com grande dinamismo.
Para além de um final notável, a magia do filme reside no período de tempo em que decorre a fuga, que nos é mostrado, à boa maneira de Lost, durante o decorrer do enredo, não em flashbacks, mas flashfowards. The Escapist ganha ainda muito com as grandes interpretações, não só de Brian Cox, que ganhou o Prémio de Melhor Actor no Fantas, mas também de Joseph Fiennes e Steven Mackintosh.
Para quem gosta de filmes de fugas de prisões, The Escapist é um filme a não perder: introduz um novo conceito neste género – a fuga de consciência.
De olho em 2010
Por Manaíra Athayde| Março 4, 2009 | Sem Comentários
Não foi esta edição de 2009 o que mais se comentou nos últimos dias do Fantasporto. O assunto a respeito do futuro do festival perpassou pela direcção do evento, pelos media e pelo público.
No discurso de encerramento, na noite de 28 de Fevereiro, o director do Fantas, Mário Dorminsky, afirmou que o festival pode estar a correr o perigo se 80 por cento do orçamento continuar a ser coberto por patrocinadores privados. Dorminsky fez apelo à SuperBock – «que vem sendo o nosso papai e a nossa mamãe» –, cujo contrato de três anos acabou neste festival, e ao Ministério da Economia (revezando com o apelo feito ao Ministério do Turismo no discurso de abertura realizado por Beatriz Pacheco Pereira), para que emita mais subsídios para os festivais, pois «são eles que ainda sustentam grande parte das actividades culturais e ainda ajudam a divulgar o turismo da região Norte».
Durante os quinze dias de ecléctica programação, corroborando um Fantas cada vez menos focado no nicho do universo fantástico, foram mais de 50 mil espectadores com bilhetes, além dos 150 lugares reservados em cada uma das 50 sessões realizadas, considerando apenas o Grande Auditório do Rivoli.
Apesar do aumento de espectadores na ordem dos 17 por cento, fica a dúvida de como serão angariados os quatro milhões de euros necessários para realizar o festival com a mesma qualidade deste ano. A 30ª edição do Fantasporto será realizada entre 26 de Fevereiro e 6 de Março de 2010. O período pré-Fantas será dedicado à Ciência e à Robótica. «Será uma festa menor, mas iremos fazê-la com a mesma alegria e determinação que nos fez chegar a 30 anos na direção desse festival», completou Beatriz Pereira. Agora é esperar para ver.
Malu Mader divulga estreia como realizadora no Fantasporto
Por Manaíra Athayde| Março 4, 2009 | Sem Comentários
A actriz Malu Mader esteve no Fantasporto e fez questão de divulgar o primeiro filme em que actuou como realizadora, apesar de não o exibir no festival. Contratempo foi lançado no segundo semestre do ano passado e já participou de eventos como a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O documentário vem conquistando críticas positivas, para surpresa da actriz, que confessou ter pensado que seria condenada pela crítica por ser uma «actriz que se meteu a ser realizadora», como afirmou de maneira descontraída. De grande simpatia e firmeza na fala, Malu Mader revela as novas directrizes para a sua carreira e a sua relação com o seu próprio trabalho e com os media.

Malu Mader com Tony Bellotto (Foto: José Ferreira)
O que pode esperar o público de Contratempo?
É um filme sobre jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro, que pelo desejo de mudar o destino foram atrás de um projecto de música erudita e foram seleccionados para esse projecto, o Villa-Lobinhos. Nem sempre essas mudanças nas vidas deles aconteceram da maneira prevista, mas muitas vezes sim, porque eles desejaram mudar esse destino. Por acaso o filme tem emocionado bastante, tem feito rir, tem feito chorar… Não foi a intenção passar mensagem nenhuma, nem moral, nem final, mas eu tenho achado que ele merece ser visto por muitos jovens de escolas, de favelas.
Então foi um filme prazenteiro de fazer…
O filme ficou com um sentido muito afirmativo, muito positivo, os meninos são muito positivos, eles têm bons sentimentos, eles têm muita vontade. Acho que quando você deseja realmente alguma coisa e sonha isso tem que ser visto por outros jovens que estão ali, em terrenos escorregadios como os da favela, entendeu? Acho que, de alguma forma, é importante que outros jovens que estão perigando ali vejam. Não foi feito com essa intenção, mas agora que está pronto acho que merece ser visto por outros jovens que estão nessa mesma situação.
Porquê sair de frente das câmaras para dirigir este documentário?
Já tinha vontade de dirigir há bastante tempo, mas achava que ia dirigir filmes de ficção, dirigir actores, criar histórias… Porque dentro da minha cabeça há milhões de personagens e histórias que tenho vontade que tomem forma. Só que nem sempre você é que escolhe as coisas, as coisas te escolhem também. O documentário aconteceu antes do filme de ficção e, agora que o consegui realizar, fiquei feliz com ele, senti-me realizada, fiquei muito estimulada. Estou tentando escrever um filme de ficção, que já é um segundo passo, e estou muito apaixonada com isso. Fica todo mundo perguntando se eu vou querer deixar de ser actriz, mas a profissão de actriz é uma paixão também.

Malu Mader e Theodoro Fontes, produtor de cinema (Foto: José Ferreira)
Foi difícil angariar fundos para o documentário?
Era um orçamento muito barato. Agora quero ver como será com o filme de ficção, que é obviamente muito mais caro, muito mais complexo, por isso que acabou acontecendo o documentário antes também. Foi mais viável.
Não ficou com receio da crítica? Afinal, pelo próprio tema do documentário, poder-se-ia interpretar como autopromoção, aquele estereótipo da «actriz que ajuda jovens carentes».
Claro que não sou um tipo de pessoa que faz um filme só para mim, claro que você quer que todo mundo goste. A princípio, o que mais queria é que eu ficasse satisfeita e que eles gostassem de se ver na tela. E aí, num segundo momento, claro, quanto mais a crítica gostasse, as pessoas gostassem… Mas acho que há críticas e críticas e eu estava aberta até para críticas ruins. Um filme existe com o olhar do outro também.
Mas o facto de ser uma actriz famosa interfere, claramente, nas críticas.
Por mais que ficasse triste, estava disposta a ouvir o que as pessoas tinham a dizer, de ruim e de bom. Mesmo que a crítica fosse destrutiva, estava preparada. Mas queria ouvir críticas que me ajudassem a crescer como cineasta, eu estava muito disposta a ouvir pessoas que me falassem: «olha, isso e isso aqui não estava bom e tal». Queria aprender, estava me sentindo uma iniciante, como estou me sentindo ainda assim, sabe? Não é porque já tenho um nome como actriz… Estou me sentindo como dando um primeiro passo como realizadora, estou me sentindo como se tivesse vinte e poucos anos…

Malu Mader (Foto: José Ferreira)
Não te incomoda o facto de aparecer mais nos media do que a sua obra?
A indústria de celebridades é uma coisa muito forte. Talento é uma coisa que sempre se impõe, quando você tem um mega talento, tudo isso é mais forte que tudo. Se você vai construindo, trabalhando e não vai aceitando esse jogo, quando você fica no meio-termo… Eventualmente você tem que ceder, tem que fazer uma entrevista aqui, ir a um evento ali… Mas se não fica vivendo de um jogo fútil eterno, vai lá, senta lá, escreve todo dia, não fica só indo a festas o tempo inteiro, você constrói o seu trabalho. É que as pessoas acham que para fazer um trabalho precisam ir a festas várias vezes por semana, e não é nada disso. O que faz de um artista ou de um actor ou de um cineasta ou de um realizador ou o que quer que seja alguém é o trabalho dele.
É por isso que tem uma carreira sólida, com mais de duas décadas…
Não adianta a pessoa ter a ilusão de que ir a três festas por semana e aparecer na revista vai fazer dele alguém. Pode fazer dele alguém naquela semana; passou aquele tempinho ali, se ele não tiver alguma coisa a oferecer de facto… Ou não, posso estar enganada, sei lá… Posso estar falando besteira. Hoje em dia a pessoa emagrece quatro quilos e sai na capa: «emagreci quatro quilos». Semana que vem: «separei do meu marido». Daqui a cinco semanas: «ganhei um carro do meu novo namorado». Pode ser, quem sabe… Claro, a pessoa se sustenta por aí uns dez anos nos media, mas alguma hora… Depende da tua vontade também, do que você almeja para você. Se você quer construir alguma coisa da qual você vai se orgulhar ou da qual você quer que o seu filho se orgulhe ou se busca alguma realização, aí é mais difícil, aí tem que trabalhar. Tem que ser algo que te dê felicidade de verdade. Não só material, mas que te preencha.
As telenovelas brasileiras fazem muito sucesso em Portugal. É um país que acolhe com carinho muitos artistas brasileiros…
Portugal é uma delícia… Desde a comida, que adoro, até às pessoas… O carinho, os lugares bonitos, a sensação de estar em casa. Pretendo vir a algum festival aqui em Portugal este ano com o meu documentário.
Escritor de «Bellini e o Demónio» considera adaptação ao cinema «muito positiva»
Por Manaíra Athayde| Março 3, 2009 | Sem Comentários
O escritor Tony Bellotto, também músico dos Titãs, esteve presente no primeiro fim-de-semana do Fantasporto para divulgar o seu livro Bellini e o Demónio (Companhia das Letras), que em Portugal foi lançado com o título de Um Caso com o Demónio. Com uma carreira iniciada na década de 1980 e casado com uma das mais famosas actrizes brasileiras, Malu Mäder, Bellotto fala em entrevista ao JUP/RASCUNHO sobre a adaptação do livro ao cinema , o preconceito que sofre por ser um músico que também é escritor, a crítica de arte e o intercâmbio cultural.

Tony Bellotto no Fantasporto (Foto: José Ferreira)
Quem é Bellini?
No começo ele nem era um detective, eu pensei num alter-ego meu, alguém que reflectisse um pouco da minha visão do mundo. As primeiras histórias dele eu nunca publiquei, eram fragmentos de um adolescente no interior de São Paulo, como eu fui. Aí abandonei esse projecto e quando fui escrever o meu primeiro romance, Bellini e a Esfinge, em 1994, estava lendo muita literatura policial e quis fazer um livro de literatura policial. Ao criar o meu livro, criei esse detective, que é um homem desiludido, fracassado, que tem umas tiradas irónicas e reflexões um pouco desiludidas sobre o mundo.

Bellotto com a esposa, Malu Mäder, e Theodoro Fontes, produtor do filme (Foto: José Ferreira)
Não teve receio quanto à adaptação, já que o cinema exige uma outra linguagem?
Já aprendi com o tempo que toda adaptação para o cinema tem que mudar a essência do livro. São raros os livros que são transportados literalmente para o cinema e que você fica satisfeito com o resultado. Geralmente, nos frustramos um pouco quando vemos no cinema a adaptação de um livro de que gostamos. Como é uma linguagem diferente, o livro deve mesmo servir só como base para o filme ser feito, que é o que acontece aqui; Bellini e o Demónio é um filme totalmente diferente do livro. Por exemplo: uma das coisas que acho mais legais do livro, que é o monólogo interior de Bellini, é impossível de transpor. Não é que fique apreensivo, mas quando vendo os direitos de uma obra já aceito que vai ser diferente, e quando se aceita não se sofre tanto.
Mas o resultado da adaptação do filme foi positivo?
Foi muito positivo. É um filme interessante, mas diferente do livro porque ficou um filme mais fantástico. No meu livro, o livro perdido é um romance policial do Dashiell Hammett que nunca foi publicado, e no filme é o livro do Aleister Crowley, ligado à magia negra. Eu fico muito satisfeito porque é um filme muito bem realizado, muito legal. Agora, a pessoa vendo o filme não quer dizer que leu o livro, pois são emoções diferentes.
Não se teve aquele receio de cair no lugar comum e nos estereótipos?
Não participei da feitura do filme. Eles correram esse risco, é um risco que se corre mesmo. Eu, de certa maneira, também corri esse risco dos estereótipos da literatura policial, o tempo todo você tem que tentar fugir do cliché para não cair no óbvio. Acho que o filme conseguiu fugir desse óbvio porque fica muito aberto, até o final brinca um pouco com essa ideia da literatura de Jorge Luis Borges, da pessoa encontrando a si mesma e a ideia do demónio como um aspecto dentro de você mesmo.

Tony Bellotto em entrevista ao JUP/RASCUNHO (Foto: Caio Meirelles)
Em algumas entrevistas, você afirmou que Bellini tem um teor sarcástico e existencialista. Os personagens são uma parte dos seus autores ou é algo completamente distinto, obra e autor?
Todo personagem tem um pouco do autor. Todo personagem que eu invente, por mais que eu tente fazê-lo diferente do que eu sou, sempre ele parte de mim e, inevitavelmente, tem aspectos meus. Agora esse sarcasmo do Bellini, que é mais claro no livro, essa ironia e desilusão dele fazem parte da ideia que eu tenho do mundo. Não sou tão irónico nem sarcástico nem desiludido, mas coloco nele toda uma ampliação dessa minha desilusão.
Hoje o artista torna-se mais importante do que a obra?
Infelizmente, sim [risos]. Essa cultura da celebridade é uma coisa que vem acontecendo há muito tempo, já começou no século passado. Faz parte do nosso tempo, né? Existe o artista e existe a obra e de certa forma estão um pouco desatrelados. Às vezes a obra é boa e você nem sabe quem é o artista e às vezes você nem sabe qual é a obra e o artista é uma celebridade. Faz parte dessa cultura do nosso tempo, e estou envolvido nela, não dá para negar. Sou escritor e ao mesmo tempo sou guitarrista de uma banda… Não sei até que ponto as pessoas conseguem avaliar uma obra minha sem levar em conta o artista. Eu acho que seria mais interessante que a gente desse mais atenção para a obra, mas os artistas aparecem muito e acabam dificultando. Gosto muito e invejo esses escritores que não dão entrevistas, que não aparecem, é uma forma de preservar a obra. Mas isso seria impossível pelo facto de eu ser um guitarrista de uma banda que já está dentro de um sistema mediático, é uma alternativa que eu não tenho.

Bellotto com a mãe, a professora universitária Heloísa Liberalli Bellotto (Foto: Manaíra Aires)
A crítica constrói ou destrói?
As duas coisas. Cada vez se tem menos o trabalho do crítico de fazer uma análise sobre a obra. A gente tem muita informação sobre a obra. Na crítica no Brasil, às vezes eu sofro de um preconceito pelo facto de ser um músico escrevendo, às vezes as pessoas duvidam que um guitarrista de rock possa escrever um livro. Mas eu não me pauto muito na crítica, uma obra requer mais tempo. O que uma obra significa é o tempo que responde, com os leitores e tal. A crítica é importante, mas não tem força para construir ou destruir, é sempre a obra que se faz, para o bem e para o mal.
Como enxerga o Brasil nesse intercâmbio cultural, proporcionado por eventos como o Fantasporto?
Acho o Brasil muito autocentrado. Tirando a produção americana, principalmente na música, no Brasil é difícil fazer sucesso de verdade música latina ou de Portugal ou da Espanha ou de outros países da América do Sul e da América Central. Acho que temos um certo preconceito no Brasil contra músicas que não sejam, por exemplo, cantadas em Inglês e em Português. A cultura brasileira é um pouco fechada nesse sentido, a gente não tem muito conhecimento do que acontece fora do nosso país, como esse festival, por exemplo, que tem o foco num tipo de cinema específico.
Hora dos prémios
Por Ricardo Alves| Março 2, 2009 | Sem Comentários
Idiots and Angels, do velho conhecido do Fantas Bill Plympton, acabou por ser o vencedor da 29ª edição do festival, arrecadando o prémio da secção Cinema Fantástico. Esta secção destacou ainda Hansel & Gretel com o prémio especial do júri (que acabou por vencer na categoria Orient Express) e James Watkins com o prémio de melhor realização Éden Lake. Na secção Semana dos Realizadores, Moccow, Belgium foi o galardoado, ficando o prémio especial do júri para Wim Wenders com o seu Palermo Shooting, e melhor realizador para Bent Hamer por O’Horten. O Prémio da Crítica foi para Delta, de Kornel Mundruczó e o da Audiência foi para The Wrestler, de Darren Aronofsky.
É ligeiramente bizarro que o prémio do 29.º Fantasporto tenha sido atribuído a um filme de animação sem diálogos enquanto Palermo Shooting, que virá a ser um dos pontos de destaque da filmografia de um dos maiores cineastas europeus, tenha apenas levado apenas uma medalha de participação. Por esta altura também já se perdeu a necessidade de manter o apartheid a filmes vindos da Ásia, já não é uma novidade que há filmes muito bons a originar ali. Mas o facto de haver uma categoria como Orient Express poderá explicar como Hansel & Gretel ou The Chaser (este último com uma menção especial na categoria) não tenham obtido um maior destaque nos prémios principais.
Etiquetas: Bent Hamer > Bill Plympton > Darren Aronofsky > James Watkin > Kornel Mundruczo > Wim Wenders
Fantasporto em fotogramas #09
Por Manuel Ribeiro| Março 2, 2009 | Sem Comentários
Crítica: «Hair High», de Bill Plympton
Por Cíntia Morais| Março 1, 2009 | Sem Comentários
Antes do premiado Idiots and Angels, o Fantasporto exibiu outra longa-metragem do cineasta americano Bill Plympton. Em Hair High, é-nos contada a história de Cherrie e Spud tornada lenda. Ao chegar à sua nova escola secundária, Spud começa mal: uma pequena «boca» à «querida» Cherrie, futura rainha do baile, faz-lhe colher o ódio de todo o liceu incluindo, claro está, o namorado da mesma. Castigo: ser o escravo de Cherrie, com a condição de não se apaixonar por ela. Obviamente, a química acaba por operar entre os dois, e é a tragédia. Para continuar a ser o rei do baile, o ex-namorado de Cherrie está pronto a tudo. Mas isto, sem contar com os poderes de ressurreição dos dois amantes.
Esta história inspirada no filme Carrie, de Brian de Palma, nunca chega nem de perto nem de longe ao mesmo nível de terror. Aqui os exuberantes penteados das personagens dão o tom ao filme. Qualquer pormenor é uma boa oportunidade para entrar em devaneios surrealistas quase sempre deliciosos, algumas vezes no limite da saturação. Quando Plympton brinca com as formas, as texturas e os sons (coisa que ele parece gostar de fazer), a desproporção é regra. O humor oscila entre o espalhafatoso e o súbtil, sem nunca desiludir. O estilo de Plympton é bem perceptível, numa história em que poucas, mas boas cenas, que se podem definir de gore (ou simplesmente de «nojentas», pelas reacções do público) pontuam o seu filme de animação.
Fantasporto em fotogramas #08
Por Cíntia Morais| Março 1, 2009 | Sem Comentários
Fantasporto no Brasil: Leo Falcão
Por Manaíra Athayde| Março 1, 2009 | Sem Comentários
O JUP/RASCUNHO continua a fazer saber da repercussão do Fantas do outro lado do oceano. Depois do jornalista Rafhael Barbosa e da produtora Maíra Viana, esta série de três entrevistas curtas a agentes culturais brasileiros (todos de regiões diferentes, recordamos) fica hoje completa com as respostas do cineasta Leo Falcão (foto).
Conhece o Fantasporto? Como?
Já ouvi, sim. É um evento bastante conhecido no circuito de festivais, especialmente por guardar este recorte específico de lidar com o fantástico, que é um género de suma importância e influência para a literatura e para o cinema latino.
Por que gostaria de participar no festival?
Participar de um festival é importante por vários motivos. Além da oportunidade de mostrar o seu filme para um público diverso, trocar ideias e impressões acerca do seu trabalho, contribui para o amadurecimento contínuo, em termos técnicos e estilísticos, eu diria.
Qual a importância desses festivais?
Estabelecer networks (pessoais e profissionais) é um aspecto fundamental de qualquer evento de cinema, justamente por permitir esse maior contacto entre diferentes realidades de trabalho e viabilizar pragmaticamente actividades de cooperação, promovendo assim um maior desenvolvimento e diversificação da produção cinematográfica contemporânea.
Prémios Fantasporto 2009
Por Ricardo Alves| Fevereiro 28, 2009 | Sem Comentários
SECÇÃO OFICIAL CINEMA FANTÁSTICO
Grande Prémio Melhor Filme Fantasporto 2009
Idiots and Angels – Bill Plympton (EUA)
Prémio Especial do Júri/Prémio Super Bock
Hansel & Gretel – Gunnar Gudmundsson Phill-Sung Yim (COR. SUL)
Menção Honrosa do Júri Internacional
Astropia – Gunnar Gudmundsson (ISL/GB/FIN)
Melhor Realização
Eden Lake – James Watkins (GB)
Melhor Actor
Jack O’Connel – Eden Lake (GB)
Melhor Actriz
Macarena Goméz – Sexykiller (ESP)
Melhor Argumento
Bill Plympton – Idiots and Angels (EUA)
Melhor Fotografia
James Hawkinson – The Unborn (EUA)
Melhor Curta-Metragem
Next Floor – Denis Vilebeuve (CAN)
19ª SEMANA DOS REALIZADORES
Grande Prémio Manoel de Oliveira, Melhor Filme Semana dos Realizadores
Moscow, Belgium – Christophe Van Rompaey (BEL)
Prémio Especial Júri
Palermo Shooting – Wem Wenders (ALE/FRA/ITA)
Melhor Realizador
Bent Hamer – O’Horten (NOR/ALE/FRA)
Melhor Actor
Brian Cox– The Escapist (GB)
Melhor Actriz
Mamatha Bhukya – Vanaja (IND/EUA)
Melhor Argumento
Sergey Rokotov, Yevgeniy Nikishow – The Vanished Empire (RUS)
SECÇÃO OFICIAL ORIENT EXPRESS
Prémio Melhor Filme Orient Express
Hansel & Gretel – Phill-Sung Yim (COR. SUL)
Prémio Especial Júri
The Chaser – Hong-Jin Na (COR. SUL)
PRÉMIO DA CRÍTICA
Delta – Kornel Mundruczo (HUNG)
PRÉMIO DE AUDIÊNCIA JN
The Wrestler – Darren Aronofsy (EUA)





















